Trump promete que “tarifas massivas” contra Índia permanecerão até que importações de petróleo russo parem

Na semana passada, o presidente dos EUA disse que a Índia havia prometido parar de comprar petróleo da Rússia, dizendo que o primeiro-ministro Narendra Modi havia dado uma garantia.

Por Victoria Friedman
20/10/2025 14:58 Atualizado: 20/10/2025 14:58
Matéria traduzida e adaptada do inglês, publicada pela matriz americana do Epoch Times. 

O presidente Donald Trump disse em 19 de outubro que a Índia vai continuar enfrentando “tarifas pesadas” se continuar comprando petróleo russo.

“Conversei com o primeiro-ministro [Narendra] Modi da Índia, e ele disse que não vai fazer essa coisa do petróleo russo”, disse o presidente aos repórteres a bordo do Air Force One, repetindo as garantias anteriores que ele disse ter recebido do primeiro-ministro indiano.

Trump acrescentou que, se a Índia não cumprir isso, “eles continuarão pagando tarifas pesadas, e eles não querem fazer isso”.

As declarações foram feitas em meio à crescente pressão que o presidente dos EUA está exercendo sobre os parceiros internacionais para que parem de comprar petróleo russo, que, segundo ele, está financiando a guerra contra a Ucrânia.

Na semana passada, o presidente dos EUA disse que a Índia se comprometeu a parar de comprar petróleo da Rússia, afirmando que Modi havia dado essa garantia em 15 de outubro.

“Isso é um grande passo”, disse Trump aos repórteres no Salão Oval durante uma coletiva de imprensa em 15 de outubro. “Agora [eu] preciso fazer com que a China faça a mesma coisa”.

Em agosto, Trump, que está em conversas comerciais com a Índia, dobrou as tarifas sobre o país do sul da Ásia para 50%, ligando o aumento à compra de petróleo russo.

Em um decreto de 6 de agosto, Trump disse que o governo indiano está “atualmente importando, direta ou indiretamente, petróleo da Federação Russa”.

“Assim, e de acordo com a lei aplicável, os artigos da Índia importados para o território aduaneiro dos Estados Unidos estarão sujeitos a uma alíquota adicional ad valorem de 25%”, afirmou a ordem executiva.

Parceiro comercial da Rússia

Nos últimos anos, a Índia se tornou um dos parceiros comerciais mais importantes da Rússia, com o comércio bilateral anual chegando a quase US$ 69 bilhões. O rápido aumento no comércio foi impulsionado principalmente pelas compras de energia.

Antes da Rússia invadir a Ucrânia, as importações anuais de petróleo bruto da Índia provenientes da Rússia oscilavam em torno de US$ 1 bilhão. Desde o início da guerra, as importações dispararam, atingindo US$ 25,5 bilhões em 2022, US$ 48,6 bilhões em 2023 e US$ 52,7 bilhões em 2024, de acordo com o banco de dados Comtrade da ONU.

Especialistas do think tank Observer Research Foundation estimam que a Índia é responsável por mais de um terço das exportações de petróleo bruto da Rússia, atrás da China, com 50% do mercado.

O Epoch Times entrou em contato com o governo indiano para comentar, mas não recebeu resposta até o momento da publicação.

Pressão sobre parceiros internacionais

O governo Trump também tentou pressionar outros países, incluindo os da Europa.

Em 4 de setembro, o presidente pediu aos líderes europeus que suspendessem as compras de petróleo russo e os instou a exercer pressão econômica sobre Pequim por apoiar os esforços de guerra do Kremlin.

Durante uma cúpula dos aliados da Ucrânia, Trump disse que a Rússia ganhou cerca de 1,1 bilhão de euros (1,28 bilhão) com as vendas de combustível à União Europeia no ano passado, receita que, segundo o presidente dos EUA, estava ajudando a sustentar a campanha militar.

Em 12 de setembro, os ministros das Finanças do G7 — que inclui Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Reino Unido e Estados Unidos — realizaram uma videoconferência na qual discutiram os apelos dos EUA para impor tarifas à China e à Índia a fim de pressioná-las a parar de comprar petróleo russo.

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse aos ministros das Finanças do G7 que eles deveriam se juntar aos Estados Unidos na imposição de tarifas secundárias aos países que compram petróleo da Rússia, incluindo China e Índia, de acordo com uma declaração de Bessent e do representante comercial dos EUA, Jamieson Greer.

“Somente com um esforço unificado que corte na fonte as receitas que financiam a máquina de guerra do líder russo Vladimir Putin seremos capazes de aplicar pressão econômica suficiente para acabar com as mortes sem sentido”, disseram Bessent e Greer no comunicado.

Emel Akan, Andrew Moran, Alex Wu e Reuters contribuíram para esta reportagem.