Bélgica reconhecerá Estado Palestino na Assembleia Geral da ONU

A Bélgica disse que assinaria a Declaração de Nova Iorque, juntamente com França, Reino Unido, Canadá, Austrália e Arábia Saudita.

Por Chris Summers
02/09/2025 15:07 Atualizado: 02/09/2025 15:07
Matéria traduzida e adaptada do inglês, publicada pela matriz americana do Epoch Times.

O governo belga anunciou em 2 de setembro que reconheceria um Estado palestino na Assembleia Geral das Nações Unidas no final deste mês, seguindo medidas semelhantes tomadas pela França, Grã-Bretanha, Canadá e Austrália.

“A Palestina será reconhecida pela Bélgica na sessão da ONU! E sanções firmes estão sendo impostas ao governo israelense”, escreveu o ministro das Relações Exteriores, Maxime Prevot, no X.

“Qualquer antissemitismo ou glorificação do terrorismo por parte dos apoiadores do Hamas também será denunciado com mais veemência”, acrescentou.

O anúncio da Bélgica ocorreu poucas horas depois de Israel lançar ataques aéreos em toda a Faixa de Gaza em 1º de setembro.

Israel está conduzindo uma nova ofensiva contra o Hamas em Gaza, após o fracasso das conversas para um cessar-fogo. Israel afirma que seu alvo é apenas o Hamas, que acusa de se estabelecer deliberadamente em áreas civis.

Em 31 de agosto, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, disse que os ataques israelenses mataram Abu Obeida, que era o porta-voz de longa data do Hamas em Gaza.

Israel matou a maioria dos líderes militares e políticos do Hamas desde que o grupo terrorista — que se recusa a reconhecer o Estado judeu — lançou um ataque contra Israel em 7 de outubro de 2023, matando 1.200 israelenses e sequestrando 251 pessoas.

Cerca de 50 reféns ainda estão detidos em Gaza, dos quais apenas 20 são considerados vivos por Israel.

No mês passado, um relatório da Classificação Integrada de Segurança Alimentar, um grupo independente de organizações de ajuda humanitária e intergovernamentais que monitora as condições globais de fome, afirmou que a escassez de alimentos na Faixa de Gaza atingiu o nível de fome.

“Tragédia humanitária”

“Em vista da tragédia humanitária que se desenrola na Palestina, particularmente em Gaza, e diante da violência perpetrada por Israel em violação ao direito internacional, e dadas suas obrigações internacionais, incluindo o dever de prevenir qualquer risco de genocídio, a Bélgica teve que tomar decisões firmes para aumentar a pressão sobre o governo israelense e os terroristas do Hamas”, escreveu Prevot no X.

Bruxelas disse que assinará a Declaração de Nova Iorque, juntamente com a França, Grã-Bretanha, Canadá, Austrália, Arábia Saudita e vários outros países, que, segundo Prevot, “traça o caminho para uma solução de dois Estados”.

Em 29 de agosto, o Departamento de Estado dos EUA disse que não concederia vistos a Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Palestina (AP), e a outros líderes da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) que queriam participar da sessão da Assembleia Geral da ONU.

“É do interesse da nossa segurança nacional responsabilizar a OLP e a AP por não cumprirem seus compromissos e por minarem as perspectivas de paz”, afirmou o departamento em um comunicado.

A AP considera o território da Cisjordânia — conquistado por Israel em 1967 durante a Guerra dos Seis Dias — e Gaza como seu território, e considera Jerusalém Oriental sua capital.

Mas os Estados Unidos, que reconheceram Jerusalém como capital de Israel em dezembro de 2017, afirmam que um Estado palestino não pode ser criado sem o acordo de Israel.

Netanyahu: reconhecimento é “recompensa” ao terrorismo

Depois que a França anunciou que reconheceria um Estado palestino, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu disse que a medida “recompensaria o terrorismo” e arriscaria a criação do que ele descreveu como “outro representante do Irã”.

Durante uma entrevista à Sky News Australia no mês passado, Netanyahu disse que o Hamas tinha um “Estado de fato em Gaza — e eles o usam para assassinatos, pilhagens e crimes monstruosos, o que é recompensar o terrorismo”.

No mês passado, durante uma visita a um novo assentamento israelense proposto perto de Jerusalém, o ministro das Finanças israelense, Bezalel Smotrich, disse: “Essa realidade finalmente enterra a ideia de um Estado palestino, porque não há nada para reconhecer e ninguém para reconhecer”.

O Ministério da Saúde controlado pelo Hamas em Gaza afirma que 63.557 palestinos foram mortos desde 7 de outubro de 2023.

Em 31 de agosto, a Associação Internacional de Estudiosos do Genocídio — que tem cerca de 500 membros — aprovou uma resolução afirmando que “as políticas e ações de Israel em Gaza atendem à definição legal de genocídio”.

O Ministério das Relações Exteriores de Israel disse que a resolução era “um embaraço para a profissão jurídica e para qualquer padrão acadêmico” e era “totalmente baseada na campanha de mentiras do Hamas”.

A Associated Press e a Reuters contribuíram para esta reportagem.