De acordo com dados divulgados pelo Banco Central nesta sexta-feira (31), o saldo ficou negativo em R$ 8,07 bilhões, o pior resultado desde o início da série histórica, em 2001.
Esse número representa um aumento expressivo de 255,8% em comparação a 2023, quando o déficit foi de R$ 2,27 bilhões.
Divergência de dados entre o BC e o governo
Os números apresentados pelo Banco Central contrastam com os divulgados pelo governo federal.
De acordo com o Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos (MGI), o déficit das estatais foi de R$ 4,04 bilhões em 2024.
A discrepância se deve à metodologia adotada pelo BC, que considera os investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e os resultados da Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBPar), enquanto os cálculos do governo excluem esses elementos.
Peso das estatais federais no resultado
As estatais federais foram as principais responsáveis pelo déficit, com um saldo negativo de R$ 6,73 bilhões, um aumento considerável em relação aos R$ 656 milhões registrados no ano anterior.
Desde o início do atual governo, as perdas acumuladas pelas estatais chegam a R$ 10,3 bilhões, sendo R$ 7,39 bilhões provenientes das empresas controladas pela União.
Defesa do governo
O MGI defende que o resultado reflete investimentos feitos e não um desequilíbrio financeiro.
De acordo com o ministério, os investimentos das estatais federais cresceram 44,1% em 2024, totalizando R$ 96,18 bilhões, e foram destinados à expansão e modernização das empresas.
Limites da LDO e os impactos econômicos
Outro aspecto relevante é que o déficit de R$ 8,07 bilhões ultrapassou o limite estabelecido na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2024, que fixava um teto de R$ 7,3 bilhões.
Contudo, a legislação permite excluir os investimentos do PAC, da ENBPar e da Petrobras, o que pode alterar a avaliação do saldo final.



