Famílias de baixa renda foram as que mais sofreram com inflação em 2024, aponta Ipea

Enquanto inflação anual atingiu 5,02% para rendas mais baixas, alta renda registrou menor impacto, com 4,4%.

Por Redação Epoch Times Brasil
17/01/2025 09:20 Atualizado: 17/01/2025 09:20

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou nesta quinta-feira (16) a inflação por faixa de renda, apontando aceleração da inflação para quase todas as classes de renda em dezembro de 2024. A única exceção foi a renda alta, que recuou.

A análise detalha os impactos distintos da inflação entre os diferentes grupos de renda e identifica os principais fatores que contribuíram para o comportamento dos preços no período.

A inflação das famílias de renda muito baixa subiu de 0,26% em novembro para 0,48% em dezembro, enquanto o segmento de renda alta registrou desaceleração, passando de 0,64% para 0,55%

Para as cinco classes de renda mais baixas, o aumento dos preços foi influenciado pela menor queda nas tarifas de energia elétrica e pela retomada de aumento de preços em produtos farmacêuticos e de higiene pessoal. Já para a renda alta, o alívio inflacionário foi impulsionado por reajustes menores em passagens aéreas e recreações, como parques, teatros e cinemas.

No acumulado de 2024, as famílias de renda baixa enfrentaram a maior alta inflacionária, com variação de 5,0%, acima do IPCA (4,83%). A faixa de renda alta apresentou a menor inflação acumulada, de 4,4%.

Principais contribuições inflacionárias por grupo

Os grupos de alimentos e bebidas e transportes foram os principais responsáveis pela alta da inflação em dezembro. No grupo de alimentos, embora tenha havido deflações em cereais (-0,98%), tubérculos (-7,2%) e leite e derivados (-0,63%), outros itens essenciais apresentaram aumentos, como carnes (5,3%), aves e ovos (2,2%), óleo de soja (5,1%) e café (5,0%). 

Esses reajustes impactaram de forma mais significativa as famílias de renda mais baixa, que destinam maior parte de sua renda ao consumo desses itens.

No grupo de transportes, a alta dos combustíveis (0,70%) e os reajustes das passagens de trem e ônibus interestadual (ambos com 3,8%) pressionaram as rendas mais baixas. O aumento no transporte por aplicativo (20,7%) e nas passagens aéreas (4,5%) impactou com maior intensidade as famílias de maior poder aquisitivo.

Por outro lado, o grupo habitação trouxe algum alívio inflacionário em dezembro, refletindo a queda de 3,2% nas tarifas de energia elétrica.