Bebidas açucaradas associadas a aumento no risco de câncer oral entre mulheres, demonstra nova pesquisa

O risco é particularmente pronunciado entre não fumantes e consumidores moderados dessas bebidas.

Por George Citroner
16/03/2025 14:03 Atualizado: 16/03/2025 14:03
Matéria traduzida e adaptada do inglês, publicada pela matriz americana do Epoch Times.

Mulheres que consomem apenas uma bebida adoçada com açúcar por dia têm quase cinco vezes mais chances de desenvolver câncer de cavidade oral do que aquelas que consomem essas bebidas com pouca frequência, de acordo com um novo estudo.

Esse risco elevado permanece constante, independentemente de elas fumarem ou consumirem bebidas alcoólicas, desafiando a compreensão tradicional dos fatores de risco do câncer bucal.

O câncer bucal é responsável por cerca de 3% de todos os cânceres diagnosticados anualmente nos Estados Unidos.

“Os resultados deste estudo sugerem que precisamos considerar os impactos da dieta sobre os riscos de câncer ao desenvolvermos recomendações de saúde pública”, escreveram os pesquisadores.

Risco inesperado

Tradicionalmente, o câncer de cavidade oral (CCO) tem sido associado a homens mais velhos que estão em risco devido a fatores que incluem o uso de tabaco e o consumo excessivo de álcool. No entanto, a nova pesquisa, publicada recentemente no JAMA Otolaryngology-Head & Neck Surgery, sugere que a doença está afetando cada vez mais as mulheres não fumantes, principalmente entre as populações brancas.

O estudo envolveu mais de 162.000 participantes do sexo feminino acompanhadas durante 30 anos. Para avaliar os hábitos alimentares, os pesquisadores coletaram dados sobre o consumo de bebidas adoçadas com açúcar e outros fatores de estilo de vida.

Após uma análise minuciosa, eles descobriram que todas as mulheres que consumiam uma ou mais bebidas açucaradas diariamente tinham um risco de CCO 4,87 vezes maior do que aquelas que consumiam menos de um bebida açucarada por mês.

Para as pessoas que não fumam muito ou consomem muito álcool, o consumo regular de bebidas açucaradas aumenta o risco de CCE — Carcinoma de células escamosas, um tipo de câncer que pode ocorrer na pele ou na boca — em mais de 5 vezes, o que significa aproximadamente 3 casos extras a cada 100.000 pessoas. Nesse caso, o risco de CCE foi 3,71 vezes maior no grupo que consumia uma ou mais bebidas açucaradas diariamente em comparação com o grupo que consumia menos de uma bebida açucarada por mês.

Os autores do estudo observaram vários motivos possíveis para suas descobertas.

Um fator importante é o xarope de milho com alto teor de frutose (HFCS, na sigla em inglês), um ingrediente comum em muitas bebidas açucaradas. Estudos sugerem que uma alta ingestão de HFCS está ligada à periodontite, uma doença grave da gengiva, que também foi associada ao câncer bucal.

Além disso, o consumo de grandes quantidades de HFCS pode causar picos rápidos nos níveis de açúcar e insulina no sangue, o que pode levar à resistência à insulina e ao aumento dos níveis do fator de crescimento semelhante à insulina-1, um hormônio ligado ao desenvolvimento do câncer.

Por fim, o HFCS pode levar à inflamação, o que pode perturbar o equilíbrio das bactérias na boca – um estado conhecido como disbiose oral, também considerado um fator de risco para cânceres orais.

Preocupações crescentes com a saúde

As diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) sugerem que os açúcares adicionados não devem representar mais do que 5% da ingestão calórica diária total por dia. Entretanto, nos Estados Unidos, os açúcares adicionados representam aproximadamente 13% da ingestão total de energia.

Pesquisas anteriores também demonstraram que o maior consumo de açúcares adicionados e bebidas adoçadas com açúcar está ligado a uma maior prevalência de doenças dentárias entre adultos jovens, uma condição que tem sido associada a cânceres que incluem o colorretal e o de pulmão. Isso pode ser devido à inflamação crônica que se espalha para além da boca, contribuindo potencialmente para o desenvolvimento de células cancerígenas.

A diretriz da OMS é “um bom ponto de partida”, mas é uma recomendação generalizada que precisa ser ajustada com base no indivíduo, disse Emily Feivor, nutricionista registrada na Northwell Long Island Jewish Forest Hills, em Nova Iorque, ao Epoch Times. “5% da ingestão de calorias pode variar de acordo com a idade, o gênero e as necessidades energéticas”.

Como o consumo de açúcar continua aumentando em todo o mundo, as descobertas do novo estudo reforçam o apelo contínuo para que as pessoas limitem a ingestão de açúcares adicionados para obter melhores resultados de saúde.

Tanto o HFCS quanto o açúcar afetam o risco de doenças de forma semelhante quando consumidos em grandes quantidades, e ambos levam a resultados negativos semelhantes, disse Julianna Coughlin, nutricionista registrada, proprietária e CEO da One Step in the Right Direction Nutrition Counseling, ao Epoch Times.

“Os substitutos saudáveis do HFCS e do açúcar incluem alternativas naturais ao açúcar, como estévia e fruta do monge, e também a escolha de alimentos que tenham açúcares naturais, como frutas”, disse ela.