Matéria traduzida e adaptada do inglês, publicada pela matriz americana do Epoch Times.
Comentário
Há um experimento famoso envolvendo jams [palavra em inglês que significa geleia, problema/congestionamento e sessão de improvisação musical]. Não problemas, e não o que os velhos chamam de música, mas a terceira coisa: pastas de frutas adoçadas e espessadas.
O experimento mostrou que em algum momento ter escolhas adicionais é esmagador e, na verdade, parece piorar a situação das pessoas. Na verdade, houve três estudos, embora, por algum motivo, o “experimento da geleia” seja o mais famoso.
Estudo 1: experimento de seleção de geleia
O experimento foi conduzido em uma loja de alimentos gourmet com cabines de degustação oferecendo 6 ou 24 variedades de geleia. Aproximadamente 60% dos compradores pararam para examinar a exibição de escolha extensa, enquanto 40% se aproximaram da exibição de escolha limitada.
Surpreendentemente, no entanto, 30% dos que experimentaram da seleção limitada fizeram uma compra (um código no verso do cupom informava aos pesquisadores qual exibição cada eventual comprador tinha visto), em comparação com apenas 3% da seleção mais extensa.
Mais escolhas geraram mais interesse, mas significativamente menos ação.
Estudo 2: experimento de seleção de tópicos de redação
Estudantes universitários receberam (PDF) seis ou 30 tópicos para uma tarefa de redação opcional. Alunos que receberam seis tópicos tiveram mais probabilidade de concluir a tarefa e produziram redações de melhor qualidade do que aqueles que receberam 30 tópicos.
A escolha pode ser desmotivadora.
Estudo 3: experimento de seleção de chocolate
Os participantes foram convidados a escolher um chocolate entre uma seleção de seis ou 30 opções.
Aqueles com seis opções relataram maior satisfação com sua escolha e eram mais propensos a selecionar chocolate em vez de compensação monetária do que aqueles com 30 opções.
Juntos, esses três estudos sugerem um modelo de como decidimos. Embora uma gama maior de escolhas possa inicialmente atrair interesse, muitas escolhas podem, em última análise, reduzir a motivação para tomar uma decisão e diminuir a satisfação com a opção escolhida.
Isso tem sido amplamente interpretado como uma crítica ao capitalismo, mas não é. Em uma sociedade comercial, há dois fatores que os experimentos ignoram.
Marcas: as pessoas podem pesquisar no começo, mas também usam marcas e avaliações para fazer uma escolha. Em um supermercado de verdade, com marcas de produtos reconhecíveis, as pessoas não passam horas no corredor de cereais. Elas vão, olham por um segundo seus cereais favoritos e então fazem uma escolha. Fácil. Mas então por que há tantas opções? Isso nos leva ao ponto dois.
Lucro como um dispositivo de seleção: para que um cereal sobreviva e concorra por espaço nas prateleiras, um número mínimo de pessoas deve comprar o cereal, permitindo que o produtor cubra todos os custos e tenha um retorno igual ou maior que seu custo de oportunidade de capital.
Juntas, essas duas coisas significam que todos esses cereais têm um número significativo de pessoas que estão procurando por aquele cereal, e nenhum outro, e que compram aquele cereal. Além disso, o número de compradores deve ser suficiente para cobrir o “investimento” social naquela marca e sabor.
Então, embora o corredor de cereais, ou prateleira de geleias, possa parecer um desperdício ou excessivo para um acadêmico com pouca ideia de como o comércio funciona (talvez porque nunca teve um emprego de verdade), é de fato um mecanismo cuidadosamente curado e eficiente para fornecer escolhas que as pessoas realmente querem.
(Além disso, o experimento em si tem alguns problemas bem sérios…)
MAS: mídias sociais?
O argumento acima, embora correto (IMHO), requer um pouco de maquinário para operar em segundo plano. O sistema comercial, uma vez maduro, mantém um teste de lucro e prejuízo, e nutre o uso de marca e reputação para simplificar e curar escolhas.
O que parece caos é, na verdade, bem organizado: potes de geleia são caros para fabricar e enviar, e o espaço na prateleira tem um custo de oportunidade, de modo que apenas a geleia que as pessoas querem é fornecida (pelo menos ao longo do tempo).
Nenhuma dessas condições existe, pelo menos não ainda, no mundo selvagem das mídias sociais. Os custos de fabricação e distribuição são insignificantes, e o custo de oportunidade de “espaço de prateleira” na internet é apenas a competição por atenção, porque as plataformas são quase gratuitas.
Kevin Munger (sim, meu filho) escreveu recentemente um artigo explorando esse problema. Seu artigo “Unbundling and Abundance” aborda o impacto dos avanços tecnológicos na produção e no consumo de produtos culturais. Kevin argumenta que essas são as principais questões:
- Avanços tecnológicos: o surgimento da internet e das ferramentas digitais reduziu as barreiras de entrada para os criadores, levando a uma explosão de conteúdo em várias formas de mídia.
- Desagregação: pacotes de mídia tradicionais, como álbuns ou pacotes de TV a cabo, estão sendo desmembrados. Os consumidores agora têm a liberdade de selecionar partes individuais de conteúdo, adaptando seu consumo de mídia às preferências pessoais.
- Abundância de conteúdo: essa desagregação resultou em uma abundância avassaladora de conteúdo, tornando difícil para os consumidores descobrirem material de alta qualidade em meio às vastas opções disponíveis.
- Ausência de Gatekeeping: o papel dos gatekeepers tradicionais, como editores e produtores, diminuiu. Em seu lugar, algoritmos e tendências de mídia social se tornaram os novos curadores — determinando o que é importante — e verificadores — determinando o que é verdade. A consequência é que o conteúdo mais proeminente é desconectado do cálculo de lucros e perdas, bem como do feedback de qualidade do “comprador”.
Essas tendências na produção e consumo de mídia têm implicações econômicas significativas. Embora mais criadores possam compartilhar seu trabalho, monetizar conteúdo se tornou complicado. Por um lado, qualquer um pode agora publicar conteúdo e cobrar o que o público pagar por meio de serviços como substack e Patreon.
Por outro lado, a enorme enxurrada de novos conteúdos aumenta o nível de competição para ganhar uma renda sustentável.
A mudança para o consumo de conteúdo desagregado pode levar a experiências culturais fragmentadas, à medida que experiências de mídia compartilhada se tornam menos comuns.
Em particular, à medida que os veículos impressos e televisivos tradicionais perderam seu domínio sobre a atenção do leitor, e os dólares de publicidade foram transferidos para plataformas mais precisamente direcionadas nas mídias sociais, a mídia tradicional perdeu sua autoridade.
Muitas vezes, tenho sido bastante crítico com pessoas que ingenuamente afirmam que os mercados criam “escolha excessiva”, porque marcas, seleção por lucro e prejuízo e diferenças de gosto são fatores que tais críticas geralmente ignoram.
Mas a mídia social pode, de fato, ser um exemplo em que o “problema da geleia” é real. Temos tantas escolhas que é impossível selecionar por qualidade ou sentir satisfação com a escolha.
Com o tempo, como Kevin ressalta, podem surgir novos modelos de curadoria, verificação e monetização para navegar nesse cenário, mas, por enquanto, a abundância e a desagregação estão piorando, não melhorando.
Do Instituto Americano de Pesquisa Econômica (AIER)
As opiniões expressas neste artigo são as opiniões do autor e não refletem necessariamente as opiniões do Epoch Times



