Assassinato de Ronald Ojeda gera dúvidas sobre alcance de Maduro para perseguir dissidentes

O ex-militar venezuelano foi brutalmente executado e seu corpo encontrado em mala concretada no Chile; investigações apontam para envolvimento do regime de Maduro.

Por Redação Epoch Times Brasil
13/02/2025 13:36 Atualizado: 13/02/2025 13:36

Na madrugada do dia 21 de fevereiro de 2024, a vida de Ronald Ojeda, um ex-oficial do Exército venezuelano e dissidente político, foi brutalmente interrompida. O ex-militar, que havia fugido para o Chile buscando asilo, foi sequestrado por homens armados que invadiram seu apartamento no 14.º andar de um edifício em Santiago.

De acordo com relatos de sua esposa, pelo menos um dos sequestradores tinha sotaque venezuelano. Ojeda, de 32 anos, estava em uma missão secreta para derrubar o regime de Nicolás Maduro, líder da Venezuela. O ex-militar havia sido classificado como “traidor” pelas autoridades venezuelanas.

Após o sequestro, o corpo de Ojeda foi encontrado nove dias depois, enterrado em uma mala concreta sob mais de um metro e meio de cimento. O cadáver estava envolto em cal virgem, indicando tentativa de acelerar o processo de decomposição.

Envolvimento de Maduro

As investigações realizadas pelas autoridades chilenas levantaram suspeitas alarmantes: há indícios de que a ordem para a execução tenha partido diretamente do regime de Maduro.

De acordo com Carolina Tohá, ministra do Interior e da Segurança Pública do Chile, depoimentos indicam que o regime teria contratado a facção criminosa Tren de Aragua, uma gangue venezuelana, para realizar o assassinato. Tohá afirmou que, embora ainda não existam provas definitivas de assassinato político, as evidências estão se acumulando.

“Está todo mundo apavorado. Ninguém mais diz onde está, como conseguiu abrigo, a que país chegou. O caso Ojeda mudou tudo para todo mundo”, relatou Zair Mundaray, ex-promotor venezuelano que fugiu da Colômbia após receber ameaças de possíveis agentes ligados a Maduro, e se refugiou em outro país não revelado por ele.

Tensão diplomática e EUA

O caso de Ojeda surge em um contexto tenso para a política internacional. O regime de Maduro negou veementemente qualquer envolvimento no assassinato, enquanto a justiça chilena segue investigando.

As acusações contra Maduro ocorrem enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sinaliza abertura para um novo diálogo com a Venezuela, inclusive com discussões sobre possível troca de prisioneiros, o que inclui membros da Tren de Aragua.

Esse cenário levanta preocupações sobre o tratamento de dissidentes venezuelanos e suas famílias, principalmente em países como os Estados Unidos, que têm visto um aumento significativo no número de refugiados venezuelanos.

Relações diplomáticas com Chile

O assassinato de Ojeda não é um caso isolado. A Venezuela tem sido acusada de perseguir dissidentes, tanto dentro de suas fronteiras quanto no exterior, com o apoio de gangues criminosas e agentes de inteligência.

O presidente do Chile, Gabriel Boric, já advertiu que, se confirmada a responsabilidade do regime de Maduro no caso, isso representaria uma grave violação da soberania chilena e dos direitos humanos.

As investigações ainda estão em andamento, mas a morte de Ojeda já deixou uma marca indelével no exílio venezuelano e acendeu um alerta sobre os métodos cada vez mais violentos empregados pelo regime de Maduro.