O vaping ou vaporar – ato de inalar o aerossol de cigarros eletrônicos (vape) – tem ganhado popularidade como alternativa ao cigarro comum. No entanto, diversos estudos e órgãos de saúde apontam potenciais riscos associados a esses dispositivos.
Estudos de diversas entidades apontam a presença de substâncias potencialmente tóxicas nos dispositivos, o risco de dependência devido à nicotina e a possibilidade de danos ao sistema respiratório, entre outros fatores.
Os vapes são dispositivos alimentados por bateria que aquecem um líquido até virar vapor ou aerossol.
De acordo com a Texas Health, esse líquido costuma conter nicotina, aromatizantes e outros químicos. Diferentemente do cigarro tradicional, a fumaça pela queima do tabaco não ocorre, mas a falta de fumaça não significa ausência de compostos nocivos.
Composição química e possíveis toxinas
Segundo o Departamento de Serviços de Saúde do Estado do Texas (DSHS), o aerossol pode conter metais pesados (como níquel, chumbo ou estanho), substâncias cancerígenas, partículas ultrafinas e irritantes para as vias respiratórias.
Em alguns produtos, foram detectados aromatizantes como o diacetil, associado a uma doença pulmonar conhecida como “pulmão de pipoca”. As concentrações exatas dessas substâncias variam de acordo com a marca e o tipo de cartucho ou refil utilizado.
Muitas dessas soluções líquidas também contêm nicotina, um composto altamente viciante. A Texas Health Steps, uma clínica de tratamento no Texas, destaca que a nicotina pode ser tão viciante quanto drogas como heroína e cocaína, levando a sintomas de abstinência e prolongando o uso mesmo quando surgem problemas de saúde.
Para adolescentes e jovens, cujo cérebro está em desenvolvimento até por volta dos 25 anos, a nicotina pode ainda afetar funções como memória, aprendizado e controle de impulsos.
Além disso, alguns compostos do aerossol podem aumentar as chances de doenças cardiovasculares.
Ainda há possibilidade de irritação pulmonar e outros efeitos negativos gravíssimos ao longo do tempo, embora os riscos de longo prazo ainda não sejam totalmente compreendidos por falta de pesquisas conclusivas.
Riscos de explosões e intoxicações
Outro ponto levantado pelo DSHS são os casos de explosões envolvendo baterias defeituosas de dispositivos eletrônicos, o que pode resultar em ferimentos graves. Existe também o perigo de envenenamento acidental, tanto pela ingestão do líquido com nicotina quanto pela inalação de compostos químicos em concentrações elevadas.
Preocupação com o público jovem
De acordo com o CDC , o aumento do vaping entre adolescentes tem gerado preocupação. O uso de cigarros eletrônicos nessa faixa etária pode estar associado a maior probabilidade de experimentar cigarros convencionais no futuro.
Outro fator que contribui para a popularização do vaping entre jovens é a variedade de sabores, que inclui opções doces e frutadas, tornando os dispositivos mais atrativos.
Regulamentação e posicionamento da FDA
A U.S. Food and Drug Administration (FDA), equivalente à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) do Brasil, ressalta que não reconhece, até o momento, os cigarros eletrônicos como instrumentos aprovados para parar de fumar.
Para que um produto seja comercializado com alegações de “risco modificado”, algo substitutivo ao cigarro, o fabricante precisa apresentar evidências científicas sólidas de que sua utilização reduz efetivamente os danos quando comparado a produtos tradicionais, beneficiando a saúde tanto de usuários quanto da população em geral.
Regulamentação e posicionamento da Anvisa
No Brasil, os dispositivos eletrônicos para fumar são proibidos desde 2009. Em 2024, a Anvisa reforçou a proibição por meio da RDC n° 855, vetando a venda, importação, propaganda, armazenamento e uso em recintos fechados.
A Câmara dos Deputados ainda analisa o Projeto de Lei 2158/24, que criminaliza a fabricação, importação e comercialização de cigarros eletrônicos com pena de 1 a 3 anos de detenção. O texto também proíbe o consumo em locais de uso coletivo.
A deputada Flávia Morais (PDT-GO) defende medidas mais rígidas para alertar sobre os riscos do vaping e “incentivar as pessoas a pararem de fumar para melhorar a saúde pública”, defendeu.
Apesar de restrições, o Inquérito Telefônico Covitel 2023 indica que 4 milhões de brasileiros já usaram esses dispositivos. Conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS), o uso é maior entre jovens de 13 a 15 anos.



