Células do cérebro amadurecem mais rápido no espaço, apontam cientistas

Por Redação Epoch Times Brasil
19/12/2024 11:54 Atualizado: 19/12/2024 11:54

Pesquisas sobre os efeitos das viagens espaciais no corpo humano têm revelado impactos significativos em diversos sistemas, como imunológico, muscular e ósseo. No entanto, pouco se sabe sobre as consequências da microgravidade no cérebro. Um artigo sobre o estudo foi publicado na revista Stem Cells Translational Medicine.

Com o objetivo de investigar como as células cerebrais reagem a esse ambiente, cientistas da Scripps Research, em parceria com a Fundação de Células-Tronco de Nova York, enviaram organoides para a Estação Espacial Internacional (ISS), obtendo resultados surpreendentes.

Os organoides são estruturas tridimensionais criadas em laboratório que imitam o funcionamento do cérebro humano.

Durante o experimento, pequenos aglomerados de células-tronco foram enviados ao espaço, onde permaneceram por um mês.

Ao retornarem, os cientistas notaram que, apesar de estarem saudáveis, as células amadureceram mais rapidamente do que aquelas cultivadas na Terra. Elas apresentaram características mais próximas de neurônios adultos e começaram a exibir sinais de especialização.

A experiência pode trazer novas perspectivas sobre como a microgravidade impacta o sistema nervoso humano. Jeanne Loring, Ph.D., professora emérita da Scripps e coautora do estudo, destacou a importância da descoberta.

“O fato de essas células terem sobrevivido no espaço foi uma grande surpresa. Isso abre caminho para futuros experimentos em que podemos estudar outras partes do cérebro afetadas por doenças neurodegenerativas”, explicou Loring.

Experimentos com inflamação e estresse

Os cientistas utilizaram diferentes tipos de neurônios nos organoides, incluindo os corticais e dopaminérgicos, envolvidos em condições como esclerose múltipla e Parkinson. Alguns organoides também continham microglia — células imunológicas do cérebro — para observar os efeitos da microgravidade na inflamação cerebral.

Outro aspecto surpreendente foi a observação de que os organoides cultivados no espaço apresentaram menos inflamação e menor expressão de genes relacionados ao estresse, sugerindo que o ambiente de microgravidade pode ter um efeito calmante nas células cerebrais.

O estudo abre novas possibilidades para entender melhor como o cérebro responde ao estresse e à inflamação, além de imitar as condições internas do próprio cérebro humano.

Embora os organoides tenham amadurecido, os cientistas enfatizam que isso não significa que as células envelheceram. A pesquisa ainda não revela informações sobre o envelhecimento celular, mas indica que a microgravidade pode acelerar o desenvolvimento das células cerebrais.

Na próxima fase do estudo, os pesquisadores planejam investigar o impacto da microgravidade no cérebro de pessoas com Alzheimer, com o objetivo de entender como o ambiente espacial pode influenciar doenças neurodegenerativas.