Matéria traduzida e adaptada do inglês, publicada pela matriz americana do Epoch Times.
CONDADO DE WASHINGTON, Utah — Há dúvidas sobre como o suspeito de 22 anos, Tyler Robinson, se radicalizou a ponto de supostamente assassinar o influenciador conservador Charlie Kirk.
A mãe de Robinson disse aos investigadores que seu filho se tornou mais político no último ano, inclinando-se mais para a esquerda e “tornando-se mais pró-gays e direitos trans”, disse o promotor público do Condado de Utah, Jeffrey Gray, em 16 de setembro, ao anunciar as acusações contra o homem de 22 anos.
Depois que o suspeito começou a namorar seu colega de quarto, um homem que se identifica como uma mulher transgênero, Gray disse que isso resultou em discussões com membros da família, incluindo seu pai, que tem “visões políticas muito diferentes”.
Em uma conversa com sua mãe antes do tiroteio, Robinson observou que Kirk realizaria um evento na Universidade do Vale de Utah, que ele descreveu como um “local estúpido” e acusou o comentarista conservador de “espalhar ódio”, de acordo com Gray.
Mensagens gravadas nas cápsulas de bala da suposta arma usada no assassinato continham pontos de vista antifascistas e aparentes referências a memes da internet da subcultura “furries” [relativa a personagens animais com traços humanos] e de videogames. Amigos relataram que Robinson estava envolvido em uma cultura “dark” [obscura] da internet, disse o governador de Utah, Spencer Cox, em 14 de setembro.
Questionado se o suposto assassino de Kirk agiu sozinho, o presidente americano Donald Trump disse a repórteres que não sabia, mas acreditava que contatos online o influenciaram.
“Parece que ele foi radicalizado pela internet”, disse o presidente em 15 de setembro.
As autoridades alegam que Robinson dirigiu cerca de 400 quilômetros de seu local de residência habitual até a Universidade do Vale de Utah em 10 de setembro, subiu em um telhado e atirou em Kirk enquanto ele conversava com estudantes universitários sobre questões atuais. Kirk, 31 anos e pai de dois filhos, morreu logo depois. Robinson se rendeu na noite de 11 de setembro e permanece preso desde então.
Ele foi acusado em 16 de setembro de homicídio qualificado, disparo de arma de fogo com lesão corporal grave, duas acusações de obstrução da justiça, duas acusações de suborno de testemunhas e uma acusação de crime violento cometido na presença de uma criança.
O estado está buscando a pena de morte, de acordo com Gray.
As autoridades disseram que Robinson ainda não tem um advogado e sua próxima audiência no tribunal está marcada para 29 de setembro.

Moradores confusos
Pessoas que vêm do local onde Robinson viveu dizem que, assim como muitas outras, estão confusas sobre como e por que um jovem brilhante de uma família íntegra e religiosa se tornou o suposto assassino do comentarista conservador.
O Epoch Times visitou dois lugares no Condado de Washington, Utah, onde Robinson, 22, estudou e morou.
Na faculdade em St. George, os colegas ecoaram algumas das mesmas perguntas feitas por seus vizinhos a alguns quilômetros de distância, na cidade de Washington, enquanto os investigadores continuavam reunindo evidências de seu suposto crime, motivo e quaisquer possíveis cúmplices.
Uma moradora há nove anos de Pine View Estates, na cidade de Washington, disse ao Epoch Times que não via a família Robinson com tanta frequência nos últimos anos, mas disse: “Pelo que sei, eles são uma boa família (…) uma família incrível”.
Ela e outros pediram para não serem identificados por questões de privacidade.
Os pais de Robinson o convenceram a se entregar à polícia, segundo Gray. Os vizinhos comentaram que isso teria sido incrivelmente difícil para um pai, mas disseram que não sabiam mais nada sobre essa cadeia de eventos. Tentativas de contato com a família para obter comentários foram infrutíferas.
‘Isso dói no coração. Algo estava realmente perturbando esse jovem, porque ele não foi criado assim.’
Vizinha de longa data de Robinson
Robinson tem dois irmãos mais novos, e seus pais são casados há cerca de 25 anos, de acordo com publicações nas redes sociais. A atividade online da mãe de Robinson reflete uma família ativa que tirava férias para a Disneylândia, Havaí, Caribe e Alasca.
A vizinha de longa data de Robinson lembra que o jovem, agora acusado, havia sido membro engajado da capela próxima da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, administrando o Sacramento a outros fiéis. Os membros dessa denominação cristã são mais conhecidos como mórmons e seguem códigos rígidos de moralidade.
Com esse tipo de criação, a vizinha não consegue imaginar o que poderia ter influenciado Robinson a se tornar violento o suficiente para tirar a vida de outra pessoa.
“Isso dói no coração. Algo estava realmente perturbando esse jovem, porque ele não foi criado assim”, disse ela.
As autoridades estão investigando as conexões de Robinson para determinar se mais alguém estava envolvido no planejamento ou apoio ao assassinato de Kirk.

Suposta confissão
Em 10 de setembro, Robinson enviou uma mensagem ao parceiro, dizendo: “Largue o que está fazendo, olhe embaixo do meu teclado”, de acordo com as informações da acusação.
O parceiro encontrou um bilhete que dizia: “Tive a oportunidade de eliminar Charlie Kirk e vou aproveitá-la”. O bilhete foi destruído, mas as autoridades têm uma fotografia dele.
De acordo com o processo, o parceiro então enviou uma mensagem de texto para Robinson: “O quê?????????????? Você está brincando, né???”
Robinson respondeu: “Ainda estou bem, meu amor, mas ainda vou ficar preso em Orem por mais um tempinho. Não deve demorar muito para eu poder voltar para casa, mas ainda preciso pegar meu rifle. Para ser sincero, eu esperava guardar esse segredo até morrer de velhice. Sinto muito por te envolver.”
O parceiro então perguntou: “Não foi você quem fez isso, certo?”
Robinson respondeu: “Sim, sinto muito.”
O parceiro de Robinson encontrou um bilhete que o suspeito deixou em 10 de setembro, que dizia: ‘Tive a oportunidade de eliminar Charlie Kirk e vou aproveitá-la’.
Quando o parceiro perguntou por que Robinson fez isso, ele respondeu: “Já estou farto do ódio dele. Alguns ódios não podem ser negociados.”
O parceiro também perguntou há quanto tempo Robinson estava planejando o ataque, ao que ele respondeu: “Acredito que há um pouco mais de uma semana”.
Robinson então discute a tentativa de recuperar o rifle, dizendo: “Estou preocupado com o que meu velho faria se eu não trouxesse o rifle do vovô.”
As gravações nas balas, disse Robinson em outra mensagem, são “principalmente um grande meme”.
Em outra mensagem, Robinson disse: “Meu pai quer fotos do rifle (…) ele diz que o avô quer saber quem tem o quê, os federais divulgaram uma foto do rifle, e é muito original. [Ele] está me ligando [agora], mas não está atendendo.”
Robinson também pediu ao seu parceiro que apagasse a troca de mensagens de texto, não falasse com a mídia, ficasse em silêncio e pedisse um advogado se fosse contatado pela polícia.
Os investigadores ainda não identificaram publicamente um motivo específico. Quando questionado por um repórter se questões transgênero influenciaram a motivação de Robinson, Gray se recusou a responder e se referiu às informações contidas no documento de acusação.
Xerife de Utah fornece novos detalhes
Em 17 de setembro, um xerife de Utah forneceu mais detalhes sobre a prisão Robinson, e disse que o suspeito estava com medo de ser baleado pela polícia.
O xerife do Condado de Washington, Nate Brooksby, disse ter sido chamado por um policial aposentado que havia trabalhado para ele e conhecia a família de Robinson. Disseram-lhe que a família Robinson queria que o suspeito se rendesse voluntariamente, acrescentou.
“Durante aquela ligação, foram fornecidas algumas informações sobre Tyler, que possivelmente tinha ideações suicidas e estava a caminho de uma área remota no Condado de Washington”, disse Brooksby a repórteres em uma coletiva de imprensa. “Os pais o convenceram a não fazer isso e, sabe, comunicaram que o apoiariam e o ajudariam (…) a se entregar pacificamente.”
O policial aposentado então levou Robinson e os pais ao gabinete do xerife uma hora após a ligação, ele acrescentou.
“Tyler sabia que era inevitável, com toda a pressão policial, que ele, sua foto no noticiário, a arma, a arma no noticiário”, disse ele. “Ele sabia que era inevitável (…) que ele seria pego.”
“Ele estava com medo de uma equipe da SWAT invadir sua casa, ou de ser baleado pela polícia”, disse Brooksby. “Então, parte da negociação para que ele se apresentasse foi que tratássemos o caso da forma mais delicada e suave possível para que ele se sentisse à vontade para comparecer ao meu escritório.”

Enquanto isso, Brooksby sugeriu que a família Robinson ficasse longe dos olhos do público por um tempo devido às ameaças.
“Eles precisam ficar quietos por um longo tempo, infelizmente”, disse ele, acrescentando que tem um “primo de segundo grau com o sobrenome Robinson, que por acaso é optometrista na cidade, e seu consultório tem recebido telefonemas ameaçadores”.
“É uma situação penosa, visto que eles não tiveram nada a ver com isso. Nenhuma relação com a família. Imagine como os indivíduos realmente envolvidos neste incidente estão se sentindo agora”, disse ele.
Na coletiva de imprensa, ele também tentou refutar as alegações que circulavam online de que o pai de Robinson era policial ou havia algemado seu filho pessoalmente. Brooksby disse que o policial aposentado que o alertou sobre o possível envolvimento de Tyler Robinson tem o mesmo nome e sobrenome do pai de Robinson.
Robinson fez sua primeira aparição no tribunal na terça-feira (16), com um juiz ordenando que ele fosse mantido preso sem direito à fiança e agendando sua próxima audiência no tribunal para 29 de setembro. Nenhum advogado foi designado a ele, e não está claro se ele tem um advogado ou porta-voz que possa falar em seu nome.
Investigação mira contatos nas redes sociais
O diretor do FBI, Kash Patel, revelou em 15 de setembro, que evidências de DNA correspondentes a Robinson foram encontradas na cena do crime.
Os policiais disseram anteriormente que encontraram a arma que se acredita ter sido usada para matar Kirk escondida em uma área arborizada próxima, enrolada em uma toalha.

O material genético da toalha correspondia ao suspeito, de acordo com Patel.
Agentes do FBI estão investigando contas de mídia social no X e no TikTok que parecem ter transmitido conhecimento prévio do assassinato de Kirk, confirmou uma fonte familiarizada com a investigação ao Epoch Times.
O Washington Free Beacon identificou várias contas que, segundo a fonte, estão “sendo analisadas”. O Epoch Times não conseguiu obter capturas de tela das postagens que estão levantando suspeitas, mas uma dessas postagens, uma semana antes do assassinato, afirmou que um tiroteio contra Kirk em 10 de setembro “seria engraçado”.
Uma publicação separada em 10 de agosto, um mês antes do tiroteio, previu que 10 de setembro seria “um dia muito interessante”. Após o tiroteio, o dono da conta escreveu: “Eu invoco a quinta”, referindo-se ao direito da Quinta Emenda de permanecer em silêncio e evitar a autoincriminação.
Uma terceira conta de mídia social, que parece seguir o colega de quarto de Robinson, comentou na postagem de 10 de agosto e mencionou ter visto “Tyler” em 30 de junho.
As autoridades estão investigando mais de 20 pessoas que conversaram com Robinson em uma sala de bate-papo online do Discord, disse Patel em uma audiência no Senado em 16 de setembro.
O Discord é um aplicativo de bate-papo geralmente usado para jogos, mas pode ser usado para comunicação por meio de servidores privados.
“Espero que as pessoas mais próximas do suspeito saibam mais sobre ele, suas crenças e sua ideologia”, disse Patel.
Fatos sobre passado e presente
Robinson recebeu uma prestigiosa bolsa de estudos acadêmica na Universidade Estadual de Utah, mas a frequentou por apenas um ano após se formar no ensino médio em 2021.
No apartamento que Robinson dividia com seu parceiro transgênero, o Cottages at Fossil Hill, uma placa na entrada, em 15 de setembro, avisava que apenas moradores tinham permissão para entrar. Também avisava que “a polícia seria chamada” se repórteres pisassem na propriedade. Três equipes de reportagem de TV estavam no alto de uma colina com vista para o complexo em St. George, Utah, a poucos quilômetros do bairro Pine View Estates.

Também fica perto da escola que Robinson frequentava.
Ele era aluno do terceiro ano do programa de aprendizagem de eletricidade no Dixie Technical College.
‘É um pouco assustador descobrir que eu estava caminhando ao lado de alguém com esse tipo de intenção.’
Aidan Jones, estudante, Dixie Technical College
Um aluno do curso de diesel da instituição, Aidan Jones, 19, de Enterprise, Utah, disse ao Epoch Times que reconheceu Robinson como alguém que cruzava com ele nos corredores.
“É um pouco assustador descobrir que eu estava caminhando ao lado de alguém com esse tipo de intenção”, disse Jones.
Ele disse que, apesar das reclamações generalizadas sobre estudantes universitários sendo doutrinados com ideologias radicais de esquerda, ele não viu nenhum sinal de “preconceito” entre seus instrutores na Dixie Tech.
Devido à natureza da escola, os alunos se envolvem principalmente em trabalhos práticos, em vez de debates filosóficos, observou Jones.

Ele duvida que Robinson tenha aprendido ideias radicais lá.
Jones elogiou a faculdade por informar os alunos sobre Robinson e disponibilizar aconselhamento e outros recursos para qualquer pessoa que precise.
A vizinha de longa data de Robinson questiona em voz alta sobre os observadores do suspeito e sua possível descida a “um lugar escuro”.
“Alguém poderia ter notado que ‘no coração quieto há uma tristeza escondida que não consigo ver?’”, ela perguntou, citando uma frase de um hino favorito.
Nathan Worcester, Savannah Hulsey Pointer e Jack Philips contribuíram para esta reportagem.



