12 anos de dados provam que a iniciativa do Cinturão e Rota da China é uma armadilha da dívida

Por Antonio Graceffo
17/10/2025 15:06 Atualizado: 17/10/2025 15:06
Artigo traduzido e adaptado do inglês, publicado pela matriz americana do Epoch Times. 
Comentário 

Após 12 anos, as quatro principais defesas de Pequim contra as acusações de que a Nova Rota da Seda seria uma “armadilha da dívida” foram derrubadas.

O 12º aniversário da Iniciativa do Cinturão e Rota (também chamada de One Belt, One Road) foi no mês passado. Em meio às acusações contínuas de que se trata de uma armadilha da dívida, o think tank Lowy Institute relatou que 75 países em desenvolvimento enfrentam agora graves crises de dívida causadas por enormes pagamentos à China.

Espera-se que os países em desenvolvimento paguem a Pequim um valor recorde de US$ 35 bilhões neste ano, dos quais US$ 22 bilhões virão das nações mais pobres do mundo, forçando cortes profundos em saúde, educação e serviços essenciais.

Lançada em 2013, a Iniciativa do Cinturão e Rota (BRI) financiou projetos de infraestrutura em grande escala na Ásia, África e América Latina por meio de empréstimos garantidos pelo Estado, tornando a China o maior credor bilateral do mundo.

Nos primeiros dez anos do programa, cerca de 80% dos empréstimos do regime chinês foram destinados a nações já em inadimplência ou próximas disso. À medida que essas dívidas vencem, a pressão para pagamento está sobrecarregando as finanças públicas e reforçando a acusação de que Pequim criou deliberadamente uma armadilha global de dívidas.

Para se defender, o Partido Comunista Chinês (PCCh) apresenta quatro argumentos falhos para negar que a BRI seja uma armadilha da dívida: primeiro, que muitos países em desenvolvimento devem mais a credores ocidentais; segundo, que os aumentos das taxas de juros nos EUA causaram seus problemas de dívida; terceiro, que a desvalorização cambial e a desaceleração da economia global são as culpadas; e quarto, que a China raramente toma ativos de países incapazes de pagar. Cada uma dessas alegações desmorona sob escrutínio.

A primeira defesa do PCCh — de que muitos países da Iniciativa do Cinturão e Rota devem mais a credores ocidentais ou internacionais do que à China — é matematicamente verdadeira em alguns casos, mas profundamente enganosa. Embora os empréstimos chineses possam representar menos da metade da dívida total de um país, essas nações já tinham classificações de crédito extremamente baixas e eram consideradas arriscadas demais para credores tradicionais. Instituições ocidentais pararam de emprestar para evitar levá-las à inadimplência. A China, no entanto, interveio e concedeu justamente os empréstimos que as levaram ao limite. Em muitos casos, Pequim se tornou o credor de último recurso porque os credores responsáveis haviam se retirado.

O segundo argumento — de que o aumento das taxas de juros nos EUA teria causado a crise da dívida — é igualmente falho. Taxas flutuantes são um risco bem conhecido, incorporado em toda avaliação de crédito soberano. Países que continuam a se endividar fortemente, apesar de classificações baixas, o fazem sabendo que o refinanciamento se tornará mais caro quando as taxas globais subirem. Credores responsáveis levam esse risco em conta e se retiram quando os tomadores se aproximam de níveis insustentáveis de dívida. A China ignora esses avisos, continuando a emprestar, garantindo que o calote se torne inevitável.

A terceira alegação — culpar a crise pela desvalorização cambial e pela desaceleração da economia global — também desmorona sob escrutínio. Recessões econômicas e flutuações cambiais são riscos previsíveis que devem ser considerados antes de contrair dívida. Muitos países da Iniciativa do Cinturão e Rota têm moedas fracas e parcialmente conversíveis, mas devem pagar seus empréstimos em dólares. À medida que o dólar se valoriza, os custos do serviço da dívida aumentam, esvaziando reservas nacionais e aprofundando a crise econômica. Isso não é culpa do Ocidente, nem resultado de políticas monetárias dos EUA destinadas a prejudicar outros. O raciocínio do PCCh é ilógico, especialmente porque a maioria dos empréstimos da BRI é, de fato, denominada em dólares.

O quarto argumento usado pelo PCCh contra a acusação de “armadilha da dívida” é que raramente toma ativos de países que não podem pagar; em vez disso, afirma fornecer “alívio da dívida” por meio de refinanciamento ou extensão de empréstimos. Na prática, essa abordagem apenas aprofunda a dependência. Pequim normalmente concede reestruturações de curto prazo, como extensões de vencimento ou períodos de carência, a nações de baixa renda sem reduzir o principal ou aliviar as taxas de juros.

Também depende de mecanismos de “empréstimos de resgate”, incluindo créditos-ponte de bancos estatais, saques de swap cambial pelo Banco Popular da China e acordos de pré-pagamento de commodities. Essas medidas não resolvem problemas de solvência subjacentes, mas apenas adiam o calote, mantendo os devedores à tona tempo suficiente para proteger o sistema financeiro da China.

Um grande estudo do AidData, do Banco Mundial, da Harvard Kennedy School e do Instituto Kiel constatou que, até o final de 2021, a China havia realizado 128 operações de resgate, totalizando US$ 240 bilhões em 22 países, marcando uma mudança clara do financiamento de infraestrutura para empréstimos de resgate de emergência. Em 2010, menos de 5% dos empréstimos chineses no exterior foram concedidos a países em dificuldade; em 2022, esse número disparou para 60%.

Esses resgates também expõem a hipocrisia de Pequim: enquanto o PCCh acusa o Ocidente de cobrar juros predatórios, o empréstimo médio de resgate chinês possui uma taxa de juros de cerca de 5%, mais que o dobro dos 2% padrão do FMI. Em 1º de outubro de 2025, apesar das taxas de juros mais altas nos EUA, a taxa de empréstimo de Direitos Especiais de Saque (SDR) do FMI permanece em apenas 3,41%, ainda significativamente inferior ao que a China cobra de nações em dificuldades pelo chamado alívio.

A verdadeira dimensão da dívida da Iniciativa do Cinturão e Rota pode ser muito pior do que os dados oficiais sugerem. Para proteger seu próprio sistema bancário, o regime chinês usa cada vez mais a rede global de swap do Banco Popular da China, que forneceu mais de US$ 170 bilhões em liquidez de curto prazo a bancos centrais estrangeiros. Esses empréstimos, frequentemente rotulados como “temporários”, são rotineiramente renovados por anos, permitindo que os governos ocultem sua verdadeira exposição à dívida, já que as regras internacionais de reporte excluem passivos de curto prazo.

Essa prática criou vastas “dívidas ocultas”, estimadas em cerca de US$ 385 bilhões pelo AidData em 2021, e o número provavelmente é muito maior hoje, à medida que mais empréstimos vencem e poucos foram pagos nos anos intermediários. A estratégia opaca de resgate do PCCh — projetada para proteger seus credores, e não para ajudar nações em dificuldade — garante que o peso total da dívida da BRI permaneça oculto do público.

As opiniões expressas neste artigo são do autor e não refletem necessariamente as opiniões do The Epoch Times. 

 

 

 

 

 

As opiniões expressas neste artigo são as opiniões do autor e não refletem necessariamente as opiniões do Epoch Times