Durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP29), na segunda-feira (18), o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) destacou que o Brasil tem condições de dobrar sua produção de alimentos sem realizar nenhum desmatamento adicional.
A afirmação se baseia no potencial de recuperação de pastagens degradadas, uma área que pode chegar a 40 milhões de hectares. Essas pastagens podem ser convertidas para o uso na produção de alimentos de forma sustentável.
Essa é uma estratégia que visa maximizar a eficiência produtiva e contribuir para o cumprimento dos compromissos ambientais internacionais do país.
Para o Ministério da Agricultura, a recuperação das pastagens degradadas é uma resposta tanto à necessidade de aumentar a produção de alimentos quanto às crescentes pressões globais pela sustentabilidade.
O Brasil, ao lado de outros grandes produtores agrícolas, se posiciona cada vez mais como líder em práticas sustentáveis no setor agropecuário.
De acordo com uma pesquisa global realizada pela consultoria McKinsey, 55% dos produtores rurais brasileiros utilizam produtos biológicos no controle de pragas e no crescimento das plantas. Em contrapartida, na União Europeia o uso desses produtos está presente em 23% da produção rural e 6% nos Estados Unidos.
O mercado de bioinsumos no Brasil cresce à taxa de 50% ao ano, bem acima da média mundial de 15%.
A adoção de bioestimulantes também é destaque, sendo utilizada por cerca de 50% dos produtores brasileiros, enquanto a adesão na União Europeia é de 28%.
O Brasil também lidera na utilização de biofertilizantes, com 36% dos agricultores fazendo uso deste tipo de insumo.
O Brasil também tem adotado outras práticas de cultivo sustentável, como o plantio direto e o sistema Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF). Atualmente, o ILPF cobre 18 milhões de hectares e tem potencial para dobrar de tamanho até 2030.
Segundo a McKinsey, 83% dos produtores brasileiros já aderiram ao plantio direto, técnica em que a palhada do cultivo anterior permanece na lavoura, sem revolvimento do solo para reduzir erosão, conservar umidade e melhorar a absorção de nutrientes.
Os novos gestores das propriedades rurais têm buscado não apenas melhorar a produtividade, mas também investir em práticas que garantam a aceitabilidade dos produtos brasileiros nos mercados externos.
Essa abordagem foi bem recebida na conferência internacional, especialmente em um contexto em que a sustentabilidade e a conformidade com exigências ambientais, como o Green Deal da União Europeia, se tornaram imperativos para os países que desejam manter suas posições no mercado global.
Desta forma, o Brasil apresenta um contraponto forte aos críticos do agronegócio e busca solidificar sua imagem de parceiro comprometido com a produção alimentar responsável e inovadora.



