PF investiga desvio de recursos da saúde e mira presidente do PSDB 

Operação apura suposto esquema de corrupção entre 2012 e 2018; Perillo nega irregularidades e fala em perseguição política.

Por Redação Epoch Times Brasil
07/02/2025 13:24 Atualizado: 07/02/2025 13:24

A Polícia Federal deflagrou, na quinta-feira (6), uma operação para investigar um esquema de desvio de recursos públicos destinados à saúde no estado de Goiás. Entre os alvos da ação está o ex-governador e atual presidente nacional do PSDB, Marconi Perillo.

A investigação aponta indícios de corrupção em contratos firmados entre 2012 e 2018, período em que Perillo esteve à frente do governo estadual.

A operação, conduzida em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU), cumpriu 11 mandados de busca e apreensão, sendo 10 deles em Goiânia e um no Distrito Federal. Além disso, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 28 milhões em bens do ex-governador e de outros investigados. As ordens foram expedidas pela 11ª Vara Federal do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), com sede na capital goiana.

As investigações apontam que uma organização social teria sido utilizada como fachada para a subcontratação de empresas ligadas a políticos e gestores públicos. A prática teria permitido que valores pagos pelo governo voltassem para os responsáveis pelas contratações.

Diante dessas suspeitas, os envolvidos podem ser enquadrados por crimes como peculato, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa, cujas penas somadas podem ultrapassar 40 anos de prisão.

Perillo nega acusações e fala em perseguição política

Diante da operação da PF, Marconi Perillo divulgou uma nota oficial na qual negou qualquer irregularidade e atribuiu a ação a uma “perseguição política” promovida pelo atual governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil).

O ex-governador afirmou que “já fui vítima de outras armações e ‘operações’ encomendadas” e disse que a ação policial seria uma tentativa de silenciá-lo.

Perillo criticou a inclusão de seu nome na investigação e questionou o momento em que a operação foi realizada, ressaltando que “estão criando uma cortina de fumaça para não irem atrás de minhas denúncias e investigarem quem deveria ser investigado hoje em Goiás”.

O presidente do PSDB ainda alegou que “não tem um único centavo em minhas contas e de minha família que não seja oriundo do meu trabalho e declarado no Imposto de Renda”, reforçando sua defesa de que não há provas contra ele.

“Não se iluda Caiado. Você não vai me calar! A hora daqueles que me perseguem vai chegar”, alertou Perillo.

Governo de Goiás rebate acusações

O governo de Goiás respondeu às declarações de Marconi Perillo e classificou sua manifestação como uma tentativa de desviar o foco das investigações.

A equipe do governador ressaltou que a investigação foi conduzida por órgãos independentes e que Perillo não apresentou justificativas concretas sobre as acusações. “Em 1.613 caracteres, Marconi não consegue dar a mínima explicação para as denúncias investigadas pela Controladoria-Geral da União (CGU) e pela Polícia Federal”, afirmou a nota do governo.

Além disso, a resposta do Palácio das Esmeraldas reforçou que Caiado não pretende rebater diretamente as alegações do presidente do PSDB. “O governador Ronaldo Caiado não vai responder ao investigado. Ele é quem deve explicações à Justiça”, concluiu o comunicado.