Crise na Colômbia: Petro pede renúncia de ministros após reunião transmitida ao vivo

A solicitação ocorreu após encontro conturbado, com críticas públicas a membros de alto escalão do governo.

Por Redação Epoch Times Brasil
10/02/2025 16:02 Atualizado: 10/02/2025 16:02

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, solicitou neste domingo (9) que seus ministros e outros membros do alto escalão do governo renunciassem, em um movimento que busca reestruturar a administração diante da crescente crise política.

A decisão vem após uma reunião de mais de cinco horas transmitida ao vivo pela televisão, na terça-feira (4), em que Petro repreendeu seus ministros pela falta de avanços em relação aos compromissos assumidos com a população.

Críticas abertas

O desabafo público de Petro ocorreu no conselho de ministros transmitido ao vivo, que causou grande repercussão no país. Durante a reunião, o presidente colombiano criticou duramente quase todos os seus ministros, especialmente aqueles responsáveis por áreas-chave da administração pública.

Segundo o chefe do Executivo, eles não estavam cumprindo os compromissos com o país.

“Solicitei a renúncia de ministros e diretores de departamentos administrativos. Haverá algumas mudanças no Gabinete para alcançar maior conformidade com o programa ordenado pelo povo”, escreveu Petro no X, neste domingo (9).

O encontro gerou ainda mais controvérsias quando algumas autoridades, como a vice-presidente e ministra da Igualdade, Francia Márquez, expressaram publicamente sua discordância com a nomeação de Armando Benedetti como chefe de gabinete e Laura Sarabia como ministra das Relações Exteriores.

Ambas as nomeações foram vistas como distantes do projeto dito progressista do presidente e, segundo os aliados de Petro, dificultavam a comunicação dentro do governo.

Benedetti é investigado por suspeitas de irregularidades no financiamento da campanha presidencial e enfrenta acusações de violência de gênero. 

Sarabia, por sua vez, esteve envolvida em um dos maiores escândalos de corrupção do governo colombiano, com acusações de desvio de fundos públicos e de supostas escutas ilegais.

Renúncias e racha

Além das críticas a membros do governo, a ministra do Meio Ambiente, Susana Muhamad, anunciou sua saída, destacando rejeição à presença de Benedetti no governo.

“Como feminista e como mulher, não posso me sentar à mesa do gabinete de nosso projeto progressista com Armando Benedetti”, lamentou Muhamad quase chorando, durante a reunião.

A ministra era vista como uma das figuras-chave do governo de Petro, especialmente na liderança em diplomacia climática. Muhamad também havia sido anfitriã da COP-16 da ONU em Cali, em 2024, e era apontada como possível sucessora do projeto político de Petro após seu mandato.

Em um contexto de crescente fragmentação política, outros ministros, como o da Cultura, Juan David Correa, e o chefe do Departamento Administrativo da Presidência da República (DAPRE), Jorge Rojas, também pediram demissão.