Suspensão do apresentador Jimmy Kimmel provoca novo debate sobre liberdade de expressão

A decisão da rede americana ABC gerou uma série de respostas variadas de personalidades públicas, profissionais da indústria, políticos, comediantes e fãs nas redes sociais.

Por Elma Aksalic
19/09/2025 11:59 Atualizado: 19/09/2025 11:59
Matéria traduzida e adaptada do inglês, publicada pela matriz americana do Epoch Times. 

A suspensão por tempo indeterminado do apresentador de talk show Jimmy Kimmel gerou uma onda de reações na indústria do entretenimento, após seus comentários sobre o assassinato do comentarista político conservador Charlie Kirk.

Nesta quarta-feira (17), a rede ABC e suas afiliadas suspenderam a transmissão futura de “Jimmy Kimmel Live!” até novo aviso, depois que Kimmel, 57, fez um monólogo sobre o suspeito do assassinato de Kirk.

“Chegamos a novos limites no fim de semana, com a turma MAGA tentando desesperadamente caracterizar esse jovem que matou Charlie Kirk como alguém que não é deles, fazendo de tudo para tirar proveito político disso”, disse o comediante durante seu programa na segunda-feira (15).

A suspensão gerou respostas diversas de personalidades públicas, profissionais da indústria, políticos, comediantes e fãs nas redes sociais, com opiniões de ambos os lados do espectro político.

O presidente Donald Trump elogiou a decisão durante sua visita oficial ao Reino Unido, afirmando que a ABC “deveria tê-lo demitido há muito tempo”.

“Jimmy Kimmel foi demitido mais por causa da baixa audiência do que qualquer outra coisa”, disse ele a repórteres durante uma coletiva de imprensa.

“Ele disse uma coisa horrível sobre um grande cavalheiro conhecido como Charlie Kirk.

“Você pode chamar isso de liberdade de expressão ou não.”

Outras figuras conservadoras acusaram Kimmel de espalhar desinformação sobre o suspeito do assassinato.

“Não sei quem precisa ouvir isso, mas Jimmy Kimmel subiu ao ar e afirmou falsamente como fato que o assassino de Charlie Kirk era MAGA”, disse a comentarista e ex-apresentadora da Fox News Megyn Kelly no X, referindo-se aos apoiadores da agenda “Make America Great Again” de Trump.
“Difamar todo um movimento e Trump em particular com uma mentira repugnante—e em um momento em que a ameaça contra os conservadores está no nível mais alto de todos os tempos.”

O radialista e podcaster Mark R. Levin afirmou nas redes sociais que Kimmel “deveria ter sido demitido há muito tempo”.

O conglomerado de mídia Sinclair Broadcast Group, que possui e opera estações de televisão afiliadas à ABC, não pretende transmitir o programa até que “passos adequados” sejam tomados para manter os padrões nacionais.

“As estações da ABC da Sinclair irão exibir um especial em homenagem a Charlie Kirk nesta sexta-feira, no horário de ‘Jimmy Kimmel Live!’”, escreveu a empresa no X.

Enquanto isso, a American Civil Liberties Union (ACLU) condenou a decisão, com a diretora da Divisão de Democracia e Tecnologia da entidade chamando-a de “grave ameaça às nossas liberdades garantidas pela Primeira Emenda”.

Hollywood também saiu em defesa de Kimmel, incluindo atores, ex-apresentadores de talk shows e comediantes, como Ben Stiller, Jean Smart, Mike Birbiglia, Wanda Sykes, entre outros.

“Estou horrorizada com o cancelamento de ‘Jimmy Kimmel Live!’ O que Jimmy disse foi LIBERDADE DE EXPRESSÃO, não discurso de ódio”, publicou Smart nas redes sociais.

Em entrevista a Jeffrey Goldberg, do The Atlantic, o ex-apresentador de talk show David Letterman, que teve o programa mais longevo na televisão noturna, chamou a sequência recente de eventos de “miséria” em comparação ao seu tempo no ar.

A crítica do presidente da Federal Communications Commission (FCC), Brendan Carr, aos comentários de Kimmel alimentou ainda mais o debate sobre liberdade de expressão, indicando que os canais de televisão são submetidos a um padrão diferente de outros meios de comunicação.

“O problema que surgiu aqui, onde muitas e muitas pessoas ficaram chateadas, não foi uma piada”, disse Carr à CNBC nesta quinta-feira (18). “Parecia enganar diretamente o público americano sobre um fato significativo.”

“Os canais de televisão são diferentes de qualquer outra forma de comunicação”, acrescentou Carr em entrevista separada à Fox News na noite anterior.

Kimmel, cujo contrato termina em maio do próximo ano, ainda não comentou o assunto.