Matéria traduzida e adaptada do inglês, publicada pela matriz americana do Epoch Times.
A Venezuela anunciou em 13 de outubro que ia fechar suas embaixadas na Noruega e na Austrália para uma “reestruturação geral” do seu serviço diplomático e para criar laços mais próximos com os países africanos.
Caracas disse em um comunicado publicado pelo jornal Correo del Orinoco, ligado ao governo venezuelano, que o objetivo era usar melhor os recursos do Estado e “redefinir nossa presença diplomática para fortalecer as alianças com o Sul Global, promovendo a solidariedade entre os povos e a cooperação em áreas estratégicas para o desenvolvimento mútuo”.
“Como parte da reatribuição estratégica de recursos, as embaixadas no Reino da Noruega e na Austrália serão fechadas”, disse o governo. “As relações bilaterais e a assistência consular para a comunidade venezuelana nesses países serão tratadas de forma eficiente por meio de missões diplomáticas simultâneas, cujos detalhes serão anunciados nos próximos dias”.
O poder executivo disse que novas embaixadas serão abertas no Zimbábue e em Burkina Faso, para fortalecer os “laços históricos da Venezuela com o continente africano” e estabelecer “missões diplomáticas residentes em duas nações irmãs — parceiras estratégicas na luta anticolonial e na resistência às pressões hegemônicas”.
Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Noruega disse: “Isso é lamentável. Apesar de termos opiniões diferentes sobre várias questões, a Noruega deseja manter aberto o diálogo com a Venezuela e trabalhará nesse sentido”.
Um porta-voz do Departamento de Relações Exteriores e Comércio da Austrália disse ao Epoch Times em 14 de outubro, por e-mail, que o departamento “está ciente das notícias sobre o fechamento das embaixadas venezuelanas na Noruega e na Austrália e está acompanhando a situação”.
A Noruega e a Austrália não têm embaixadas na Venezuela, com as missões diplomáticas de Oslo e Canberra sendo conduzidas por suas respectivas embaixadas em Bogotá, na Colômbia.
Líder oposicionista recebe Prêmio Nobel da Paz
A declaração de Caracas não mencionou o recente Prêmio Nobel da Paz concedido pelo Comitê Norueguês do Nobel à política da oposição venezuelana e ex-candidata à presidência María Corina Machado, embora a medida tenha ocorrido poucos dias após o anúncio.
Machado, que ganhou o prêmio de 2025 por defender a democracia no país sul-americano, dedicou seu prêmio ao presidente Donald Trump.

Muitos governos latino-americanos e ocidentais — incluindo os Estados Unidos — não reconhecem a legitimidade do regime socialista ou o resultado de suas eleições.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Noruega disse: “O Prêmio Nobel é independente do governo norueguês e, quando se trata de questões sobre o prêmio, nos referimos ao Comitê Nobel”.
Kristian Berg Harpviken, secretário do órgão responsável pelo prêmio, disse que o fechamento da embaixada não foi um problema para o comitê.
“Para o comitê, a tarefa em questão é selecionar o vencedor certo do Prêmio Nobel da Paz”, disse Harpviken. “E Maria Corina Machado é certamente uma vencedora digna!”.
Narcoterrorismo
O fechamento das embaixadas ocorreu após semanas de tensões crescentes com os Estados Unidos, aliados da Austrália e da Noruega.
Desde setembro, as Forças Armadas dos EUA realizaram vários ataques a embarcações no Mar do Caribe que, segundo autoridades americanas, eram navios de tráfico de drogas afiliados a cartéis e gangues que, no início deste ano, foram designados como organizações terroristas estrangeiras pelo governo dos EUA.
O governo Trump tem afirmado que o líder venezuelano Nicolás Maduro não é o presidente legitimamente eleito da Venezuela, mas uma figura central no tráfico de drogas da região.

Em uma postagem no Truth Social em 2 de setembro confirmando um ataque contra os narcoterroristas do Tren de Aragua, o presidente Donald Trump reiterou essa afirmação, dizendo que o grupo estava “operando sob o controle de Nicolás Maduro”.
As alegações dos EUA sobre as ligações de Maduro com o tráfico de drogas não são novas.
Em março de 2020, o Departamento de Justiça anunciou uma recompensa de US$ 15 milhões por informações que levassem à prisão de Maduro e alegou que o regime de Maduro está fortemente envolvido em um esquema de narcoterrorismo de várias décadas ao lado do movimento de esquerda FARC da Colômbia.
Em janeiro, durante os últimos dias do mandato do presidente dos EUA, Joe Biden, o Departamento de Justiça aumentou a recompensa pela prisão para US$ 25 milhões.
O líder venezuelano negou as acusações.
Ryan Morgan, Jack Phillips e a Reuters contribuíram para esta reportagem.



