3 pontos para entender nova tarifa dos EUA contra quem negocia com a Venezuela

Crime organizado, alianças autoritárias e não reconhecimento de eleições: três pontos para entender a tarifa de 25% imposta por Trump à Venezuela.

Por Redação Epoch Times Brasil
25/03/2025 17:22 Atualizado: 25/03/2025 18:09

O chavista Nicolás Maduro, líder contestado da Venezuela, sofreu um novo revés em suas relações comerciais. Os Estados Unidos, liderado por Donald Trump, agora não irão apenas sancionar o regime de Maduro, mas qualquer país que venha comprar gasolina, petróleo ou gás venezuelano com tarifas de 25% sobre importações.

“O presidente Donald J. Trump anunciou hoje [24 de março] que os Estado Unidos da América imporão o que é conhecido como uma Tarifa Secundária sobre o país da Venezuela”, escreveu Trump na sua rede social Truth Social.

A justificativa para tal taxação, de acordo com a mesma postagem, seria “inúmeras razões”, pontuando o fato da Venezuela “enviar propositalmente” e de “maneira mal-intencionada” dezenas de milhares de criminosos de extrema violência. 

Segundo Trump, os EUA já estavam cuidando de deportá-los novamente para a Venezuela. “É uma grande tarefa!”, afirmou. Parte desses criminosos, pertencem à facção Tren de Aragua, que recebeu a designação de “Organização Terrorista Estrangeira”.

O presidente também acusou Maduro de ser “muito hostil aos Estados Unidos e às liberdades que defendemos”.

Quem é Tren de Aragua

O Tren de Aragua é uma organização criminosa surgida em 2005 na prisão de Tocorón, no estado de Aragua. Inicialmente formada como um grupo local, expandiu rapidamente suas atividades criminosas para tráfico de drogas, extorsão, sequestros, exploração sexual e tráfico humano, transformando-se em uma das facções criminosas mais violentas e perigosas da América Latina.

Liderado por Héctor Rusthenford Guerrero Flores, conhecido como “Niño Guerrero”, o Tren de Aragua tem uma estrutura hierárquica rígida e opera com estratégias semelhantes às grandes gangues internacionais. Seu poder se espalhou para diversos países latino-americanos, incluindo Colômbia, Chile, Peru, Brasil e Equador, onde protagonizam disputas violentas por territórios e rotas do crime organizado.

Recompensa de Hector Rusthenford Guerrero Flores, líder da organização criminosa, Tren de Aragua (Captura de tela do Departamento de Estado dos EUA)

Nos últimos anos, o grupo começou a explorar as rotas migratórias como meio de expansão. A crise migratória venezuelana, que levou milhões de pessoas a deixar o país em busca de melhores condições de vida, facilitou que membros do Tren de Aragua se infiltrassem entre imigrantes rumo à América Central e, eventualmente, aos Estados Unidos.

No dia 21 de março, o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos confirmou 68 prisões em uma semana de membros identificados do grupo após ingressarem ilegalmente no país. Em menos de 100 dias, já foram presos 394 membros da facção.

Alianças com ditaduras e regimes autoritários

O governo venezuelano tem fortalecido alianças estratégicas com regimes autoritários como Irã, China, Coreia do Norte, Rússia e Cuba. Essas parcerias se baseiam em interesses econômicos, ideológicos e militares, além da intenção de contrabalançar a influência dos Estados Unidos.

Com o Irã, a Venezuela mantém uma “amizade indestrutível”, segundo Maduro. Os dois países firmaram acordos no setor energético, incluindo cooperação na exploração e refino de petróleo. Teerã também fornece apoio técnico e militar para ajudar Caracas a enfrentar as sanções americanas.

Soldados da Rússia, do Irã, da China e da Coreia do Norte posam para uma foto antes de uma exibição durante a exposição de flores “Kimjongilia”, que celebra o falecido líder Kim Jong Il, em Pyongyang, em 14 de fevereiro de 2019 (O crédito da foto deve ser lido como ED JONES/AFP via Getty Images)

A China é um dos maiores parceiros econômicos da Venezuela, especialmente após a crise financeira do país. Pequim investiu bilhões em infraestrutura, telecomunicações e petróleo, garantindo acesso privilegiado às reservas venezuelanas e apoio diplomático mútuo.

A relação com a Coreia do Norte é menos transparente. Os dois países realizaram intercâmbios frequentes na última década, com foco em cooperação na área de inteligência, segurança interna e comunicação.

A aliança entre Venezuela e Rússia se consolidou nos últimos anos, especialmente após o isolamento diplomático de Maduro. Moscou fornece apoio militar, assistência técnica, armas e investimentos estratégicos, além de vetar iniciativas contra o regime na ONU.

Cuba permanece como o principal aliado ideológico da Venezuela na América Latina. A influência cubana é forte nas áreas militar e de inteligência, assessorando diretamente o governo venezuelano. O país também recebe milhares de médicos cubanos em troca de petróleo subsidiado, fortalecendo a relação entre os regimes.

Questionamentos sobre eleições venezuelanas

O governo dos Estados Unidos não reconhece as últimas eleições presidenciais da Venezuela, alegando fraude eleitoral e manipulação dos resultados para favorecer Nicolás Maduro. Autoridades norte-americanas afirmam que o processo foi marcado por irregularidades, intimidação de opositores e ausência de observadores internacionais confiáveis.

A oposição venezuelana apresentou provas documentais e testemunhais que sustentam a acusação de fraude. Entre as evidências apontadas estão votos manipulados, exclusão arbitrária de candidatos e uso de recursos públicos na campanha de Maduro.

Juan Guaidó, reconhecido pelos Estados Unidos e mais de 50 países como presidente interino em 2019, tem sido uma das vozes mais ativas contra Maduro. Ele assumiu a presidência interina da Assembleia Nacional e liderou uma campanha internacional denunciando o regime.

Guaidó tentou mobilizar apoio externo para pressionar Maduro a convocar novas eleições livres, mas enfrentou forte repressão. Atualmente, está exilado nos Estados Unidos.

María Corina Machado, líder do movimento Vente Venezuela, é outra figura central da oposição. Conhecida por seu discurso firme contra o chavismo, foi impedida de disputar a última eleição por alegadas irregularidades administrativas.

A líder da oposição venezuelana María Corina Machado (à esquerda) abraça o candidato presidencial venezuelano Edmundo González Urrutia em um comício de apoio em Caracas (EFE/ Ronald Peña R.)
A líder da oposição venezuelana María Corina Machado (à esquerda) abraça o candidato presidencial venezuelano Edmundo González Urrutia em um comício de apoio em Caracas (EFE/ Ronald Peña R.)

Machado denuncia que as eleições foram “completamente fraudulentas”, acusando manipulação eletrônica e uso das instituições eleitorais para barrar opositores. Sua exclusão reforçou as denúncias internacionais contra Maduro.

Edmundo González, ex-embaixador da Venezuela na Argentina e, segundo a oposição, vencedor das eleições de 2024, também contesta o resultado oficial.

González usa sua experiência diplomática para pressionar organismos internacionais, como a OEA, a investigarem e rejeitarem os resultados apresentados pelo regime.

No início de 2025, realizou uma turnê por países da América, incluindo os EUA, buscando apoio para a democracia na Venezuela.

Apesar da pressão de Guaidó, Machado e González, Maduro segue no poder, amparado por alianças com regimes autoritários, que o ajudam a contornar sanções e críticas.

Os EUA mantêm a posição de não reconhecer Maduro, enquanto a oposição segue denunciando a ilegitimidade do regime e exigindo eleições sob supervisão internacional.