Zelensky em Davos: “Trem do Brasil passou” sobre mediação do conflito com Rússia

Ucraniano critica neutralidade brasileira e afirma que Lula perdeu protagonismo no cenário internacional; Trump promete sanções severas contra a Rússia para encerrar a guerra.

Por Redação Epoch Times Brasil
23/01/2025 09:11 Atualizado: 23/01/2025 09:11

O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky declarou durante o Fórum Econômico Mundial, realizado em Davos, na Suíça, que o Brasil perdeu a oportunidade de desempenhar um papel significativo na mediação do conflito entre Ucrânia e Rússia. “O trem do Brasil passou”, afirmou o líder ucraniano, referindo-se à falta de envolvimento do país no apoio à Ucrânia desde o início da invasão russa.

Zelensky mencionou que tentou entrar em contato com o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva durante o início do conflito, mas não obteve resposta. Ele também afirmou que, após a reeleição de Lula, novas tentativas de contato foram feitas, mas sem êxito.

No contexto do Fórum de Davos, Zelensky tem utilizado plataformas globais para atrair atenção à situação do seu país e buscar alianças internacionais. A posição brasileira, segundo ele, tem sido marcada por neutralidade em votações na Organização das Nações Unidas (ONU) relacionadas ao conflito.

“Eu acho que o trem do Brasil, para ser sincero, passou. Falei com Lula, nos encontramos e pedi que ele fosse um parceiro para acabar com a guerra. Agora ele não é mais um ‘player’. Ele também não será um ‘player’ para Trump”, afirmou o presidente ucraniano.

Trump ameaça Rússia

Enquanto Zelensky reforçava a falta de protagonismo brasileiro, o novo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, emitiu declarações firmes em relação ao conflito. Trump afirmou que pretende impor sanções e tarifas elevadas contra a Rússia caso o presidente Vladimir Putin não concorde com um acordo para encerrar a guerra. “Acordem agora e acabem com esta guerra ridícula! Só vai piorar”, publicou Trump em sua plataforma Truth Social.

Trump assumiu o cargo na última segunda-feira (20) e, desde então, tem adotado um tom incisivo.

Ele declarou que “não está tentando prejudicar a Rússia”, destacando sua relação amistosa com Putin, mas enfatizou que medidas drásticas serão tomadas caso o conflito não seja resolvido.

“Se não chegarmos a um acordo em breve, não terei outra escolha senão aplicar elevados impostos, tarifas e sanções a qualquer produto que a Rússia venda aos EUA, bem como a outros países participantes”, afirmou Trump.

Durante sua campanha, Trump havia prometido que poderia encerrar o conflito “em 24 horas”, caso se reunisse com Zelensky e Putin. Ele não especificou os detalhes de como isso seria alcançado, mas sua postura agora indica pressão econômica como principal estratégia.