EUA dizem que Israel aceitou acordo de cessar-fogo, mas Hamas ainda não decidiu

A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que Israel “apoiou e endossou” a proposta, mas o Hamas afirmou que precisa de mais tempo para analisá-la.

Por Chris Summers
30/05/2025 13:02 Atualizado: 31/05/2025 12:44
Matéria traduzida e adaptada do inglês, publicada pela matriz americana do Epoch Times.

A Casa Branca informou nesta quinta-feira (29) que Israel aceitou uma nova proposta dos Estados Unidos para um cessar-fogo temporário com o Hamas em Gaza.

A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que Israel “apoiou e endossou” a nova proposta. Mas o Hamas afirmou que precisa de mais tempo para analisar o plano.

Bassem Naim, um alto funcionário do Hamas, disse que a proposta “não responde a nenhuma das demandas do nosso povo, principalmente o fim da guerra e da fome”.

Naim disse que o Hamas analisaria a proposta de cessar-fogo “com toda a responsabilidade nacional”.

No início da semana, o enviado especial dos EUA para o Oriente Médio, Steve Witkoff, demonstrou otimismo em relação à possibilidade de negociar um novo cessar-fogo e garantir a libertação de mais reféns israelenses mantidos pelo grupo terrorista Hamas.

Nesta quinta-feira, Leavitt foi questionada por um jornalista sobre reportagens da mídia israelense que afirmam que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu teria concordado com uma trégua de 60 dias.

“Posso confirmar que o enviado especial Witkoff e o presidente apresentaram uma proposta de cessar-fogo ao Hamas, que foi apoiada e endossada por Israel. Israel aprovou essa proposta antes que ela fosse enviada ao Hamas”, disse Leavitt.

“Também posso confirmar que as negociações continuam, e esperamos que o cessar-fogo em Gaza aconteça para que possamos trazer todos os reféns de volta para casa”, acrescentou a porta-voz.

Leavitt disse que não podia dar mais detalhes, pois estão “justamente no meio dessas negociações agora”.

Quando questionada se o Hamas havia aceitado a proposta de cessar-fogo, ela respondeu: “Não que eu saiba, mas certamente, se isso acontecer e o cessar-fogo entrar em vigor, vocês ouvirão diretamente de mim, do presidente ou do enviado especial Witkoff”.

Netanyahu prometeu destruir o Hamas. Na quinta-feira (22), ele acusou os líderes do Reino Unido, Canadá e França de estarem “do lado errado da história”, após a publicação de uma declaração conjunta na segunda-feira (19) pedindo o fim da mais recente ofensiva de Israel.

O conflito em Gaza começou em 7 de outubro de 2023, quando terroristas liderados pelo Hamas atravessaram a fronteira para Israel, matando cerca de 1.200 pessoas e levando cerca de 250 reféns para a faixa de território que controlavam.

Um cessar-fogo foi acordado em janeiro, e vários reféns foram libertados em troca de prisioneiros palestinos, mas o acordo terminou em 1º de março.

Israel afirma que o Hamas ainda mantém 58 reféns, embora se acredite que apenas 23 estejam vivos.

Nesta quarta-feira (28), Netanyahu anunciou que Israel matou o chefe do Hamas em Gaza, Mohammed Sinwar, de 49 anos, em um ataque aéreo israelense na cidade de Khan Younis.

Sinwar sucedeu seu irmão, Yahya Sinwar, apontado como o mentor dos ataques de 7 de outubro de 2023. Ele foi morto por forças israelenses em Gaza em outubro de 2024.

Israel restringiu a entrega de ajuda humanitária em Gaza desde março, alegando que o Hamas estava roubando os suprimentos e os vendendo para financiar suas operações militares.

Smoke rises following an Israeli bombardment in southern Gaza on May 29, 2025. (Abdel Kareem Hana/AP)

Fumaça sobe após um bombardeio israelense no sul de Gaza em 29 de maio de 2025. (Abdel Kareem Hana/AP)

A Fundação Humanitária de Gaza (GHF, na sigla em inglês), apoiada pelos Estados Unidos, foi criada no início deste ano como parte de um plano iniciado por Israel para entregar ajuda humanitária a civis palestinos em Gaza sem interferência do Hamas.

No domingo (25), Jake Wood, diretor executivo da GHF, renunciou ao cargo, afirmando que ficou claro que o plano não poderia ser implementado respeitando “os princípios humanitários de humanidade, neutralidade, imparcialidade e independência, dos quais não abrirei mão”.

Wood, ex-atirador de elite da Marinha dos Estados Unidos, que havia sido nomeado para o cargo há dois meses, não deu mais detalhes.

Macron diz que situação da ajuda humanitária é “insustentável”

Na sexta-feira (23), o presidente da França, Emmanuel Macron, disse em entrevista coletiva em Singapura que o país pode endurecer sua posição em relação a Israel, caso a entrada de ajuda humanitária em Gaza continue sendo bloqueada.

“O bloqueio humanitário está criando uma situação insustentável no território”, afirmou Macron. “Se não houver uma resposta condizente com a situação humanitária nas próximas horas e dias, teremos de endurecer nossa posição coletiva.”

Ontem, Israel aprovou planos para 22 assentamentos na Cisjordânia, incluindo a legalização de postos avançados já existentes, segundo a imprensa israelense, com base em informações do Ministério da Defesa.

O ministro da Defesa, Israel Katz, classificou a medida como “um movimento estratégico que impede o estabelecimento de um Estado palestino que colocaria Israel em risco”.

Já Nabil Abu Rudeineh, porta-voz do presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, disse que a decisão de Israel representa uma “escalada perigosa”.