Israel diz que passageiros da flotilha de Gaza escoltados até Israel correm risco de deportação

Os barcos deixaram a Grécia em setembro com parlamentares europeus, ativistas e ativistas humanitários a bordo.

Por Evgenia Filimianova
02/10/2025 14:11 Atualizado: 02/10/2025 14:11
Matéria traduzida e adaptada do inglês, publicada pela matriz americana do Epoch Times. 

Os passageiros da Flotilha Global Sumud, que tentou romper o bloqueio naval de Israel à Faixa de Gaza, estão sendo escoltados para Israel, informou o Ministério das Relações Exteriores israelense em 2 de outubro.

O ministério afirmou que todos os passageiros estão “seguros e em boas condições de saúde”. De acordo com a atualização, os ativistas serão deportados para seus países de origem.

A frota, que partiu da Grécia em setembro, incluía ativistas europeus, parlamentares da Itália e de outros países e trabalhadores humanitários. A ativista climática sueca Greta Thunberg também estava a bordo.

Os organizadores descreveram a ação como uma “missão civil pacífica” para entregar ajuda humanitária a Gaza, apesar das repetidas advertências de Israel de que não permitiria que a frota violasse o bloqueio naval ou entrasse em uma zona de combate ativa.

Israel chamou o comboio de “frota Hamas-Sumud”, alegando que ele serve aos interesses do Hamas, o grupo responsável pelo ataque de 7 de outubro de 2023, que matou cerca de 1.200 pessoas e resultou em mais de 250 reféns.

Em uma declaração em 1º de outubro, o Ministério das Relações Exteriores de Israel afirmou que o objetivo da frota é a provocação. Na semana passada, a inteligência israelense também afirmou que alguns líderes da frota tinham ligações com organizações terroristas.

A Frota Global Sumud disse ao Epoch Times na época: “Não temos comentários sobre essas últimas táticas do governo israelense para desviar a atenção de seus crimes de guerra”.

Primeira-ministra italiana pede calma

Um plano de paz liderado pelos EUA, anunciado em 29 de setembro, que descreve um processo para acabar com as hostilidades em Gaza, foi bem recebido pela comunidade internacional, incluindo a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni.

Meloni exortou os ativistas em 1º de outubro a interromperem sua missão, alertando que isso poderia inflamar as tensões durante as negociações de paz.

Ela confirmou que o Ministério das Relações Exteriores da Itália estava acompanhando a situação de perto e auxiliando os cidadãos italianos a bordo.

“Faremos tudo o que pudermos para que essas pessoas possam retornar à Itália o mais rápido possível”, disse Meloni em 2 de outubro. “Depois disso, além dessa questão, continuo acreditando que tudo isso não traz nenhum benefício para o povo palestino”.

Meloni criticou os sindicatos italianos por convocarem uma greve geral em 3 de outubro para demonstrar apoio à frota.

Ela disse que a Itália já havia liderado esforços humanitários, incluindo evacuações médicas e corredores de ajuda, e alertou que protestos domésticos poderiam causar perturbações desnecessárias.

Reação internacional

Nas primeiras horas de 2 de outubro, membros da frota disseram que as forças israelenses abordaram seus navios em águas internacionais, cortando transmissões ao vivo e comunicações.

Eles descreveram a interceptação como um “ataque ilegal a humanitários desarmados” e instaram os governos a exigirem sua “segurança e libertação imediatas”.

O Reino Unido, um apoiador do plano de paz dos EUA para Gaza, pediu moderação.

Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido afirmou que a situação deve ser resolvida “com segurança, de acordo com o direito internacional e com o devido respeito aos direitos de todos os que estão a bordo”.

“A ajuda transportada pela frota deve ser entregue a organizações humanitárias no local para ser entregue com segurança em Gaza. É responsabilidade do governo israelense resolver a terrível crise humanitária em Gaza”, disse o porta-voz. “Isso significa suspender imediata e incondicionalmente as restrições à ajuda, para que a ONU e as ONGs possam entregar alimentos, medicamentos e outros itens essenciais aos civis em situação de necessidade extrema”.

O Ministério da Europa e das Relações Exteriores da França informou que os funcionários do Consulado Geral em Tel Aviv estão em contato com os cidadãos franceses que se juntaram à frota e estão preparados para lhes fornecer apoio consular.

O Ministério das Relações Exteriores da Espanha, juntamente com sua embaixada em Israel e consulados em Jerusalém e Nicósia, afirmou que está acompanhando de perto a situação da Flotilha Global Sumud e está pronto para fornecer proteção diplomática e consular aos cidadãos espanhóis.

“A Espanha exige que a integridade física e os direitos dos cidadãos espanhóis sejam respeitados”, afirmou o ministério em comunicado. “A Flotilha Global Sumud é uma iniciativa pacífica e humanitária da sociedade civil”.

O Ministério das Relações Exteriores da Palestina denunciou a interceptação, chamando-a de violação do direito internacional e das águas territoriais palestinas.

O Ministério da Saúde de Gaza, administrado pelo Hamas, afirma que mais de 65.000 pessoas foram mortas em Gaza desde 7 de outubro de 2023. O número não distingue entre combatentes e civis e inclui algumas mortes por causas naturais. O Epoch Times não pode verificar o número.