Matéria traduzida e adaptada do inglês, publicada pela matriz americana do Epoch Times.
Dias após sua reunião com o líder russo, Vladimir Putin, o presidente Donald Trump recebeu o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e líderes europeus na Casa Branca.
As reuniões de 18 de agosto ressaltaram a importância dos recentes esforços diplomáticos dos Estados Unidos para resolver a guerra entre a Rússia e a Ucrânia. A última rodada preparou o terreno para uma possível cúpula trilateral entre Trump, Putin e Zelensky.
Os líderes europeus e Zelensky mostraram-se otimistas, especialmente depois que Trump afirmou que os Estados Unidos ajudariam a Ucrânia com a segurança em um acordo de paz.
Após a reunião, o presidente dos EUA escreveu nas redes sociais que havia ligado para Putin para marcar conversas bilaterais entre o líder russo e Zelensky. Essas conversas seriam seguidas por conversas trilaterais envolvendo Putin, Zelensky e Trump.
Meses após uma tentativa anterior de cessar-fogo não ter conseguido atrair a Rússia para a mesa de negociações, Trump reconheceu os desafios em buscar o fim de uma guerra que causou centenas de milhares, se não mais de um milhão, de mortes.

“Pensei que esta seria uma das mais fáceis. Na verdade, é uma das mais difíceis”, disse ele durante uma coletiva de imprensa antes de sua reunião multilateral com líderes europeus.
“Temos que dar o nosso melhor”, afirmou.
Aqui estão seis pontos principais da cúpula na Casa Branca.
1. Avanço nas garantias de segurança
Mark Rutte, secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), disse que Trump “quebrou o impasse” com Putin por meio de um diálogo diplomático que começou a tomar forma no início deste ano.
Em sua reunião anterior com Zelensky, Trump afirmou que os Estados Unidos ajudariam a Europa com garantias de segurança para a Ucrânia.
“Eles querem oferecer proteção e estão muito convictos disso, e nós os ajudaremos”, disse Trump. “Acho muito importante que o acordo seja fechado”.
Em sua postagem no Truth Social, Trump afirmou que o possível apoio viria da Europa e com a coordenação dos Estados Unidos.
“O fato de você ter dito que ‘estou disposto a participar das garantias de segurança’ é um grande passo”, disse Rutte, descrevendo-o como “um avanço”.
Zelensky descreveu as possíveis garantias de segurança dos EUA como “muito importantes”.
A natureza exata das garantias de segurança permanece em aberto, mas o governo Trump ofereceu algumas pistas que foram recebidas de forma positiva pelos europeus.
Em 17 de agosto, o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, disse a Jake Tapper, da CNN, que a segurança seria semelhante à garantida aos membros da OTAN pelo Artigo 5º do Tratado do Atlântico Norte.
Durante a reunião de segunda-feira, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, falou sobre o progresso em “garantias de segurança semelhantes ao Artigo 5º”. Ela também enfatizou o quão cruciais seriam tais garantias.
De acordo com o Artigo 5º, um ataque a qualquer membro da OTAN desencadeia uma resposta coletiva de todos os membros.
Mas essas proteções semelhantes às do Artigo 5º podem ter que ser alcançadas juntamente com a promessa de manter a Ucrânia fora da OTAN. O interesse da Ucrânia em aderir à organização aumentou as preocupações da Rússia antes da invasão do país vizinho.
Em uma publicação no Truth Social no final do dia 17 de agosto, Trump sugeriu que Zelensky poderia pôr fim à guerra cedendo a Crimeia e não entrando na OTAN.

2. Tom mais amigável do que na reunião anterior
A reunião de segunda-feira entre Trump e Zelensky no Salão Oval deixou uma impressão diferente do encontro controverso de fevereiro, que foi interrompido após Zelensky e o vice-presidente JD Vance entrarem em uma discussão acalorada. Depois disso, os Estados Unidos cortaram brevemente a ajuda à Ucrânia.
Desta vez, Trump encontrou Zelensky no pórtico da Casa Branca com um sorriso e um aperto de mão.
Vance não se pronunciou e, ao contrário da última vez, Zelensky vestia um terno preto de estilo militar. Trump elogiou a roupa.
O líder ucraniano expressou sua gratidão a Trump pela carta de sua esposa Melania a Putin, na qual ela pedia que ele considerasse a inocência das crianças e pusesse fim à guerra.
Durante a reunião de fevereiro, Trump disse a Zelensky: “Você não tem as cartas na mão agora”.
Em 18 de agosto, Trump se recusou a dizer a um repórter se a Rússia ou a Ucrânia estavam em melhor posição.
O respeito mútuo também permeou uma troca pública posterior entre Trump, Zelensky e líderes europeus importantes.
Giorgia Meloni, primeira-ministra da Itália, deu crédito a Trump por trazer Putin à mesa de negociações.
Alexander Stubb, presidente da Finlândia, afirmou: “Acho que, nas últimas duas semanas, provavelmente tivemos mais progresso para acabar com esta guerra do que nos últimos três anos e meio”.
Logo depois, Trump foi ouvido elogiando o jogo de golfe de Stubb.
3. Cessar-fogo não é mais pré-requisito para acordo de paz, diz Trump
Trump chegou à reunião com Putin em 15 de agosto em busca de um acordo de cessar-fogo.
“Não sei se será hoje. Mas não ficarei feliz se não for hoje”, disse ele no Air Force One a caminho da cúpula no Alasca.

Posteriormente, no entanto, o presidente minimizou as expectativas de um cessar-fogo.
Durante sua coletiva de imprensa com Zelensky, Trump sugeriu que um cessar-fogo talvez não fosse necessário.
“Gosto do conceito de cessar-fogo por uma razão: porque você pararia de matar pessoas imediatamente, em vez de em duas semanas, uma semana ou o tempo que fosse necessário. Mas podemos chegar a um acordo em que trabalhamos por um acordo de paz enquanto eles lutam”, disse ele.
Ele abordou a questão novamente durante uma reunião com Zelensky e outros líderes europeus.
“Todos nós obviamente preferiríamos um cessar-fogo imediato enquanto trabalhamos por uma paz duradoura, e talvez algo assim possa acontecer”, disse Trump aos líderes europeus. “Neste momento, isso não está acontecendo”.
O chanceler alemão Friedrich Merz pressionou Trump sobre a questão, sugerindo que seria fundamental para o progresso futuro em direção a uma paz duradoura, particularmente em conjunto com uma esperada reunião entre Trump, Putin e Zelensky.
“A credibilidade desses esforços, dos esforços que estamos empreendendo hoje, depende de pelo menos um cessar-fogo desde o início das negociações sérias a partir da próxima etapa”, afirmou.
4. Trocas territoriais no horizonte
Discussões sobre trocas territoriais — provavelmente um componente de qualquer acordo de paz — também fizeram parte da reunião de 18 de agosto.
A Ucrânia está sob pressão para ceder a Crimeia, um território que a Rússia anexou em 2014.
O país do Leste Europeu também pode enfrentar perdas em Donbas, uma região predominantemente russófona do leste da Ucrânia que agora está em grande parte sob controle russo.

Trump abordou o assunto durante sua reunião multilateral com Zelensky e líderes europeus importantes.
“Também precisamos discutir as possíveis trocas de território, levando em consideração a linha de contato atual — ou seja, a zona de guerra”, afirmou o presidente.
Zelensky também abordou o tema, referindo-se às fronteiras territoriais como uma das várias “questões delicadas” que seriam objeto de conversa durante uma futura reunião trilateral envolvendo ele, Trump e Putin, organizada por Trump.
5. Reunião trilateral ganha força
Vários líderes manifestaram interesse em avançar com uma eventual discussão entre representantes da Ucrânia, da Rússia e dos Estados Unidos.
“Se tudo correr bem hoje, teremos uma [reunião trilateral], e acredito que haverá uma chance razoável de encerrar a guerra quando fizermos isso”, afirmou Trump antes de iniciar sua primeira reunião com Zelensky.
Ele reiterou esse interesse no Truth Social no final do dia 18 de agosto, afirmando que isso ocorreria após as conversas bilaterais entre Putin e Zelensky.
O primeiro-ministro britânico Keir Starmer disse que “uma reunião trilateral parece ser o próximo passo sensato”.
Starmer agradeceu ainda a Trump por estar disposto a promover tal discussão.
Assim como Merz, o presidente francês Emmanuel Macron pediu alguma forma de pausa nos combates antes que uma reunião trilateral ocorra.
Macron também disse que as discussões devem continuar mesmo após uma reunião trilateral e que, eventualmente, mais nações europeias poderão ser incluídas.
“Quando falamos sobre garantias de segurança, falamos sobre toda a segurança do continente europeu”, afirmou.

6. Rara reunião de líderes europeus na Casa Branca
As reuniões na Casa Branca marcaram um encontro raro e em grande escala dos principais líderes europeus no território de Trump.
Ao longo do conflito em curso, as potências europeias têm procurado coordenar a ajuda à Ucrânia. Também têm trabalhado para reforçar os esforços de segurança coletiva em todo o continente.
Starmer, Macron, Merz, Meloni, Stubb, Rutte e von der Leyen se juntaram a Zelensky e Trump na Casa Branca, refletindo o interesse generalizado em pôr fim à guerra entre a Rússia e a Ucrânia.
“Um grande dia na Casa Branca”, escreveu Trump no Truth Social na manhã de segunda-feira. “Nunca tivemos tantos líderes europeus aqui ao mesmo tempo. Uma grande honra para os Estados Unidos!!! Vamos ver quais serão os resultados??? Presidente DJT”.
Stubb elogiou o tom colaborativo das discussões.
“Acho que o fato de estarmos reunidos hoje nesta mesa é muito simbólico, no sentido de que é a equipe da Europa e a equipe dos Estados Unidos ajudando a Ucrânia”, disse ele.



