A Embaixada do Brasil em Kinshasa, capital da República Democrática do Congo (RDC), foi atacada na terça-feira (28) durante protestos deflagrados pela escalada da violência no leste do país. O Ministério das Relações Exteriores confirmou que a bandeira brasileira foi retirada e levada pelos manifestantes, mas informou que os diplomatas brasileiros não sofreram ferimentos.
O governo brasileiro emitiu um comunicado expressando “grave preocupação com os ataques a representações diplomáticas estrangeiras ocorridos… em Kinshasa, capital da República Democrática do Congo, inclusive à Embaixada do Brasil, cuja bandeira foi retirada e levada pela multidão”.
A nota enfatizou que “o encarregado de negócios e funcionários da embaixada não foram atingidos nesse incidente” e reafirmou a expectativa de que o governo congolês tome as medidas necessárias para garantir a segurança das missões diplomáticas no país.
Além da embaixada brasileira, outros postos diplomáticos foram alvo de ataques, incluindo as representações dos Estados Unidos, França, Bélgica e Ruanda. Os protestos ocorreram no contexto da intensificação do conflito na região de Goma, no leste da RDC, onde o grupo rebelde Movimento 23 de Março (M23), com o apoio das Forças Armadas de Ruanda, assumiu o controle da cidade no domingo (26).
Avanço do M23 e apoio de Ruanda
A crise em Goma se agravou com a ofensiva do M23, um grupo de origem tutsi que retomou suas atividades militares em 2021 e desde então tem avançado sobre territórios controlados pelo governo congolês. A ocupação de Goma, cidade estratégica com cerca de um milhão de habitantes, marca uma das maiores vitórias do grupo rebelde nos últimos anos.
O governo congolês acusa Ruanda de apoiar diretamente o M23, fornecendo armamento e tropas para as operações militares.
De acordo com a organização Human Rights Watch, as forças ruandesas e os rebeldes foram responsáveis por bombardeios indiscriminados que atingiram civis e campos de deslocados próximos a Goma. O relatório também aponta que as Forças Armadas congolesas e grupos aliados realizaram ataques que comprometeram a segurança da população civil.
Diante da crise, milhares de moradores tentaram fugir de Goma para Ruanda, mas encontraram as fronteiras fechadas.
A escalada da violência já resultou na morte de pelo menos 13 integrantes da Missão da ONU para a Estabilização da República Democrática do Congo (MONUSCO) e da missão da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral na RDC (SAMIRDC), condenada veementemente pelo governo brasileiro.
“O Brasil condena de forma veemente os ataques a tropas da MONUSCO e da SAMIRDC, que resultaram, até o momento, na morte de 13 de seus integrantes”, afirmou o Itamaraty em nota oficial. O comunicado também destacou que o Brasil é um contribuinte tradicional da MONUSCO e que atualmente 22 militares brasileiros integram a missão.



