Cientistas identificam vulnerabilidade em superbactérias resistentes a antibióticos

Descoberta sobre dependência de magnésio nos ribossomos abre caminho para novas terapias contra infecções hospitalares.

Por Redação Epoch Times Brasil
03/01/2025 14:23 Atualizado: 03/01/2025 14:23

Pesquisadores da Universidade da Califórnia em San Diego identificaram uma fraqueza em bactérias resistentes a antibóticos, conhecidas como “superbactérias”. Essas bactérias representam uma ameaça global e possuem ribossomos que demandam grandes quantidades de magnésio para funcionar. Essa alta demanda cria um desequilíbrio interno que prejudica o crescimento desses organismos.

O estudo publicado na Science focou no Bacillus subtilis e revelou que a competição entre ribossomos e moléculas de ATP por magnésio afeta a capacidade das bactérias de se reproduzirem eficientemente.

Essa vulnerabilidade poderia ser explorada para criar novas terapias sem a necessidade de desenvolver novos antibóticos.

Além disso, os pesquisadores destacam que explorar esse ponto fraco pode ajudar a reduzir o impacto das infecções hospitalares, que frequentemente envolvem superbactérias.

Cientistas também estão desenvolvendo terapias baseadas em CRISPR (Clustered Regularly Interspaced Short Palindromic Repeats, ou Repetições Palindrômicas Curtas Agrupadas e Regularmente Interespaçadas, em tradução) para atacar genes específicos que conferem resistência às bactérias. A CRISPR permite que cientistas editem DNA de forma precisa, como por exemplo, desativar genes específicos que tornam as bactérias resistentes a antibióticos.

Essa abordagem é promissora porque ataca diretamente o mecanismo de resistência, tornando as bactérias vulneráveis novamente aos tratamentos convencionais. O desenvolvimento de terapias baseadas em CRISPR representa uma das inovações mais relevantes no combate à resistência antimicrobiana.

Impacto na saúde global

A resistência antimicrobiana (RAM), que inclui as chamadas “superbactérias”, representa uma ameaça significativa à saúde pública global e impõe custos econômicos substanciais.

Um relatório da ONU indica que, se não forem adotadas medidas eficazes, a RAM poderá resultar em uma redução anual de pelo menos US$ 3,4 trilhões no PIB mundial até 2030, empurrando mais 24 milhões de pessoas para a pobreza extrema.

Além disso, projeções sugerem que, até 2050, a resistência antimicrobiana pode causar até 10 milhões de mortes anuais, superando as taxas de mortalidade por câncer registradas em 2020.

No Brasil, as infecções causadas por bactérias multirresistentes têm um impacto econômico significativo, especialmente em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs).

Além disso, a resistência pode impactar severamente setores como a agricultura e a indústria de alimentos, que dependem do uso de antimicrobianos para garantir a saúde animal e a segurança alimentar.

Desafios e soluções

Especialistas pedem maior investimento em pesquisa e desenvolvimento de tratamentos. A OMS afirma que o custo de ignorar a resistência antimicrobiana supera em muito o investimento em soluções preventivas e terapêuticas.

Campanhas de conscientização sobre o uso racional de antibóticos e a regulação de seu uso em humanos e animais também são fundamentais. Alguns países já implementaram programas para monitorar o uso de antibóticos em ambientes hospitalares, reduzindo a seleção de cepas resistentes.