A quarta-feira, seguindo o padrão dos últimos dias, foi agitada. Nos Estados Unidos da América, a Suprema Corte do país bloqueou uma ordem judicial que obrigava o governo Trump a recontratar 16 mil servidores demitidos.
O juiz que havia emitido a ordem entendeu que as demissões, feitas devido aos trabalhos do Departamento de Eficiência Governamental, liderada por Elon Musk, eram ilegais e motivadas por uma tentativa de enfraquecer programas públicos do governo.
Trump considera que é competência do presidente administrar os recursos, o que foi apoiado pela Suprema Corte em uma votação de 5 a 4.
Trump pressiona China com tarifaços
E se Trump corta custos por um lado, por outro ele tenta aumentar a arrecadação. Na quarta-feira também entrou em vigor a tarifa de 104% imposta sobre produtos importados da China. A medida foi executada depois que Pequim se recusou a revogar uma retaliação de 34% contra produtos americanos.
A Casa Branca afirmou que esse foi o erro da China e que retaliaria igualmente qualquer país que seguisse o exemplo chinês.
A China, por sua vez, afirmou que vai “lutar até o fim”, publicaram um vídeo provocativo do ex-presidente dos EUA, Ronald Reagan, em 1987, criticando políticas tarifárias — dizendo que elas “funcionam só por pouco tempo” — e aumentando as tarifas sobre produtos americanos de 34% para 84%.
Os EUA responderam de uma maneira dura. Em uma publicação na sua rede social Social Truth, Trump anunciou que as tarifas sobre o regime chinês, antes em 104%, seriam imediatamente aumentadas para 125%. Por outro lado, as barreiras tarifárias para 75 países que foram até os Estados Unidos em busca de negociação como a Itália, Israel, Coreia do Sul, Brasil, entre outros, teriam 90 dias sem tarifas extras para negociar com o governo americano.

China novamente é acusada de perseguição e espionagem
A China ainda está sendo acusada de espionar minorias na europa. O ministério público da Suécia pediu a prisão preventiva de um homem suspeito de espionar uigures a serviço do regime chinês.

Segundo o promotor, o suspeito coletava informações ilegalmente para a inteligência chinesa. Não foi revelado a nacionalidade do indivíduo. Ele já está preso em Estocolmo, capital da Suécia.
Pequim nega abusos, mas é acusada por entidades internacionais de promover detenções em massa e violações de direitos humanos contra uigures na região de Xinjiang, na China, e praticantes da prática meditativa Falun Gong.
Agências de inteligência do ocidente também alertaram para o uso de aplicativos maliciosos criados pela china para espionar defensores de direitos humanos e moradores tibetanos e taiwaneses. A denúncia foi feita pelos EUA, Reino Unido, Alemanha, Austrália, Canadá e Nova Zelândia.
O relatório detalha como esses aplicativos operam e conseguem acesso a câmeras, microfones e localização das vítimas.
Segundo comunicado do centro nacional de segurança cibernética, os alvos desses ataques incluem minorias étnicas bem como praticantes do falun gong que vem sofrendo perseguição pelo Partido Comunista Chinês desde 1999.
China nega interferência em guerra Rússia/Ucrânia
Pequim também negou novamente que os chineses estão lutando ao lado da Rússia na guerra contra a Ucrânia.
Na terça-feira (8) dois chineses foram capturados pela Ucrânia lutando ao lado dos russos. Apesar disso, o Ministério das Relações Exteriores da China afirmou que a denúncia de Zelensky era “totalmente infundada” e que Pequim orienta seus cidadãos a não participarem de conflitos armados.

Moscou investiga morte de civis
Um dia após os ataques russos que mataram civis na Ucrânia, Moscou diz investigar a morte de oito civis em região reocupada na fronteira pela Ucrânia.
Segundo o Comitê de Investigação da Rússia, ucranianos teriam atacado moradores durante uma evacuação em Kursk, entre março e abril.

Kiev ainda não se pronunciou, e as acusações acontecem dias depois de Zelensky confirmar presença de tropas ucranianas no território russo.
Hezbollah pode se desarmar?
No Oriente Médio, em conversa com a Reuters, o Hezbollah sinalizou estar disposto a discutir seu desarmamento, caso Israel se retire completamente do sul do Líbano e cesse os ataques contra a região.

O sul do Líbano, atualmente dominado em parte por Israel, já foi comandada antes de setembro de 2024 completamente pelo Hezbollah.
A mudança de postura do grupo terrorista ocorre após os ataques citados de 2024 de Israel. O grupo também enfraqueceu militarmente e teve sua logística com o Irã cortada, após a queda de Bashar al-Assad na Síria.
Os EUA apoiam o desarme do Hezbollah e dizem que o exército libanês deve assumir a tarefa de governar a região. Israel também exige o fim da presença militar do grupo no sul.
Senado brasileiro adia votação que proíbe reeleições
Enquanto isso, no Brasil a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado retirou de pauta a análise da proposta que acaba com a possibilidade de reeleição para presidente, governadores e prefeitos. O relator, Marcelo Castro (MDS-PI), pediu mais tempo para terminar novas edições no texto original.

O texto também estabelece um mandato único de 5 anos para os cargos do executivo.
A proposta inclui ainda a unificação das eleições gerais e municipais, com adoção de um calendário único a partir de 2030.
Retorno da exigência de vistos — ao menos temporariamente
O Brasil também voltará a exigir visto de entrada para cidadãos dos Estados Unidos, Canadá e Austrália, conforme decisão do executivo. Lula entende que esses países, devido a exigirem visto do Brasil, devem ser tratados com reciprocidade.
Em março, o Senado aprovou um projeto que suspende a exigência, mas enquanto o texto não é aprovado na Câmara, a regra segue sendo determinada pelo executivo.
Privilégios?
E finalizando alguns dos principais acontecimentos do dia, o príncipe Laurent, irmão do rei Philippe da Bélgica, alegou que sua mesada anual de 388 mil euros — cerca de R$ 2,5 milhões — é insuficiente para cobrir seus gastos.

Ele pediu ao governo os mesmos benefícios concedidos a empresários autônomos, mas a justiça belga negou, dizendo que suas funções se assemelham às de servidores públicos, sem direito à aposentadoria pública.
Segundo o jornal inglês Daily Mail, o príncipe vive com a família em alojamentos da coroa, sem pagar aluguel, e é primo de sexto grau do rei Charles III do Reino Unido.
O dia de hoje na história
1682 — França reivindica o vale do Mississippi
Em 9 de abril de 1682, o explorador francês René Robert Cavelier de La Salle chegou à foz do rio Mississippi, após percorrê-lo desde os Grandes Lagos até o Golfo do México.

Na ocasião, La Salle reivindicou toda a bacia do Mississippi para a França, batizando a região de “Luisiana” em homenagem ao rei Luís XIV. A ação representou uma das mais ambiciosas tentativas francesas de expansão territorial na América do Norte.
A conquista ampliou significativamente a presença francesa no continente, criando tensões futuras com potências rivais como Inglaterra e Espanha.
1784 — Fim formal da Guerra da Independência dos EUA
Em 9 de abril de 1784, o rei Jorge III do Reino Unido ratificou o Tratado de Paris, encerrando oficialmente a Guerra da Independência dos Estados Unidos.

O documento havia sido previamente ratificado pelo Congresso americano em 14 de janeiro. Em 12 de maio, cópias ratificadas foram trocadas entre os dois países, consolidando a paz e o reconhecimento da independência americana.
O tratado definiu fronteiras, direitos pesqueiros e questões de restituição de propriedades, dando início à nova fase da história dos Estados Unidos como nação soberana.
1867 — Senado americano aprova a compra do Alasca
No dia 9 de abril de 1867, o Senado dos Estados Unidos ratificou o tratado de compra do Alasca, assinado com a Rússia Imperial.

O acordo, conhecido como “Compra do Alasca”, envolveu o pagamento de 7,2 milhões de dólares por mais de 1,5 milhão de quilômetros quadrados de território.
Embora inicialmente criticada como um “desperdício de dinheiro”, a aquisição se revelou estratégica e valiosa, sobretudo após a descoberta de grandes reservas de petróleo e ouro na região.
1909 — Aprovada a Lei Tarifária Payne-Aldrich nos EUA
Em 9 de abril de 1909, o Congresso dos Estados Unidos aprovou a Lei Tarifária Payne-Aldrich, uma reforma fiscal voltada à revisão das tarifas de importação.

A proposta visava reduzir algumas tarifas, mas acabou mantendo muitas taxas elevadas, o que gerou críticas de setores progressistas e da população.
A aprovação da lei teve impacto político considerável, contribuindo para divisões dentro do Partido Republicano e afetando a popularidade do então presidente William H. Taft.
1941 — Fundação da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN)
Em 9 de abril de 1941, o presidente Getúlio Vargas assinou o decreto de criação da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), uma das maiores estatais do setor industrial brasileiro.

A fundação da CSN foi resultado direto dos Acordos de Washington, firmados entre Brasil e Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial. Como parte das negociações, os EUA ofereceram apoio financeiro e técnico à instalação de uma grande usina siderúrgica em troca da colaboração brasileira no esforço de guerra.
Localizada em Volta Redonda (RJ), a CSN tornou-se símbolo da industrialização nacional e desempenhou papel estratégico no desenvolvimento econômico do país nas décadas seguintes.
1991 — Geórgia declara independência da URSS
Em 9 de abril de 1991, a República da Geórgia declarou oficialmente sua independência da União Soviética, tornando-se uma das primeiras repúblicas soviéticas a romper com Moscou.

A decisão foi impulsionada por um forte movimento nacionalista interno e pelo colapso progressivo do regime comunista soviético.
A independência da Geórgia marcou o início de uma nova fase política no Cáucaso e antecipou a dissolução completa da URSS, que ocorreria ainda naquele ano.



