Brasil fecha 2024 com déficit externo recorde comparado aos últimos 5 anos

Queda no superávit comercial, aumento nas despesas com serviços externos e redução das reservas internacionais marcaram o cenário econômico, elevando o déficit a 2,55% do PIB.

Por Matheus de Andrade
24/01/2025 13:49 Atualizado: 24/01/2025 13:49

Em 2024, o Brasil registrou o maior déficit em transações correntes dos últimos cinco anos, somando US$ 56,0 bilhões, ou 2,55% do PIB, conforme divulgado pelo Banco Central na sexta-feira (24).

O aumento substancial do déficit em relação a 2023, quando o saldo negativo foi de US$ 24,5 bilhões (1,12% do PIB), reflete a combinação de fatores como a queda no superávit da balança comercial e o aumento dos déficits em serviços e renda primária.

Embora superavitária, a balança comercial apresentou queda de 28,2%, com um saldo de US$ 66,2 bilhões em 2024. Exportações somaram US$ 339,8 bilhões (queda de 1,2%), e importações, US$ 273,6 bilhões (alta de 8,8%).

Esse índice reflete o desempenho das exportações e importações, que impacta diretamente a entrada de divisas no país. Uma queda no superávit pode pressionar o câmbio, tornando importações mais caras e aumentando a inflação.

O déficit em serviços cresceu 24,7%, alcançando US$ 49,7 bilhões, devido a maiores despesas líquidas com propriedade intelectual (+US$ 3,2 bilhões), transportes (+US$ 2,4 bilhões), telecomunicação (+US$ 1,5 bilhão) e aluguel de equipamentos (+US$ 1,4 bilhão).

Esses custos refletem o aumento da dependência de serviços externos e podem encarecer produtos finais para a população, além de reduzir a competitividade das empresas brasileiras no mercado global. Por outro lado, a receita líquida de outros serviços de negócio apresentou um recuo de US$ 1,7 bilhão.

Já o déficit em renda primária diminuiu 5,1%, totalizando US$ 75,4 bilhões em 2024, contra US$ 79,5 bilhões em 2023. As despesas líquidas com lucros e dividendos relacionados a investimentos diretos e em carteira somaram US$ 45,6 bilhões, 8,9% abaixo do registrado no ano anterior.

Entretanto, as despesas com juros aumentaram 1,9%, alcançando US$ 30,3 bilhões. Este índice reflete a saída de recursos devido a pagamentos de juros, lucros e dividendos a investidores estrangeiros, o que reduz a disponibilidade de capital para investimentos internos.

Os investimentos diretos no país (IDP) totalizaram US$ 71,1 bilhões, o que equivale a 3,24% do PIB e representa um crescimento de 13,8% em relação a 2023. Esse aumento foi impulsionado por um incremento de 57% nos reinvestimentos de lucros e por uma alta de 14,6% em operações intercompanhia.

Já os investimentos em carteira tiveram saídas líquidas de US$ 4,3 bilhões, resultado de retiradas em ações e fundos de investimento, parcialmente compensadas por entradas em títulos do governo, aumentando a dívida pública.

As reservas internacionais do país somaram US$ 329,7 bilhões em dezembro de 2024, registrando uma redução de US$ 33,3 bilhões em comparação ao mês anterior. Essa queda foi atribuída à liquidação de vendas à vista, à concessão de linhas com recompra e às variações de preços e paridades.

A diminuição nas reservas reduz a capacidade do país de enfrentar choques externos, o que pode impactar a estabilidade do câmbio e elevar a percepção de risco pelos investidores.