Como uma jovem se manteve saudável por duas décadas após um câncer mortal

Após uma cirurgia na qual seu único ovário restante, útero e parte de seus intestinos foram removidos, Yang Ya-chuan ainda sobreviveu e prosperou.

Por Lisa Bian
23/07/2025 15:21 Atualizado: 23/07/2025 15:21
Matéria traduzida e adaptada do inglês, publicada pela matriz americana do Epoch Times.

Em 2007, aos 36 anos e apenas seis meses após o casamento, Yang Ya-chuan realizou um exame médico, pois ela e o marido estavam tentando conceber um filho. Eles receberam um diagnóstico inesperado: câncer no ovário.

Apesar da cirurgia imediata para remover o ovário afetado, um ano depois, o câncer se espalhou. Em um segundo procedimento, os cirurgiões se revezaram para remover todos os órgãos afetados.

Quando acordou, Yang soube que havia perdido o ovário restante, o útero e parte do intestino. Havia uma bolsa ao lado do umbigo, com um pedaço de intestino saindo para fora.

“Senti como se todo o meu mundo tivesse desabado”, disse Yang ao Epoch Times.

“Não sei o que fiz para merecer isso. Não sei quanto tempo me resta.

Nem mesmo os médicos podem me dizer quanto tempo vou viver”.

No momento mais devastador de sua vida, ela começou a praticar qigong, o que mudou o rumo de sua vida.

Um encontro casual

Durante sua internação de uma semana após a cirurgia, seu sofrimento continuou.

Na época, ela lutava contra o acúmulo de líquido abdominal e dores intensas devido à incisão cirúrgica, o que dificultava o sono. Ela também lutava mentalmente, sentindo-se como se fosse um monstro de Frankenstein, com tubos e pontos. Ela chorava até não conseguir falar, culpando o destino por ser injusto.

Yang contratou uma cuidadora para ajudá-la. Vendo Yang com tanta dor, a cuidadora sugeriu que ela experimentasse uma prática de qigong chamada Falun Gong, na esperança de aliviar o desconforto mental e, com sorte, físico. A cuidadora disse a Yang que isso havia melhorado significativamente sua própria saúde.

Falun Gong é uma disciplina espiritual que combina meditação com exercícios suaves e lentos, semelhantes à ioga ou ao tai chi. Também inclui ensinamentos que seguem os princípios da verdade, compaixão e tolerância. Enfatiza o desenvolvimento do caráter moral e o cultivo pessoal.

Inicialmente, Yang estava cética. Ainda assim, ela concordou em ouvir os ensinamentos gravados.

“Depois de cerca de 20 minutos ouvindo, comecei a me sentir mais à vontade e até consegui tirar um cochilo”, disse ela.

Em 2010, Yang passou pela primeira rodada de quimioterapia. O tratamento a deixou fisicamente debilitada e ela perdeu cerca de 10 quilos.

Ela continuou a terapia enquanto mantinha a prática. Depois de receber alta do hospital, ela reservou um tempo para participar de um seminário de Falun Gong de nove dias.

Após sua sexta sessão de quimioterapia, tanto sua nutricionista quanto seu médico notaram algo incomum: embora Yang tivesse perdido peso, sua massa muscular estava totalmente preservada.

Normalmente, a quimioterapia causa uma queda acentuada na contagem de glóbulos brancos, aumentando o risco de infecções e potencialmente representando sérios riscos à saúde. No entanto, os resultados dos exames de Yang mostraram consistentemente que sua contagem de glóbulos brancos permaneceu dentro da faixa saudável durante todo o tratamento — um resultado raro para pacientes em quimioterapia.

Observando a rapidez com que o corpo de Yang se recuperava após cada sessão de quimioterapia, seu médico recomendou que ela se submetesse a seis sessões adicionais como medida preventiva.

Yang informou ao médico que decidiu não prosseguir com as sessões preventivas devido ao potencial desgaste físico. Ela também compartilhou que havia experimentado melhorias significativas desde que começou a praticar Falun Gong.

Para sua surpresa, o renomado especialista em oncologia ginecológica de Taiwan, Hua-Hsi Wu, concordou com sua decisão.

“Então continue praticando Falun Gong”, disse ele.

Recuperação

Desde então, Yang se dedicou totalmente à prática mental e corporal.

Pouco depois de começar a praticar Falun Gong ao ar livre, ela experimentou uma sensação única de redemoinho nas costas, na área onde havia sido operada para remover o lipoma. O forte fluxo de energia durou mais de seis meses, disse ela.

“Toda vez que eu praticava, mesmo no frio, eu começava a suar. O cheiro do meu suor me lembrava os medicamentos da quimioterapia, os fluidos intravenosos e os desinfetantes usados durante o tratamento no hospital. Isso continuou por quase um ano”.

Um mês após concluir a quimioterapia, seu corpo voltou ao estado em que estava antes da cirurgia, disse Yang.

Praticar Falun Gong também ajudou Yang a cultivar uma visão mais positiva e pacífica da vida.

“Em vez de ressentir minha doença, aprendi a enfrentá-la com calma e aceitação. Depois de ler Zhuan Falun [o texto principal do Falun Gong], compreendi que a verdadeira saúde começa com ser uma pessoa gentil e atenciosa”, disse ela.

Sua família e amigos ficaram surpresos ao vê-la abandonar sua natureza impaciente e temperamental — até mesmo seus hábitos ao dirigir mudaram.

Por mais de uma década, ela tem vivido uma vida saudável e cheia de energia.

Em agosto passado, o Hospital Geral dos Veteranos de Taipei emitiu um atestado de saúde indicando que Yang não apresentava sintomas no momento do exame.

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Um atestado de saúde emitido pelo Hospital Geral dos Veteranos de Taipei em 20 de agosto de 2024 indicou que Yang não apresentava sintomas no momento do exame. (Cortesia de Yang Ya-chuan)

O poder da crença

Comentando sobre a notável recuperação de Yang após praticar Falun Gong, o Dr. Glynn Weldon Gilcrease, professor associado de oncologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Utah, disse ao Epoch Times que a oncologia normalmente se baseia em medidas estatísticas — como a mediana de sobrevivência — para avaliar o prognóstico.

No entanto, ele observou que alguns pacientes apresentam respostas incomuns ao tratamento que são difíceis de explicar clinicamente — e, muitas vezes, nem mesmo os próprios pacientes conseguem identificar uma razão específica.

“Acredito que ter esperança e um sentido para a vida é crucial. Quando você tem um propósito, quando entende por que está aqui, isso faz uma diferença significativa”, disse ele.

O Dr. Chih-Ying Liao, oncologista radioterapeuta do Hospital da Universidade Médica da China, em Taiwan, enfatizou a importância da crença na recuperação do câncer.

“O cérebro humano é um órgão notável, ele pode influenciar o sistema imunológico”, disse ele ao Epoch Times.

Pesquisas demonstraram que o diagnóstico de câncer costuma causar um grave impacto psicológico, com os pacientes apresentando sintomas de depressão e ansiedade em taxas duas a três vezes maiores do que a população em geral. Clinicamente, ansiedade prolongada, preocupação e distúrbios do sono são comuns entre pacientes com câncer.

“Práticas como qigong e meditação podem ajudar a estabilizar o corpo e a mente”, afirmou Liao.

“Do ponto de vista espiritual ou religioso, há evidências indiretas de que essas práticas podem melhorar a qualidade de vida, melhorar o sono e reduzir os níveis de hormônios inflamatórios. Esses efeitos, por sua vez, podem ajudar na recuperação do câncer, fortalecendo o sistema imunológico”.

Pacientes com maior estabilidade emocional também são mais propensos a cuidar da saúde física — mantendo uma alimentação mais saudável, praticando exercícios regularmente e, por fim, obtendo melhores resultados no tratamento, afirmou ele. Em alguns casos, isso pode até levar à reversão do câncer.

Nos últimos anos, o conceito de oncologia integrativa tem recebido cada vez mais atenção da comunidade médica.

Um ensaio clínico randomizado publicado em 2021 no Journal of Clinical Oncology descobriu que pacientes com câncer de mama que participaram de um programa de meditação de seis semanas apresentaram uma redução significativa dos sintomas depressivos. Elas também relataram melhorias na fadiga, insônia e sintomas vasomotores — como ondas de calor e suores noturnos — em comparação com o grupo de controle.

Um estudo observacional apresentado na reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica de 2016 indicou que a prática do Falun Gong poderia prolongar a sobrevivência de pacientes com câncer terminal e aliviar seus sintomas. No estudo, os pesquisadores observaram 152 pacientes chineses com câncer terminal, todos praticantes do Falun Gong.

Na data do relatório, 149 pacientes ainda estavam vivos e com boa saúde. Em comparação com os 5,1 meses previstos, seu período de sobrevivência foi prolongado para 56 meses. Notavelmente, a qualidade de vida dos pacientes também melhorou significativamente.

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Foto recente de Yang Ya-chuan. (Cortesia de Yang Ya-chuan)

Sobrevivendo e prosperando

Três anos após concluir a quimioterapia, Yang voltou ao mercado de trabalho.

Ela se tornou corretora de seguros de vida na Nan Shan Life, uma das três maiores seguradoras de Taiwan. Ela recebeu sete vezes o prestigioso reconhecimento Million Dollar Round Table, uma honra que a destaca como uma das melhores profissionais do setor.

Ela também tem gozado de boa saúde. Outrora uma visitante frequente de clínicas, Yang costumava resfriar-se a cada três ou quatro meses, sofria de noites sem dormir devido a uma tosse persistente e lutava contra problemas digestivos. Agora, isso não acontece mais.

“Estou ainda mais saudável do que antes do câncer”.