Matéria traduzida e adaptada do inglês, publicada pela matriz americana do Epoch Times.
Um empréstimo da União Europeia à Ucrânia, pago com ativos russos congelados, seria utilizado para financiar a indústria de defesa do bloco, afirmou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em 30 de setembro.
Em declarações ao lado do secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, em Bruxelas, von der Leyen afirmou que, embora as sanções econômicas contra a Rússia estivessem funcionando, era necessária uma “solução mais estrutural” para o apoio militar a Kiev.
“É por isso que apresentei a ideia de um empréstimo de reparação com base nos ativos soberanos russos imobilizados”, afirmou.
“O empréstimo não seria desembolsado de uma só vez, mas em parcelas e com condições associadas. E fortaleceremos nossa própria indústria de defesa, garantindo que parte do empréstimo seja utilizada para aquisições na Europa e com a Europa”.
Ela continuou dizendo que a medida não envolveria a apreensão de ativos, mas que “a Ucrânia terá que reembolsar o empréstimo, se a Rússia estiver pagando reparações”.
“O perpetrador deve ser responsabilizado”, acrescentou von der Leyen.
Os detalhes precisos de como o plano seria colocado em prática e o valor exato emprestado à Ucrânia ainda não foram revelados.
Até agora, a UE tem recebido apenas os juros gerados pelos ativos russos, que foram congelados após a invasão da Ucrânia por Moscou em fevereiro de 2022, em meio a preocupações expressas pela Alemanha e pela França sobre sua legalidade.
No entanto, os comentários de von der Leyen vêm poucos dias depois que o chanceler alemão Friedrich Merz fez um apelo semelhante para usar os ativos congelados como parte do esforço de guerra, indicando uma mudança significativa na atitude de Berlim em relação à ideia.
Merz apresentou sua proposta em um artigo no Financial Times em 26 de setembro e também delineou seus planos em uma série de posts no X.
O líder alemão sugeriu que a UE concedesse à Ucrânia um empréstimo sem juros de quase 140 bilhões de euros (US$ 164,5 bilhões).
“Esse empréstimo só seria reembolsado depois que a Rússia compensasse a Ucrânia pelos danos causados durante esta guerra. Até lá, os ativos russos permanecerão congelados, conforme decidido pelo Conselho Europeu”, escreveu Merz.
Ele continuou dizendo que a assistência “exigirá garantias orçamentárias dos Estados-membros” inicialmente, mas que essas garantias bilaterais devem ser substituídas por uma garantia colateralizada da UE assim que o próximo Quadro Financeiro Plurianual do bloco estiver em vigor em 2028.
“Precisamos de um novo impulso para mudar os cálculos da Rússia”, acrescentou Merz no comentário.
“Agora é o momento de aplicar uma alavanca eficaz que perturbe o jogo cínico do presidente russo de ganhar tempo e o traga para a mesa de negociações”.
Ele continuou propondo que os líderes dos Estados-membros da UE deveriam — no Conselho Europeu a ser realizado no final deste mês — “dar o mandato para preparar este instrumento de forma juridicamente segura”.
A Rússia afirmou no passado que qualquer medida desse tipo seria ilegal e, no início deste mês, o presidente russo Vladimir Putin disse que isso prejudicaria a economia global.
“Os mais inteligentes não querem [aproveitar-se dos ativos congelados da Rússia]. Sim, é verdade, sem qualquer ironia e sem ‘atacar’ os mais estúpidos, porque os mais inteligentes são pessoas que lidam com finanças, economia”, afirmou Putin em 3 de setembro, de acordo com a agência de notícias estatal russa TASS.
“Eles entendem que isso destruirá completamente todos os princípios das atividades econômicas e financeiras internacionais e, sem dúvida, causará um enorme dano a toda a economia global e às finanças internacionais”.
É provável que o plano seja discutido na cúpula de líderes da UE, que acontecerá em Copenhague, na Dinamarca, em 1º de outubro, juntamente com discussões sobre outros fatores relacionados ao apoio à Ucrânia e ao caminho de Kiev para ingressar no bloco.



