Crescimento do emprego maquia fragilidade da economia com produtividade em declínio generalizado

Expansão de pequenos negócios mascara baixa produtividade industrial e riscos de instabilidade em meio a juros altos e crescimento persistente da inflação.

Por Redação Epoch Times Brasil
16/01/2025 10:56 Atualizado: 16/01/2025 10:56

Apesar do crescimento na geração de empregos em 2024, a produção industrial brasileira continua em declínio, o que evidencia um descompasso preocupante na economia.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)  mostram que, em novembro de 2024, a produção industrial recuou 0,6% em relação a outubro, nove das 15 regiões analisadas registraram queda. Esse declínio segue outras retrações na produção brasileira. 

Enquanto a indústria perde força, o mercado de trabalho segue em expansão. Informações do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) sobre novembro de 2024 apontam que a população ocupada cresceu 2,9% em novembro na comparação anual, atingindo 103,7 milhões de pessoas.

Grande parte das vagas geradas no ano passado veio de pequenos negócios, que se consolidaram como o principal motor do mercado de trabalho. De acordo com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), 96% dos empregos formais criados em novembro foram resultado de micro e pequenas empresas.

Além disso, o Brasil registrou um recorde histórico na abertura de pequenos negócios, com mais de 4,15 milhões de empresas desse porte inauguradas ao longo do ano.

Essa alta na ocupação, entretanto, não tem sido suficiente para impulsionar a produtividade ou evitar o encolhimento da economia, sustentada por gastos governamentais.

Emprego serve à demanda, mas não à produção

O descompasso entre aumento de empregos e a queda da produção ameaça a sustentabilidade da economia. Com mais pessoas empregadas, a demanda por bens e serviços cresce, mas, com a produção industrial não acompanhando esse ritmo, resulta em um cenário de pressões inflacionárias e dependência de importações.

Essa desconexão reflete uma série de fatores estruturais, incluindo baixa modernização tecnológica e custos elevados de produção no mercado interno.

Além disso, a inflação persistente e as taxas de juros altas – atualmente em 12,25% – têm dificultado os investimentos produtivos, tornando o cenário ainda mais desafiador.

“Efeito elástico”

O aumento no emprego, embora positivo, ocorre de maneira artificial. Pequenos negócios enfrentam desafios como juros elevados, dificuldades de acesso ao crédito e altos custos operacionais. Sem uma base sólida, muitas dessas empresas são incapazes de se manter ativas por muito tempo, isso contribui para o aumento de pedidos de recuperação judicial e gerando desemprego.

O ano de 2024 foi marcado por um recorde histórico de pedidos de recuperação judicial. Até outubro, 1.927 empresas recorreram ao mecanismo, superando o pico anterior de 1.863 solicitações em 2016. A expectativa é que o total ultrapasse 2.200 até o fim de 2025.

Entre os setores mais afetados está o agronegócio, onde pequenos produtores enfrentaram juros altos, inadimplência crescente e custos elevados devido à desvalorização cambial. O dólar, que atingiu R$ 6,27 no final de 2024, aumentou os preços de insumos e impactou negativamente as margens de lucro.

Esse cenário evidencia que o crescimento no número de pequenas empresas, embora positivo, não é sustentável em um ambiente econômico tão adverso. Muitos negócios encerram suas atividades pouco após serem inaugurados, contribuindo para o ciclo de instabilidade.

A política monetária restritiva, com a taxa Selic em 12,25%, visa conter a inflação e estabilizar o câmbio, mas tem como efeito colateral o aumento do custo do crédito. Isso dificulta investimentos, principalmente para pequenas empresas.

Paralelamente, o dólar em alta pressiona ainda mais o setor produtivo, aumentando os custos de importação e dificultando a competitividade da indústria brasileira.