UE finaliza imposto antidumping sobre importações de lisina da China

O único produtor europeu do aminoácido disse que o imposto, que varia de 48% a 58%, incentiva seu plano de aumentar a produção dentro do bloco.

Por Lily Zhou
15/07/2025 15:14 Atualizado: 15/07/2025 15:14
Matéria traduzida e adaptada do inglês, publicada pela matriz americana do Epoch Times.

A União Europeia finalizou sua tarifa antidumping sobre as importações chinesas de lisina, um aminoácido encontrado em rações animais, produtos farmacêuticos e suplementos alimentares.

As tarifas definitivas sobre os produtos de lisina importados da China variam entre 47,7% e 58,2%, informou o órgão executivo da UE, a Comissão Europeia, em 11 de julho.

Os direitos antidumping da UE geralmente têm duração de cinco anos, e o bloco pode prorrogar as medidas ou encerrá-las antecipadamente após revisões.

O direito definitivo substitui um direito provisório anunciado pela Comissão em janeiro, que variava entre 58,3% e 84,8%, dependendo do exportador dos produtos.

A decisão da UE de impor direitos antidumping sobre produtos de lisina veio na sequência de uma investigação de 2024 que concluiu que as importações desses produtos da China “estavam prejudicando a indústria da UE”, disse a comissão.

A investigação foi desencadeada por uma denúncia do único produtor de lisina do bloco, a empresa francesa Metex Noovistago, que desde então foi renomeada Eurolysine e adquirida pela multinacional agroindustrial Avril.

“Os direitos impostos hoje devem ajudar os fabricantes de lisina da UE a competir em condições mais equitativas com os seus homólogos chineses”, afirmou a comissão.

De acordo com uma declaração publicada em janeiro pela Federação Europeia de Fabricantes de Alimentos para Animais, 60% da lisina da UE é importada da China.

O grupo industrial alertou que as altas tarifas podem perturbar o abastecimento de lisina do bloco, ao mesmo tempo que instou a Comissão a reconhecer os aminoácidos essenciais e as vitaminas como “materiais críticos”.

Também manifestou o seu apoio a medidas destinadas a impulsionar os produtores da UE e a reduzir a dependência estratégica da China.

Os Estados Unidos também são altamente dependentes da China em termos de aminoácidos. De acordo com uma nota informativa publicada em maio pela Associação Americana da Indústria de Ração, a China controla uma grande parte da cadeia de abastecimento global de aminoácidos, incluindo 77% da lisina, 91% da treonina, 84% da valina e 27% da metionina.

Após o anúncio da UE na sexta-feira, o CEO da Eurolysine, Eddy Feijen, disse que a medida incentivou a empresa a acelerar sua produção de lisina.

“A introdução de direitos antidumping por 5 anos abre perspectivas de médio prazo que nos incentivam em nosso plano de desenvolvimento da produção. Até o segundo semestre de 2025, nossa fábrica em Amiens terá retornado à sua velocidade normal de produção de lisina, e estamos atualmente trabalhando para aumentar a capacidade de produção de lisina em 20% até 2027”, disse Feijen em um comunicado.

Jean-Philippe Puig, CEO da Avril, também saudou a medida, afirmando que o grupo pretende “preservar e desenvolver uma atividade estratégica para a soberania europeia e o futuro da indústria de rações animais”.