Matéria traduzida e adaptada do inglês, publicada pela matriz americana do Epoch Times.
Aninhado no canto oeste do estado, longe dos movimentados subúrbios do leste, o Condado de Hunterdon é um vislumbre moderno da Nova Jersey do passado. Muitas fazendas pontilham essa paisagem pastoral. Mas entre os 5.500 alqueires de terras agrícolas preservadas do condado, há uma fazenda que se destaca.
Enormes hortênsias e arbustos ornamentais ladeiam a entrada da casa da era de 1775. O pequeno riacho que atravessa a propriedade é ladeado por bordos prateados que são aproveitados para a produção de xarope no inverno. Azevinho, castanheiro, nogueira preta e carvalho criam um dossel imponente. Macieiras e pereiras centenárias, que não dão mais frutos, são um lembrete da história da propriedade. Os jardins não são plantados em fileiras, mas sim entrelaçados na paisagem florestal. Cenouras, tomates, pimentões e verduras crescem ao lado de flores, ervas, morangos e figueiras.
Nos campos verdes e verdejantes, ovelhas seguem cavalos de tração, galinhas d’angola caçam carrapatos e patos e gansos devoram lesmas e caracóis. Polinizadores nativos zumbem em torno de canteiros de flores perenes. Trilhas para cavalos serpenteiam pela floresta e lagos oferecem refúgios para sapos, salamandras e cobras.
Essa é a Axe and Root Homestead, e é o ecossistema próspero a partir do qual Angela Ferraro-Fanning pinta seu paraíso de permacultura.

Nobres intenções, local errado
Ferraro-Fanning sempre teve um olho para o belo. Formada em artes na faculdade, ela ansiava pelas viagens de arte que a levavam de ônibus de Wisconsin a Nova Iorque.
“Minha personalidade estava mais alinhada com a Costa Leste do que com o Meio-Oeste. A agricultura não estava em meu radar”, disse ela.
Depois de se formar em 2004, Ferraro-Fanning e seu marido, Shawn, mudaram-se para Nova Jersey e constituíram família. Eles se estabeleceram em um terreno de três quartos de acre nos subúrbios do leste. Uma eterna amante da jardinagem ornamental, Ferraro-Fanning plantou canteiros de flores perenes e anuais, bem como uma pequena horta em seu quintal compacto.
Mais ou menos na mesma época, ela começou um negócio bem-sucedido de design gráfico que fez bom uso de seu diploma de arte e proporcionou uma renda estável. O único problema? Isso a mantinha presa à sua mesa.
“Eu odiava ficar atrás de um computador. Comecei a cancelar reuniões para poder sair e trabalhar em meu jardim”, disse ela. Ela se sentia cada vez mais insatisfeita e se consolava com suas flores e hortaliças.
“Passei por uma grande mudança de identidade”, disse ela. “Pensei: ‘Como posso equilibrar prazos, cuidar do meu bebê e sair mais com meu filho?
Então, ela teve uma ideia: “E se eu trocasse meu salário por [cultivar] o máximo possível de alimentos orgânicos?”, pensou. “Isso se transformou em uma bola de neve que levou a toda essa mudança de estilo de vida”.

Ferraro-Fanning logo achou esse novo estilo de vida viciante. Ela substituiu suas plantas ornamentais por plantas comestíveis e adquiriu patos para obter ovos. Como vegetariana, ela se concentrou nos vegetais que podia cultivar em seu pequeno terreno. Em 2013, ela fechou sua empresa de design e se dedicou em tempo integral ao cultivo de seus próprios alimentos. Ela se sentiu satisfeita com o trabalho.
“Então o Papai Noel trouxe cabras para o Natal e a cidade achou que não era mais uma boa opção”, disse ela.
Graças a várias leis de zoneamento e reclamações dos vizinhos, a família teve que se livrar das cabras. Mas isso não foi suficiente.
“Lembro-me do cara do zoneamento dizendo: ‘O que vocês estão tentando fazer é muito nobre, mas vocês simplesmente não estão no local certo para isso’”, disse Ferraro-Fanning.
Em 2016, eles fizeram as malas, venderam a casa e foram para o oeste, para um antigo terreno de 1 alqueire na zona rural do condado de Hunterdon, Nova Jersey.


Colocando um nome em sua prática
A propriedade histórica teve seu quinhão de desafios. O solo era de argila dura, e os únicos animais que viviam ali eram ratos.
Ferraro-Fanning introduziu culturas de cobertura e gado para começar a melhorar a terra. Ela começou novamente com patos para a produção de ovos, mas, dessa vez, teve uma nova ideia.
“Fiquei realmente intrigada com a ideia de que eu poderia fazer com que os patos não apenas nos dessem ovos, mas também percorressem os espaços do meu jardim e comessem lesmas e caracóis”, disse ela. “Pensei: ‘Isso é muito legal! O que mais posso fazer?'”.
À medida que as culturas de cobertura começaram a produzir um solo mais macio e saudável para suas hortaliças e árvores frutíferas, e os patos passaram a controlar a população de pragas, uma teia conectada entre jardineiro, plantas e animais começou a se formar em sua mente. O que ela havia implementado eram os estágios primários da permacultura, uma prática agrícola regenerativa que imita os padrões naturais encontrados no ecossistema ao redor. É uma prática que enfatiza a biodiversidade, a resiliência, a autossuficiência e a sustentabilidade, sem prejudicar a paisagem circundante.
“Quando comecei, não sabia que isso tinha um nome. Eu simplesmente me apelidei de homesteader holístico”, disse Ferraro-Fanning. Somente depois de encontrar outros homesteaders nas redes sociais é que ela percebeu que sua intuição a havia levado a essa prática.
Ela decidiu obter um certificado de design de permacultura por meio de um curso na Cornell University, ministrado pelo instrutor Michael Burns, cofundador do Finger Lakes Permaculture Institute. Quando ela lhe mostrou os planos para sua fazenda, ele ficou surpreso. Ela queria introduzir um animal que não é comumente associado à permacultura: cavalos de tração.

Cavalos, ovelhas e patos – oh, meu Deus!
A maioria das pessoas imagina que as fazendas de cavalos são enormes campos ondulados mapeados por linhas de cercas. Seis acres arborizados podem parecer um lar improvável para um cavalo de tração – muito menos para os quatro que ela viria a ter.
“Sempre fui uma garota de cavalos. Achei que só iria adquiri-los para cavalgar”, disse Ferraro-Fanning. Mas quando combinei essa paixão com uma abordagem holística de criação em casa, pensei: “Que trabalho um cavalo poderia fazer?”.
Agora, seus quatro cavalos – oslydesdales Dozer e Nevin, o percheron Matisse e o cavalo de tração belga Odin – também atuam como seus músculos. Eles a ajudam a puxar troncos da floresta, espalhar adubo nos campos, transportar a colheita e fazer o rodízio das pastagens. As ovelhas seguem os cavalos, comendo todos os parasitas encontrados no esterco dos cavalos. Isso interrompe o ciclo do parasita e ajuda a manter os cavalos saudáveis. As ovelhas, uma mistura de Shetland e Romney, também fornecem fertilizantes ricos em nutrientes com seu próprio esterco. Sua lã é processada anualmente após a tosquia. Enquanto isso, os patos, os gansos de guarda e as galinhas d’angola trabalham arduamente para manter as lesmas, os caracóis e os carrapatos afastados. Os patos e gansos também consomem toda a forragem deixada pelas ovelhas e cavalos.
O resultado? Campos abundantemente verdes durante a primavera e o verão.
Ao ver o fruto de seus esforços, lembra Ferraro-Fanning, o antes cético Burns proclamou com orgulho: “Sim! Você está conseguindo!”.
“Essa foi toda a validação de que eu precisava”, disse ela. “Criamos esse espaço e ecossistema realmente funcionais que estão devolvendo à terra mais do que o que está sendo retirado”.


Vinhas de abóbora e árvores de cedro
Ferraro-Fanning se inspira muito em uma fazenda de permacultura chamada La Ferme du Bec-Hellouin, na Normandia, França. Os sistemas de floresta de alimentos que ela construiu em sua propriedade são diretamente inspirados nos da fazenda francesa.
A ideia de uma floresta de alimentos é simples, mas vai contra as práticas agrícolas modernas. Seu objetivo é imitar a autossuficiência de uma paisagem florestal natural, que é dividida em camadas. A primeira é a camada superior, que abriga árvores de dossel, como carvalhos e bordos. A camada seguinte inclui as árvores do meio, mais baixas e com frutos comestíveis, como macieiras e pereiras. A terceira camada abriga as plantas de sub-bosque: arbustos como sabugueiro, mirtilo ou groselha. Por último, vêm os itens do solo da floresta: flores, ervas, alfaces e outras plantas que vivem no solo. Cada planta tem várias funções, como dar frutos, incentivar os polinizadores e afastar as pragas.

“Muitas pessoas não percebem como as coisas crescem bem combinadas umas com as outras”, disse Ferraro-Fanning. Um de seus exemplos favoritos é o canteiro de abóboras de Cedar Grove. “É muito legal ver uma abóbora enorme pendurada em uma trepadeira em uma árvore de cedro”, disse ela. Embora as plantas de abóbora sejam trepadeiras, elas não causam nenhum dano às árvores de cedro. Elas simplesmente sobem até a altura que gostam e crescem mais. A altura da árvore permite que as abóboras cresçam acima do solo, evitando pragas e obtendo melhor fluxo de ar para evitar o apodrecimento. Há também o benefício do aumento do espaço e do controle. As abóboras crescem verticalmente, em vez de se espalharem por toda uma seção do quintal.
A visão é um lembrete de que as práticas que ela implementou estão realmente funcionando.
“Quando nos mudamos para cá, não tínhamos muita coisa. Se você vir a propriedade agora, temos uma tonelada de espécies de pássaros nativos, árvores perenes, insetos, borboletas, abelhas, morcegos, corujas e até águias. Nada disso estava aqui antes”, disse ela. “Sei em meu coração que isso tem uma correlação direta com a construção de um ecossistema totalmente natural e orgânico”.
5 dicas para iniciantes de Angela Ferraro-Fanning
Você não precisa de vários alqueires e cavalos de tração para começar a implementar práticas de permacultura no seu próprio jardim. Na verdade, Ferraro-Fanning se inspira em pessoas que criaram ecossistemas prósperos com espaço mínimo. E é muito mais fácil do que parece. Você pode não ver resultados imediatamente, pois a permacultura é um processo de longo prazo, mas nunca é tarde para começar.
Conheça sua zona de trabalho: Todo jardim começa com a compreensão da sua zona de cultivo, clima e tipo de solo. A permacultura deve funcionar em sintonia com o ecossistema existente. “O que funciona para mim pode não funcionar para outra pessoa. É algo extremamente específico para cada clima”, disse Ferraro-Fanning.
Plante o que você quer comer: “O objetivo de um jardim comestível é que você aproveite o que produz!”, disse Ferraro-Fanning. Dê uma olhada na sua lista de compras. Se você costuma comprar muitos tomates, acelga, batatas e cenouras, plante esses alimentos.
Plante perpétuas: Essas plantas de vida longa atraem polinizadores nativos e outros insetos benéficos. “Você estará se protegendo com coisas como louva-a-deus, que afastam insetos nocivos das suas outras plantas”, disse Ferraro-Fanning. Algumas boas opções são bálsamo de abelha (bee balm), equinácea e rosas.
Trabalhe com plantas companheiras: Um princípio fundamental da permacultura é que plantas e animais desempenham múltiplas funções no ecossistema. Ferraro-Fanning recomenda pesquisar plantas adequadas às suas condições, que sejam multifuncionais, benéficas para o solo e umas para as outras, além de esteticamente agradáveis. Tagetes (marigolds), por exemplo, são excelentes companheiras para os tomates, pois suas flores afastam pragas como nematoides. O alho ornamental (ornamental allium) desencoraja pragas maiores, como ratos, devido ao seu cheiro forte.
Não introduza animais imediatamente: Primeiro, “trabalhe com os habitantes que você já tem e que não precisa cuidar ou alimentar”, disse Ferraro-Fanning. Você não precisará de gatos de celeiro para controlar a população de roedores se já houver uma grande população de corujas nativas. Mantenha o equilíbrio existente deixando as criaturas nativas fazerem o que sempre fizeram.
Uma relação de cura
Como permacultora certificada, Ferraro-Fanning agora ensina aos outros o que aprendeu por meio de seus workshops, livros, canais de rede social e o podcast HOMESTEADucation, co-apresentado com a também homesteader Mandi Pickering.
Compartilhar os sucessos de sua jornada na permacultura enche Ferraro-Fanning de profunda alegria.
“Eu realmente sinto que minha alma está mais alinhada com o que os seres humanos deveriam estar fazendo com este planeta: curando-o, em vez de tirar dele”, disse ela. “Isso requer tempo, esforço, trabalho e paciência”. Cultivar de forma sustentável a maior parte de seus próprios alimentos proporcionou a ela mais do que o mero salário pelo qual ela achava que estava trocando isso.
“Adquiri um estilo de vida completo. Com a quantidade de trabalho que fiz para enriquecer meu solo, sei que meu alimento é mais rico em nutrientes do que o que eu poderia comprar em um supermercado”, disse ela.
“As decisões que tomei mudaram a terra sob meus pés. É um sentimento de orgulho e realização, misturado a um desejo sincero de ensinar aos outros que isso é possível. Devemos fazer parte de um ecossistema maior”.

Este artigo foi publicado originalmente na revista American Essence.



