Trump encerra aplicativo CBP One usado por imigrantes para garantir agendamentos de entrada nos EUA

O aplicativo foi desativado no primeiro dia de mandato do presidente Donald Trump.

Por Tom Ozimek
20/01/2025 22:10 Atualizado: 20/01/2025 22:10
Matéria traduzida e adaptada do inglês, publicada pela matriz americana do Epoch Times.

Logo após a posse de Donald Trump como 47º presidente, em 20 de janeiro, o controverso aplicativo CBP One, usado por imigrantes fora dos Estados Unidos para agendar compromissos em portos de entrada, foi desativado.

“Com efeito a partir de 20 de janeiro de 2025, as funcionalidades do CBP One™ que anteriormente permitiam a imigrantes indocumentados enviar informações antecipadas e agendar compromissos em oito portos de entrada na fronteira sudoeste não estão mais disponíveis, e os compromissos existentes foram cancelados”, diz um comunicado no site da Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP, na sigla em inglês).

A CBP não respondeu, até o momento da publicação, a pedidos de mais detalhes sobre a desativação do aplicativo, incluindo as razões por trás da decisão e se é uma medida permanente.

O aplicativo CBP One foi lançado em 2020 e expandido no início de 2021, após o presidente Joe Biden assumir o cargo e Alejandro Mayorkas ser nomeado secretário do Departamento de Segurança Interna (DSI). A administração Biden promoveu o app como uma expansão de “caminhos legais” para a migração e elogiou sua utilidade em agilizar o processamento de imigrantes.

Em março de 2024, a CBP chamou o aplicativo de “um componente-chave dos esforços do DSI para incentivar não-cidadãos a usar caminhos legais, seguros, humanos e ordenados.”

“O uso do CBP One™ para agendar compromissos em portos de entrada aumentou a capacidade da CBP de processar imigrantes de forma mais eficiente e ordenada, enquanto elimina contrabandistas inescrupulosos que colocam em risco e lucram com imigrantes vulneráveis”, afirmou a CBP na época.

Imigrantes que chegam a um porto de entrada com um compromisso pelo CBP One passam por verificações de segurança nacional, mas não são triados para asilo durante o processamento. Em vez disso, recebem liberdade condicional humanitária, permitindo que trabalhem e recebam uma notificação para comparecer ao tribunal de imigração. É durante esses processos, que muitas vezes levam anos para serem resolvidos, que podem solicitar asilo.

Críticos afirmam que o aplicativo era amplamente usado por imigrantes para facilitar a entrada nos Estados Unidos. Em outubro de 2023, republicanos no Comitê de Segurança Interna da Câmara declararam que a grande maioria dos imigrantes que buscaram compromissos pelo aplicativo havia sido liberada no país com liberdade condicional e notificação para comparecer ao tribunal. Documentos fornecidos pelo DSI ao comitê indicaram que isso totalizava 266.000 indivíduos inadmissíveis, de um total de mais de 278.000 que haviam agendado compromissos.

“Esses números são prova de que a operação de Mayorkas é uma cortina de fumaça para a liberação em massa de indivíduos neste país que, de outra forma, não teriam nenhuma justificativa para serem admitidos”, disse Mark Green (R-Tenn.), presidente do comitê, em um comunicado na época.

O comitê também expressou preocupação com o possível uso do aplicativo por cartéis de drogas.

Posteriormente, em março de 2024, republicanos na Câmara chamaram o aplicativo de parte de um “esquema” para acelerar a imigração ilegal no país.

O procurador-geral do Texas, Ken Paxton, entrou com um processo contra a administração Biden pelo uso do aplicativo, alegando que a administração havia “deliberadamente concebido esse aplicativo de celular com o objetivo de pré-aprovar ilegalmente mais estrangeiros para entrar no país e irem para onde quiserem assim que chegarem.”

Mark Krikorian, diretor executivo do Center for Immigration Studies (Centro de Estudos para Imigração, em tradução), argumentou que o CBP One permitia que imigrantes “agendassem, essencialmente, sua imigração ilegal para os Estados Unidos.”

A desativação do aplicativo parece fazer parte da promessa de Trump de reforçar a segurança na fronteira e combater a imigração ilegal. Como parte desse esforço, Trump prometeu implementar a maior operação de deportação da história dos EUA e reverter políticas da administração Biden, como o programa conhecido como “catch-and-release” (Pegar e soltar, em tradução), no qual imigrantes ilegais são liberados no país enquanto aguardam audiências de asilo.