O presidente afastado da Coreia do Sul, Yoon Suk Yeol, se apresentou ao Tribunal Constitucional nesta terça-feira (25) para a fase final de seu julgamento, que determinará seu futuro político.
Acusado de tentar instaurar a Lei Marcial em dezembro de 2024, Yoon corre o risco de perder definitivamente o cargo.
Durante a audiência, os advogados que representam o Parlamento destacaram que a tentativa de Yoon em implementar a Lei Marcial foi uma ação autoritária, comparando suas atitudes aos regimes ditatoriais do passado.
Em contrapartida, a defesa do ex-presidente afirmou que a medida foi uma resposta necessária a uma alegada ameaça à estabilidade do país.
Se o tribunal confirmar o impeachment aprovado pelo Parlamento, Yoon perderá o cargo antes de completar três anos de mandato.
A expectativa é de que o veredicto seja emitido nos próximos dias, embora o tribunal tenha até junho para tomar sua decisão.
Acusações e defesa
Os advogados parlamentares afirmaram que a proposta de Lei Marcial carecia de respaldo constitucional e representava uma violação dos princípios democráticos.
Lee Kwang-beom, um dos representantes da acusação, argumentou que Yoon pretendia transformar suas próprias ordens em leis, desconsiderando os limites das instituições governamentais.
Além disso, ressaltaram a insistência do presidente afastado em teorias de fraudes eleitorais, que foram tratadas como narrativas infundadas e que comprometeram a confiança no sistema democrático sul-coreano.
Em sua defesa, Yoon refutou as acusações de abuso de poder e afirmou que a Lei Marcial foi uma medida preventiva para alertar a população sobre supostas ameaças internas.
O ex-presidente negou qualquer intenção de estabelecer um regime militar e afirmou que sua única preocupação era evitar uma “interferência indevida” por parte do Parlamento.
Desdobramentos políticos
A tentativa de Yoon de decretar a Lei Marcial por seis horas, antes de revogá-la, gerou uma crise política sem precedentes, resultando no afastamento temporário do presidente e na destituição do primeiro-ministro, que assumia a presidência interinamente.
Atualmente, a liderança do país está nas mãos do ministro das Finanças.
Além do julgamento político, Yoon enfrenta um processo criminal, no qual é acusado de incitar insurreição.
Detido no Centro de Detenção de Seul, ele se tornou o primeiro presidente sul-coreano em exercício a ser submetido a um tribunal criminal.
Se o impeachment for confirmado, a Coreia do Sul será obrigada a realizar novas eleições presidenciais em até 60 dias.



