A inspiradora Teresa Teng

A estrela pop que lutou pela liberdade.

Por Lawrence Reed
28/05/2025 14:15 Atualizado: 28/05/2025 14:15
Matéria traduzida e adaptada do inglês, publicada pela matriz americana do Epoch Times.

Após o fim do Império Soviético, no período de 1989 a 1991, comentaristas de todo o mundo revelaram os resultados da autópsia. O paciente morreu de socialismo terminal, uma doença caracterizada por economias atrasadas, escassez generalizada e ausência de concorrência na vida política e econômica. Poderosos movimentos de resistência interna (como o Solidariedade, na Polônia), incentivados pela liderança resoluta de Ronald Reagan, Margaret Thatcher e do Papa João Paulo II, ajudaram a puxar o plugue. O Estado realmente “murchou”, mas não da maneira que o falso profeta Karl Marx imaginava.

O papel desempenhado pela música no fim de tantos regimes malignos, em particular o rock & roll, não é tão bem compreendido. O historiador Larry Schweikart defende de forma convincente que, entre as gerações mais jovens, o rock & roll fomentou um espírito fatal para a lealdade inquestionável exigida por esses regimes. Schweikart afirma que o veneno não estava nas letras. Estava na “liberdade do rock & roll como estrutura musical”.

Embora uma banda envolva um grupo inteiro tocando coletivamente, o que impressionava os ouvintes era a singularidade dos indivíduos dentro do grupo. Os membros da banda acompanhavam Bruce Springsteen, por exemplo, mas era Springsteen quem se destacava e inspirava a imaginação dos jovens fãs. Que revigorante em sociedades onde a propaganda há muito ensinava que o que importava era o coletivo, não o indivíduo!

A individualidade é o veneno que a música injeta no sistema totalitário. Por mais que tente, o sistema acaba não conseguindo resistir. Schweikart cita o último líder da União Soviética, Mikhail Gorbachev:

“Podíamos impedir a entrada de livros. Podíamos impedir a entrada da televisão. Mas não podíamos impedir a entrada do rock ‘n’ roll. O rock ‘n’ roll foi fundamental para derrubar o comunismo”.

Uma história semelhante se desenrolou na China comunista, embora tenha ajudado a produzir uma mudança de regime, não a extinção do regime (infelizmente). Ela envolve um ícone da música pop de Taiwan, Teresa Teng 鄧麗君 (1953–1995).

Teresa Teng se estabeleceu como a principal cantora da Ásia em uma carreira que durou quase três décadas. Ela misturou gêneros orientais e ocidentais em sua música popular única. Nenhum músico asiático chegou perto de sua fama nas décadas de 80 e 90. Ela era uma superestrela em todos os aspectos, gravando mais de 1.700 músicas e vendendo cerca de 48 milhões de álbuns. Suas canções de amor e relacionamentos, combinadas com um novo método de “canto respiratório”, quebraram o molde coletivista imposto pelas autoridades em países comunistas como a China. Os jovens se voltaram para Teresa Teng para escapar do tédio das músicas oficiais destinadas a glorificar o Estado e o país.

A música de Teng começou a ser pirateada na China continental em meados da década de 1970 e influenciaria os ouvintes no estado comunista, assim como o rock & roll ajudou a derrubar a Cortina de Ferro na Europa.

Confira o videoclipe de “The Moon Represents My Heart”, lançado em 1977. Ela cantava em mandarim, então tinha um público natural no continente, e sua legião de fãs marcou o início do fandom da música pop chinesa.

Os linha-dura da RPC perceberam a ameaça quase imediatamente. Teng não era apenas de Taiwan, considerada por Pequim uma província separatista, mas sua música também celebrava o indivíduo em vez do Estado. Suas letras não eram explicitamente políticas, mas ela ocasionalmente cantava sobre liberdade em termos vagos. As pessoas achavam a música libertadora, então os paranóicos de Pequim proibiram seu trabalho por anos.

Enquanto isso, Mao Tsetung morreu em 1976, abrindo as portas para uma nova geração de reformistas liderados por Deng Xiaoping. Ele se tornou o líder do continente em 1978 e, assim como Gorbachev na União Soviética, reconheceu que o socialismo esclerosado precisava de alguma liberdade para se reformar. Sob o slogan “Não importa a cor do gato, desde que caça ratos”, Deng abriu o país para a livre iniciativa limitada, o comércio exterior e os investimentos, além de uma diversidade de influências culturais (a “Política de Portas Abertas”).

Na época das reformas de Deng, as canções de Teresa Teng já inundavam os mercados negros da China. O governo de Deng se rendeu ao inevitável e suspendeu a proibição da música de Teng em meados da década de 1980. Sua notoriedade então bateu todos os recordes. Diziam que, enquanto os chineses ouviam o “velho Deng” durante o dia, à noite preferiam ouvir a “pequena Teng”.

Então veio o pesadelo do massacre da Praça da Paz Celestial, no início de junho de 1989. Milhares de estudantes manifestantes ocuparam a principal praça de Pequim durante um mês, exigindo mais liberdade e o fim do monopólio comunista. Teresa Teng apoiou os estudantes à distância, chegando a se apresentar para 300 mil pessoas em Hong Kong em defesa deles. Mas, como o mundo infelizmente sabe, Deng Xiaoping ordenou que o exército reprimisse a revolta, matando pelo menos mil pessoas e prendendo muitas outras.

Ela nunca se apresentou no continente. Depois da Praça da Paz Celestial, ela declarou publicamente que não o faria até que as duas Chinas se unissem sob a liberdade, e não sob o comunismo.

Teng ganhou milhões como superestrela da música asiática e tornou-se uma filantropa pioneira, arrecadando enormes somas para projetos que iam desde sistemas de abastecimento de água na Tailândia até ajuda humanitária em casos de catástrofes e outras iniciativas de caridade em vários países. Para os comunistas de Pequim, isso era mais um ponto contra ela, porque a ajuda humanitária deveria vir do Estado, não de capitalistas privados “gananciosos”.

Como a primeira cantora de língua chinesa a ganhar reconhecimento e influência internacional, ela abriu portas para outros artistas em toda a região. Sua notoriedade acabou alcançando todos os continentes. Os países que emitiram selos postais em sua homenagem incluem: Rússia; Serra Leoa, Mali e Guiné-Bissau, na África; Granada, no Caribe; além de muitos outros na Ásia. Sua música ainda é vendida rapidamente em todo o mundo.

Teresa Teng morreu aos 42 anos de idade, vítima de um grave ataque de asma enquanto estava na Tailândia. Sua morte prematura causou comoção em toda a Ásia, mas o espírito de sua música única ressoa até hoje. Quando os povos cativos da tirania de Pequim forem um dia libertados, olharemos para trás e provavelmente daremos crédito à música de Teng por ter contribuído para o espírito revolucionário que finalmente concluiu a missão de acabar com os massacres do Partido Comunista Chinês.

Do Foundation for Economic Education (FEE)

As opiniões expressas neste artigo são opiniões do autor e não refletem necessariamente as opiniões do Epoch Times.

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