Espião chinês se passou por repórter do Epoch Times em conspiração em Taiwan, dizem promotores

A oficial da inteligência chinesa conheceu um soldado taiwanês por meio de um aplicativo de namoro.

Por Frank Fang e Eva Fu
14/10/2025 15:35 Atualizado: 14/10/2025 15:35
Matéria traduzida e adaptada do inglês, publicada pela matriz americana do Epoch Times.

TAIPEI, Taiwan — Uma espiã chinesa fingiu ser repórter do Epoch Times pra tentar recrutar oficiais militares e conseguir informações de segurança nacional em Taiwan, segundo os promotores.

A mulher, uma agente de inteligência da polícia armada chinesa estacionada na província de Shanxi, no norte da China, alegou ser repórter do escritório de Hong Kong do Epoch Times, de acordo com os promotores de Taiwan.

O chefe do escritório disse que a espiã aproveitou a ampla confiança construída pelo Epoch Times em Taiwan.

A revelação surge em meio à crescente interferência de atores pró-Pequim, que também já usaram táticas de falsificação de identidade para manchar a reputação da publicação.

Em 2023, por meio de um aplicativo de namoro, a agente de inteligência chinesa se conectou com um ex-oficial da marinha taiwanesa de sobrenome Lin, que a colocou em contato com um oficial da brigada de mísseis navais de sobrenome Tsai, segundo os promotores. Lin, na época, havia sido dispensado da marinha taiwanesa por jogo ilegal.

Em busca de inteligência sobre mísseis

A brigada onde Tsai e Lin serviam é chamada de Brigada Hai Feng, a unidade de mísseis antinavio baseada em terra de Taiwan.

A oficial chinesa, usando os pseudônimos “Chu Ting” e “Ti Ying” para disfarçar sua verdadeira identidade, teria prometido a Tsai um pagamento com base no valor das informações militares que ele fornecesse. Em maio de 2023, Tsai preencheu um formulário com seus dados pessoais, como sua unidade militar e sua posição. Ele recebeu NT$ 8.000 (cerca de US$ 260) depois que Lin passou as informações para Chu Ting, de acordo com uma acusação do Ministério Público do Distrito de Taichung.

Tsai também teria levado de volta manuais de operação do míssil Hsiung Feng II, produzido em Taiwan. Ele tirou fotos deles com seu celular e os passou para Chu Ting, recebendo NT$ 30.000 (cerca de US$ 960) em troca, disseram os promotores.

As informações que Tsai teria vazado não estavam disponíveis ao público, embora não fossem classificadas como segredos militares, de acordo com as autoridades taiwanesas. Lin e Tsai enfrentam acusações de violação da Lei de Segurança Nacional e de aceitação de suborno em violação do dever, respectivamente.

O Ministério da Defesa Nacional de Taiwan disse que seu Departamento de Guerra Política recebeu uma denúncia em julho de 2021, o que resultou em uma investigação interagências.

O ministério disse que continuará a implementar a educação sobre a proteção de segredos e a prevenção da espionagem, a fim de aprofundar a “consciência de segurança, defesa e patriotismo” dos membros do serviço militar.

Os soldados taiwaneses têm sido um grande alvo para os oficiais de inteligência chineses. Até abril, as autoridades de Taiwan processaram quase 160 pessoas suspeitas de espionagem; cerca de 60% delas serviram nas Forças Armadas.

Epoch Times como alvo

Cheryl Ng, porta-voz do escritório de Hong Kong do Epoch Times, condenou a tentativa de falsificação de identidade do agente chinês. Ela confirmou que o escritório nunca contratou ninguém com os nomes mencionados pelos promotores.

Ela disse em um comunicado que o Epoch Times se tornou uma marca reconhecida por suas reportagens em primeira mão sobre a China, e que o espião chinês provavelmente pensou que se passar por uma repórter do Epoch Times facilitaria ganhar a confiança da sociedade taiwanesa.

Esta não é a primeira vez que o Epoch Times é falsificado por atores pró-Pequim, que intensificaram seus esforços para atacar a publicação.

Fundado em 2000 em Atlanta com a missão de trazer informações verdadeiras da China, o Epoch Times tem enfrentado esforços contínuos de sabotagem por parte do regime comunista chinês. Seus primeiros repórteres na China foram presos, com vários deles condenados a até 10 anos de prisão.

Ciberataques chineses têm se envolvido recentemente em campanhas direcionadas para se passar pelo Epoch Times e enviar e-mails ameaçadores a várias agências governamentais e civis em todo o mundo, incluindo os Estados Unidos e Taiwan.

No início de outubro, o Epoch Times recebeu um envelope contendo um pó branco que parecia ter como objetivo intimidar a publicação.

Em março, o Departamento de Justiça dos EUA revelou vários incidentes de hacking dirigidos por Pequim contra a publicação.

Espionagem por meio de sites de namoro e de rede social

Wang Ting-yu, parlamentares do Partido Democrático Progressista, atualmente no poder em Taiwan, disse que o caso — especialmente a forma como o agente chinês se passou por repórter — deve causar preocupação. Sites de namoro e rede social se tornaram plataformas para os esforços de espionagem dos agentes chineses, disse ele.

“Eles usam fotos muito atraentes de si mesmos e identidades aparentemente confiáveis para fazer contato”, disse Wang em um vídeo postado em sua página do Facebook em 12 de outubro.

Wang acrescentou que o caso era típico de como os agentes de inteligência chineses operam.

“Eles geralmente oferecem dinheiro para você fornecer documentos sem importância — coisas que não são confidenciais e não são ilegais, então parece tudo bem. Depois que você pega o dinheiro e entrega o material, mesmo que a informação não seja sensível, eles já te pegaram”, disse Wang.

“Depois que você aceita esse primeiro passo, fica muito difícil recusar pedidos posteriores de informações mais sensíveis, e você acaba sendo controlado pela rede de agentes do Partido Comunista Chinês”.