Trump sinaliza negociações comerciais difíceis com líder sul-coreano e descarta renegociação

Seul propôs um plano de investimento de US$ 150 bilhões chamado "Make American Shipbuilding Great Again" como parte de um novo acordo comercial.

Por Emel Akan
25/08/2025 16:59 Atualizado: 25/08/2025 16:59
Matéria traduzida e adaptada do inglês, publicada pela matriz americana do Epoch Times.

WASHINGTON — O presidente Donald Trump recebeu o recém-eleito presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, na Casa Branca na segunda-feira para discutir comércio, investimentos e colaboração em defesa. Antes da reunião, Trump comentou sobre a pressão de Seul para renegociar um acordo comercial recentemente finalizado.

“Ouvi dizer que eles querem renegociar o acordo, mas tudo bem. Não me importo com isso”, disse Trump no Salão Oval, sentado ao lado de Lee. “Isso não significa que eles vão conseguir alguma coisa, mas não me importo.”

O presidente dos EUA afirmou que ele e o líder sul-coreano teriam “discussões muito sérias” sobre várias questões, incluindo comércio e parceria na construção naval.

A reunião está ocorrendo menos de um mês após os dois países chegarem à um acordo comercial que permitiu à Coreia do Sul evitar altas tarifas dos EUA.

Em 30 de julho, Seul concordou com uma tarifa de 15% sobre seus produtos que entram nos Estados Unidos, enquanto permite que os produtos americanos entrem na Coreia do Sul sem impostos.

“Concordamos com uma tarifa de 15% para a Coreia do Sul. Os Estados Unidos não serão cobrados nenhuma tarifa”, disse Trump em uma postagem no Truth Social anunciando o acordo.

Trump acrescentou que a Coreia do Sul estaria “completamente aberta ao comércio”, incluindo a aceitação de carros, caminhões e produtos agrícolas americanos.

Segundo o acordo, Seul investirá US$ 350 bilhões em ativos de propriedade dos Estados Unidos escolhidos por Trump e comprará US$ 100 bilhões em gás natural liquefeito e outros produtos energéticos dos Estados Unidos.

Trump acrescentou que a Coreia do Sul planeja “investir uma grande quantia de dinheiro” nos Estados Unidos, com mais detalhes a serem anunciados durante a visita de Lee a Washington.

A Coreia do Sul ocupa o sexto lugar entre os maiores parceiros comerciais dos Estados Unidos. Em 2024, o déficit comercial de bens dos EUA com o país atingiu US$ 66 bilhões, um aumento de quase 29% em relação a 2023.

De acordo com Victor Cha, presidente do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) da Coréia, embora ambos os lados tenham chegado a um acordo comercial e de investimento, muitos detalhes ainda precisam ser acertados durante a próxima reunião na Casa Branca.

Durante uma coletiva de imprensa na semana passada, Cha disse que ambos os lados esperam que os dois líderes desenvolvam uma “boa química”.

Esta será a primeira viagem de Lee a Washington desde que assumiu o cargo após uma eleição presidencial antecipada em junho.

Em dezembro, a Coreia do Sul mergulhou em uma crise política depois que o então presidente Yoon Suk-yeol declarou lei marcial. A medida rapidamente levou ao impeachment de Yoon e sua destituição do cargo em abril. Uma eleição antecipada se seguiu em junho, resultando na vitória de Lee como candidato do liberal Partido Democrático.

Poucas horas antes da reunião na Casa Branca, Trump postou no Truth Social, gerando especulações sobre se os dois líderes seriam capazes de construir um bom relacionamento.

“O QUE ESTÁ ACONTECENDO NA COREIA DO SUL? Parece uma purga ou revolução”, escreveu Trump. “Não podemos permitir isso e fazer negócios lá. Vou me encontrar com o novo presidente hoje na Casa Branca. Obrigado pela atenção a este assunto!!!”.

Quando solicitado a esclarecer sua postagem, Trump disse aos repórteres que ouviu falar de “batidas policiais muito violentas” em igrejas no país nos últimos dias.

“Eles até entraram em nossa base militar e obtiveram informações”, disse Trump aos repórteres antes de sua reunião com Lee. “Ouvi coisas ruins. Não sei se são verdadeiras ou não. Vou descobrir.”

“Tornar a construção naval americana grande novamente”

A Coreia do Sul propôs um plano de investimento de US$ 150 bilhões chamado “Tornar a construção naval americana grande novamente” como parte do acordo tarifário com o governo Trump.

Durante uma coletiva de imprensa em julho, o ministro das Finanças sul-coreano, Koo Yoon-cheol, disse que o objetivo do projeto é ajudar a reconstruir a indústria naval dos EUA usando a expertise da Coreia na área.

As gigantes da construção naval sul-coreanas Hanwha e HD Hyundai já atuavam nos Estados Unidos antes das conversas tarifárias. A Hanwha comprou o estaleiro Philly Shipyard no ano passado e garantiu três contratos com a Marinha dos EUA para manutenção, reparo e operações, enquanto a HD Hyundai assinou um memorando de entendimento com a Huntington Ingalls em abril para acelerar a produção de navios.

De acordo com Cha, a cooperação na construção naval é uma grande prioridade para Trump.

“Os sul-coreanos trabalharam muito para envolver Trump nisso. Eles criaram seu próprio apelido para isso”, disse ele, referindo-se ao plano de construção naval.

No entanto, muitos detalhes do plano ainda não foram finalizados, observou ele.

Após sua reunião com Trump, Lee deve viajar para Filadélfia na terça-feira para visitar o estaleiro Hanwha Philly Shipyard.

Aliança de Defesa e Segurança

Os dois líderes devem discutir a modernização da aliança de segurança entre os EUA e a Coreia do Sul para melhor lidar com as ameaças nucleares da Coreia do Norte, a crescente influência da Rússia e as ações militares agressivas da China comunista na região do Indo-Pacífico.

As discussões podem incluir a flexibilidade estratégica das forças americanas, de acordo com o especialista do CSIS, o que envolve ajustes na postura das tropas americanas na Península Coreana. Os Estados Unidos há muito pedem flexibilidade que permita que suas tropas operem além da dissuasão da Coreia do Norte, incluindo respostas potenciais a uma possível invasão comunista de Taiwan.

Mais de 28.500 militares americanos estão estacionados na Coreia do Sul, de acordo com o Departamento de Estado.

Além disso, Trump pode pressionar por maiores gastos com defesa durante a reunião. Ele pediu que os gastos com defesa se aproximem de 5% do PIB para todos os aliados, e a Coreia do Sul atualmente está em 3,5%. O ministro das Relações Exteriores da Coreia do Sul, Cho Hyun, disse recentemente durante uma sessão da Assembleia Nacional que seu país estaria aberto a aumentar seu orçamento de defesa.

A reunião na Casa Branca ocorrerá enquanto os dois países estão envolvidos nos exercícios militares conjuntos anuais Ulchi Freedom Shield.

Os exercícios, que começaram em 18 de agosto e continuarão até 28 de agosto, estão focados na ameaça dos programas nucleares e de mísseis da Coreia do Norte. Eles incluem treinamento para responder a ataques com mísseis e dissuadir o uso de armas nucleares.

Joseph Lord e Victoria Friedman contribuíram para esta reportagem.