Argentina proíbe transição de gênero para menores e rompe com a OMS

Decisão do governo Milei inclui mudanças em regras penitenciárias para pessoas trans.

Por Redação Epoch Times Brasil
06/02/2025 13:17 Atualizado: 06/02/2025 13:17

O governo da Argentina, liderado por Javier Milei, anunciou na quarta-feira (5) a proibição de tratamentos e cirurgias para transição de gênero em menores de idade. A medida foi descrita como uma resposta à “ideologia de gênero levada ao extremo e aplicada em crianças por força ou coerção psicológica”, sendo classificada como “abuso infantil”.

Segundo o comunicado, “crianças não possuem maturidade cognitiva para decidir sobre processos irreversíveis que muitas vezes implicam mutilação de órgãos saudáveis, podendo causar infertilidade, problemas cardiovasculares e danos mentais graves”.

A proibição de tratamentos hormonais e cirurgias de redesignação para menores alinha a Argentina a países como Reino Unido, Suécia e Finlândia, que “dão marcha atrás, proibindo que menores possam se submeter a esses processos”.

Regras para detenções trans

O comunicado detalhou mudanças no sistema penitenciário, determinando que “o alojamento de detentos seguirá o sexo registrado no momento do fato delitivo”, prevenindo que “alguém use a mudança de gênero como justificativa para transferência de prisão”.

Foi estabelecido que “nenhum homem que tenha retificado o gênero antes de cometer um crime será enviado a cárceres femininos se condenado por crimes sexuais, tráfico de pessoas ou violência contra mulheres”.

Alinhamento com medidas dos EUA

A decisão de Milei reflete proximidade com as políticas de Donald Trump nos Estados Unidos.

Em 28 de janeiro, Trump assinou uma ordem que restringe transições de gênero para menores, cortando o financiamento federal para procedimentos de afirmação de gênero para indivíduos com menos de 19 anos.

A ordem de Trump bloqueia intervenções químicas e cirúrgicas em crianças para alterar sexo ou gênero. “Consequentemente, é política dos EUA não financiar ou apoiar a chamada ‘transição’ de uma criança”, afirma o texto.

Diretrizes internacionais não recomendam intervenções antes da puberdade. Segundo a Academia Americana de Pediatria, o cuidado de afirmação de gênero é um tratamento apropriado baseado em estudos que demonstram sua eficácia.

A ordem também orienta a retirada de políticas baseadas na World Professional Association for Transgender Health, uma organização global que estabelece diretrizes para o atendimento médico, psicológico e social de pessoas transgênero.

Argentina deixa a OMS

No mesmo dia, Milei oficializou a saída da Argentina da Organização Mundial da Saúde (OMS).

O comunicado oficial afirmou que a OMS “falhou em sua maior prova de fogo” durante a pandemia de COVID-19, promovendo “quarentenas eternas sem sustentação científica”. O texto também destacou que essas medidas resultaram em “uma das maiores catástrofes econômicas da história mundial” e que “o modelo de quarentena poderia ser catalogado como um delito de lesa humanidade”.

Segundo o governo, a OMS apoiou “um governo que deixou os filhos fora da escola, levou comércios e pequenas empresas à falência e, mesmo assim, nos custou 130.000 vidas”. A presidência afirmou que as “receitas da OMS não funcionam porque são fruto de influência política, não de ciência”.

O governo de Milei defende que é urgente repensar “para quê existem organismos supranacionais financiados por todos, que não cumprem seus objetivos e se dedicam a impor-se sobre os países membros”.

O cronograma para implementar as novas regras, incluindo as penitenciárias, ainda não foi anunciado.