Uma operação de influência ligada à China usou mais de 600 contas do Facebook e Instagram para espalhar desinformação sobre a COVID-19, de acordo com um relatório acusatório publicado pela Meta, na quarta-feira.
Meta, a empresa-mãe do Facebook e Instagram, afirmou que em novembro havia removido centenas de contas de plataformas de mídia social que estavam trabalhando para promover falsas alegações, incluindo que os Estados Unidos pressionaram cientistas a culpar a China pelo vírus do PCC (Partido Comunista Chinês).
De acordo com o relatório acusatório, a operação de influência começou em julho, quando um indivíduo se passando por um biólogo suíço, chamado Wilson Edwards, afirmou no Facebook e no Twitter que os Estados Unidos estavam pressionando os cientistas da Organização Mundial da Saúde (OMS) que estudam as origens da COVID -19, em uma tentativa de responsabilizar a China pelo vírus.
Supostamente o indivíduo realizou a operação dirigindo-se ao público que já estava focado na OMS, postando respostas às postagens oficiais da OMS nas redes sociais, incluindo aquelas do Escritório da OMS para a Região do Pacífico Ocidental, a conta principal da OMS, o Diretor-Geral da OMS e outros.
Essa afirmação foi rapidamente ecoada e ampliada pela mídia estatal da China, como o Global Times e o People’s Daily, os quais publicaram artigos alegando “intimidação” dos Estados Unidos, de acordo com a Meta.
Após um mês, a Embaixada da Suíça em Pequim verificou que esse indivíduo não existia e a conta foi removida do Facebook como falsa.
“Se ele existir, gostaríamos de conhecê-lo!”, escreveu na época a embaixada da Suíça em Pequim, no Twitter.
“Na verdade, funcionou como uma sala de espelhos na Internet, refletindo incessantemente a pessoa falsa em sua origem e sua desinformação anti-americana”, afirmou Ben Nimmo, que lidera as investigações de desinformação na Meta, em Menlo Park, com sede na Califórnia, de acordo com a Associated Press.
A operação da Meta reuniu várias centenas de contas não autênticas e algumas contas autênticas, incluindo algumas pertencentes a funcionários de empresas estatais chinesas de infraestrutura e uma empresa de tecnologia chinesa com sede em Chengdu, declarou a empresa.
A operação também descobriu que vários funcionários do regime comunista chinês começaram a interagir com o conteúdo menos de uma hora após sua publicação inicial e, após algumas horas, “grupos de amplificação começaram a clicar em ‘gostei’ e a compartilhá-lo”.
“É a primeira vez que observamos uma operação que inclui um agrupamento coordenado de servidores públicos ser ampliada dessa forma”, indica o relatório.
No total, a Meta excluiu cerca de 600 contas no Facebook e Instagram que estavam vinculadas à rede, afirmou Nimmo em uma conversa com repórteres na quarta-feira, que abordou a resposta da empresa a várias redes de desinformação ao redor do mundo.
Meta relata que também removeu outra rede ligada a um “movimento antivacinação” chamado V_V, que tinha como alvo e perseguia profissionais médicos, jornalistas e autoridades eleitas na Itália e na França.
Entre para nosso canal do Telegram
Assista também:



