O Ministério da Defesa da Rússia anunciou, nesta segunda-feira (27), o envio do submarino nuclear K-562 Arkhangelsk para sua base definitiva na Frota do Norte, localizada a cerca de 60 km da fronteira com a Noruega — país integrante da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
O movimento aumenta a presença militar russa no Ártico, região que tem se tornado um ponto estratégico de disputas geopolíticas devido ao derretimento das geleiras e à abertura de novas rotas marítimas.
O K-562 Arkhangelsk, da classe Yasen-M, é o submarino mais moderno da frota russa, destacando-se por sua tecnologia avançada. Equipado com mísseis hipersônicos, de cruzeiro e antinavio, o submarino tem capacidade para lançar até 32 mísseis por missão.
Além disso, é dotado de 10 tubos de lançamento de torpedos pesados Futlyar, permitindo que opere a profundidades de até 600 metros e execute missões de até 100 dias sem emergir.
A escolha da base Zapadnaia Litsa, no Mar de Barents, não é por acaso. A proximidade com a Noruega aumenta as tensões na região, principalmente diante da crescente presença militar russa no Ártico. A Frota do Norte tem como missão proteger a fronteira norte da Rússia e monitorar o tráfego na Rota do Mar do Norte.
A transferência do Arkhangelsk ocorre em um momento de intensificação das tensões no Ártico, exacerbadas pela disputa territorial e o interesse de grandes potências pela região.
A Rússia reivindica uma parte significativa do Ártico, cujos recursos naturais e novas rotas comerciais estão atraindo a atenção de outros países, especialmente da Otan.
Recentemente, declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a possível anexação da Groenlândia — território pertencente à Dinamarca há 210 anos —, reforçaram a preocupação russa com a competição pela influência no Ártico.
A movimentação também reflete a reformulação da Marinha Russa, que está investindo na modernização de sua frota após perdas robustas durante o conflito com a Ucrânia.
O K-562 Arkhangelsk, cujo custo de produção é estimado em US$ 1 bilhão, é um dos principais avanços nessa estratégia, com a Rússia planejando a construção de 12 submarinos dessa classe.
Em setembro de 2024, a Rússia realizou o maior exercício naval pós-Guerra Fria. O treinamento contou com a presença do líder do regime, Vladimir Putin, além da participação da China.



