Ucrânia corre risco de perder cabeça de ponte em Kursk dentro da Rússia

As forças russas relataram que estão retomando pelo menos uma dúzia de assentamentos na região da fronteira de Kursk desde sábado (8).

Por Ryan Morgan
13/03/2025 19:02 Atualizado: 13/03/2025 19:02
Matéria traduzida e adaptada do inglês, publicada pela matriz americana do Epoch Times.

Depois de manter uma faixa de território russo por mais de sete meses, a ocupação da região de Kursk pela Ucrânia corre um risco crescente de colapso.

As forças ucranianas entraram pela primeira vez na região da fronteira russa em um ataque surpresa em 6 de agosto de 2024 e, desde então, passaram a lutar pelo controle contínuo daquele pedaço de terra do inimigo.

No auge de sua operação, essas tropas ucranianas conseguiram tomar o controle de uma faixa de território abrangendo cerca de 500 milhas quadradas.

Em fevereiro, os militares russos relataram que haviam retomado cerca de 300 milhas quadradas do território que haviam perdido no verão de 2024.

As forças de Kiev perderam gradualmente mais e mais terras na região de Kursk ao longo dos últimos meses, embora ao longo de uma batalha desgastante. Em março, a zona de controle da Ucrânia dentro das fronteiras da Rússia encolheu rapidamente.

No último sábado (8), começaram a circular online relatos de uma força de ataque russa contornando as linhas ucranianas ao redor da cidade de Sudzha, em Kursk, avançando por quilômetros por um gasoduto desativado, antes de emergir em um ponto a uma curta distância ao norte da cidade-chave.

A agência de notícias russa Tass informou que a força de assalto ao oleoduto consistia de elementos da unidade de operações especiais russa Akhmat, e do 30.º Regimento de Fuzileiros Motorizados.

O comandante do Akhmat, Tenente-General Apti Alaudinov, afirmou que o ataque de infiltração deixou as forças ucranianas na área em pânico.

Enquanto Alaudinov retratou uma força ucraniana em desordem, o Estado-Maior Militar da Ucrânia declarou, inicialmente, que suas forças detectaram rapidamente a infiltração e começaram a eliminar o elemento russo com foguetes, projéteis de artilharia e drones de ataque.

“Atualmente, forças especiais russas estão sendo detectadas, bloqueadas e destruídas. As perdas inimigas em Sudzha são muito altas”, disse a liderança militar ucraniana em uma publicação no Facebook no sábado (8).

Moscou divulga sucessos no campo de batalha

Enquanto os ucranianos alegaram que infligiram pesadas baixas em seus inimigos, o lado russo descreveu a operação como um sucesso geral. Na terça-feira (11), a Tass relatou que as forças russas conseguiram capturar 12 assentamentos ao redor de Sudzha, cobrindo uma área de cerca de 40 milhas quadradas.

O Ministério da Defesa da Rússia informou que suas forças retomaram outros cinco assentamentos na região de Kursk na quarta-feira (12).

“Com exceção de duas ou três aldeias ao redor de Sudzha, todas as outras comunidades estão sob o controle das tropas russas”, disse Alaudinov à Tass.

O Kremlin compartilhou outro vídeo na quarta-feira (12), supostamente mostrando o líder russo Vladimir Putin, vestido com uniforme camuflado, reunindo-se com líderes militares na região de Kursk para discutir a recente reviravolta dos acontecimentos.

“Nossa tarefa imediata é infligir uma derrota completa ao inimigo que se entrincheirou na região de Kursk e ainda continua lutando aqui o mais rápido possível, e libertar completamente toda a região”, afirmou Putin.

O estado-maior militar ucraniano emitiu uma nova declaração na quarta-feira (12), anunciando que os combates perto de Sudzha continuam.

Um soldado ucraniano, como visto em uma foto de arquivo, patrulha a cidade de Sudzha, na região russa de Kursk, em 16 de agosto de 2024 (Yan Dobronosov/Reuters)

A liderança militar de Kiev também afirmou que o lado russo pagou um alto preço para retomar o território de Kursk. No total, o lado ucraniano disse que infligiu mais de 54.000 baixas às forças russas em Kursk e arredores desde agosto.

Os números exatos de vítimas não puderam ser verificados de forma independente neste momento.

Implicações para a negociação de paz

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, propôs usar o território que as forças ucranianas mantêm dentro das fronteiras da Rússia, como moeda de troca por parte do território que a Rússia tomou da Ucrânia desde 2014.

Resta saber se as forças ucranianas conseguirão manter qualquer solo russo por tempo suficiente para negociá-lo em uma potencial troca de terras.

Na terça-feira (11), representantes ucranianos expressaram apoio a um acordo de cessar-fogo proposto de 30 dias com a Rússia, que poderia ser potencialmente estendido, a caminho de um acordo de paz total.

Moscou ainda não aceitou a proposta de interrupção dos combates, o que poderia congelar o conflito ao longo de suas atuais linhas de batalha.

Além de anunciar a proposta de cessar-fogo, o governo Trump comunicou que também retomaria o compartilhamento de inteligência dos EUA e outras formas de assistência militar à Ucrânia.

Abordando a proposta de cessar-fogo e os acontecimentos na região de Kursk na quarta-feira (12), Zelensky alegou que a liderança militar da Ucrânia está fazendo o que pode para preservar as vidas de suas forças.

Em uma entrevista à TV Dozhd da Rússia, na quarta-feira (12), o analista russo Ruslan Leviev avaliou que a incursão ucraniana na região de Kursk provavelmente chegará ao fim em breve.

“Talvez essa história acabe hoje”, projetou Leviev. “Talvez eles tentem segurar as vilas da fronteira por mais alguns dias. Mas, no geral, a história da cabeça de ponte de Kursk está chegando ao fim, e as tropas ucranianas estão partindo.”

A Reuters contribuiu para esta reportagem.