O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, solicitou neste domingo (9) que seus ministros e outros membros do alto escalão do governo renunciassem, em um movimento que busca reestruturar a administração diante da crescente crise política.
A decisão vem após uma reunião de mais de cinco horas transmitida ao vivo pela televisão, na terça-feira (4), em que Petro repreendeu seus ministros pela falta de avanços em relação aos compromissos assumidos com a população.
Críticas abertas
O desabafo público de Petro ocorreu no conselho de ministros transmitido ao vivo, que causou grande repercussão no país. Durante a reunião, o presidente colombiano criticou duramente quase todos os seus ministros, especialmente aqueles responsáveis por áreas-chave da administração pública.
Segundo o chefe do Executivo, eles não estavam cumprindo os compromissos com o país.
“Solicitei a renúncia de ministros e diretores de departamentos administrativos. Haverá algumas mudanças no Gabinete para alcançar maior conformidade com o programa ordenado pelo povo”, escreveu Petro no X, neste domingo (9).
O encontro gerou ainda mais controvérsias quando algumas autoridades, como a vice-presidente e ministra da Igualdade, Francia Márquez, expressaram publicamente sua discordância com a nomeação de Armando Benedetti como chefe de gabinete e Laura Sarabia como ministra das Relações Exteriores.
Ambas as nomeações foram vistas como distantes do projeto dito progressista do presidente e, segundo os aliados de Petro, dificultavam a comunicação dentro do governo.
Benedetti é investigado por suspeitas de irregularidades no financiamento da campanha presidencial e enfrenta acusações de violência de gênero.
Sarabia, por sua vez, esteve envolvida em um dos maiores escândalos de corrupção do governo colombiano, com acusações de desvio de fundos públicos e de supostas escutas ilegais.
Renúncias e racha
Além das críticas a membros do governo, a ministra do Meio Ambiente, Susana Muhamad, anunciou sua saída, destacando rejeição à presença de Benedetti no governo.
“Como feminista e como mulher, não posso me sentar à mesa do gabinete de nosso projeto progressista com Armando Benedetti”, lamentou Muhamad quase chorando, durante a reunião.
A ministra era vista como uma das figuras-chave do governo de Petro, especialmente na liderança em diplomacia climática. Muhamad também havia sido anfitriã da COP-16 da ONU em Cali, em 2024, e era apontada como possível sucessora do projeto político de Petro após seu mandato.
Em um contexto de crescente fragmentação política, outros ministros, como o da Cultura, Juan David Correa, e o chefe do Departamento Administrativo da Presidência da República (DAPRE), Jorge Rojas, também pediram demissão.



