5 pontos-chave da entrevista final de Biden como presidente

Biden disse que alterou a "fórmula básica" da economia dos EUA. Ele também falou sobre a OTAN, Putin, o cessar-fogo Israel-Hamas e a sua abordagem à inflação.

Por Nathan Worcester
17/01/2025 12:43 Atualizado: 18/01/2025 13:30
Matéria traduzida e adaptada do inglês, publicada pela matriz americana do Epoch Times.

Um dia após fazer seu discurso de despedida, o presidente Joe Biden concedeu a última entrevista de seu mandato.

A entrevista no Salão Oval, gravada na noite de 16 de janeiro, apresentou o presidente em uma conversa amigável com o apresentador da MSNBC, Lawrence O’Donnell. Biden é notoriamente sintonizado com um dos apresentadores matinais da MSNBC, o ex-republicano Joe Scarborough.

Os dois discutiram o legado econômico de Biden, seu confronto com o líder russo Vladimir Putin e o novo cessar-fogo entre Israel e Hamas.

Biden alerta para concentração de riqueza

Reforçando o discurso de despedida de ontem, Biden alertou sobre uma “enorme concentração de riqueza e poder”, dizendo que isso ameaça a democracia.

“Não tenho problema com pessoas ganhando milhões de dólares. Pelo amor de Deus, paguem sua parte justa em impostos e participação”, declarou.

Ele afirmou que o mundo está se aproximando de um ponto de inflexão, atribuindo isso às mudanças nas comunicações possibilitadas pela tecnologia.

Os ultra-ricos, segundo ele, estão ganhando influência sobre a mídia, além de controlar grande parte da economia.

O tema reflete uma eleição marcada pela influência do fundador da SpaceX, Elon Musk, que endossou Trump após a tentativa de assassinato contra ele em Butler, Pensilvânia.

Junto a um número crescente de capitalistas de risco e empreendedores do Vale do Silício, Musk fez grandes doações em apoio ao candidato. Ele também participou da campanha de Trump na Pensilvânia antes do Dia da Eleição.

Embora Trump tenha desfrutado de mais apoio público dos ultra-ricos desta vez do que em disputas anteriores, uma análise da Forbes em outubro de 2024 revelou que Kamala Harris, vice-presidente de Biden e derrotada por Trump, recebeu significativamente mais apoio de bilionários proeminentes.

Biden diz que mudou a “fórmula básica” da economia

Biden disse a O’Donnell que sua administração teve um impacto transformador na economia americana, criticando a economia de oferta, ou “trickle-down“.

“Nós mudamos a fórmula básica de como fazer uma economia funcionar”, afirmou, dizendo que ele e sua equipe fortaleceram os sindicatos trabalhistas.

Ele afirmou que o ex-presidente Barack Obama, sob quem serviu como vice-presidente, não foi longe o suficiente. Um dos projetos de lei mais emblemáticos de Obama, o Recovery Act de 2009, incluiu US$ 831 bilhões em gastos durante a Grande Recessão.

“Estávamos usando a velha economia básica dos anos 50, 60 e 70”, disse Biden.

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O presidente Joe Biden dirige-se aos trabalhadores sindicalizados no Sheet Metal Workers Local 19 em Filadélfia, Pensilvânia, em 4 de setembro de 2023. (Mark Makela/Getty Images)

O economista de oferta Arthur Laffer argumentou que Biden e seu partido adotaram a teoria monetária moderna (TMM), que sustenta que a posição dominante dos Estados Unidos na economia mundial torna os déficits prolongados aceitáveis.

Stephanie Kelton, assessora econômica progressista das campanhas presidenciais do senador Bernie Sanders (I-Vt.) e coautora de um relatório de unidade com a campanha de Biden em 2020, escreveu em 2021 que o presidente “adotou a TMM”.

Como exemplo de seu legado econômico, Biden citou o CHIPS and Science Act de 2022, uma legislação bipartidária destinada a fortalecer a indústria doméstica de semicondutores por meio da autorização de US$ 280 bilhões para pesquisa e produção de semicondutores. Atualmente, Taiwan domina a fabricação dessa tecnologia.

Biden afirmou que esse setor deixou originalmente os Estados Unidos porque as corporações buscavam trabalhadores mais baratos. A pandemia de COVID-19, segundo ele, revelou a importância das cadeias de suprimento locais.

Ele também assumiu o crédito por vincular a prosperidade americana à sua postura no mundo de uma maneira inovadora.

“Não há como implementar nossa política externa a menos que, em termos de política econômica, estejamos em uma posição forte para fazê-lo”, disse Biden.

Nenhuma menção ao enviado de Trump enquanto Biden negocia cessar-fogo

O presidente em fim de mandato também discutiu um novo acordo de cessar-fogo e liberação de reféns entre Israel e o Hamas. O acordo foi assinado em Doha, no Catar, em 17 de janeiro.

Biden afirmou que não havia conversado com Trump sobre as negociações do cessar-fogo nas duas semanas anteriores.

Questionado por O’Donnell, ele disse que discutiu o assunto “muito, muito brevemente” com Trump após a eleição.

“Eu realmente montei—se não funcionar, tenho que assumir a culpa—um plano com minha equipe de segurança nacional”, disse Biden.

O presidente afirmou que não acreditava que o primeiro-ministro de Israel, Bibi Netanyahu, tenha atrasado um cessar-fogo para ajudar Trump. Ele também demonstrou simpatia pelo líder em dificuldades.

“Ele também tem uma coalizão difícil, cara. Ele tem o gabinete mais conservador de qualquer primeiro-ministro israelense até agora”, disse Biden.

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O presidente Joe Biden (D) encontra-se com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu no Salão Oval da Casa Branca em Washington em 25 de julho de 2024. (Elizabeth Frantz/Reuters)

Ele não mencionou o investidor imobiliário Steve Witkoff, enviado de Trump para as bem-sucedidas negociações em Doha.

Fontes da mídia israelense e de outros países do Oriente Médio atribuíram a Witkoff o mérito de ter influenciado Netanyahu.

O Conselho de Relações Americano-Islâmicas creditou ao presidente eleito a “pressão sobre todas as partes, incluindo Netanyahu, para alcançar um acordo”.

A União para o Judaísmo Reformista agradeceu tanto a Biden quanto a Trump, este último por ajudar a “transformar esse acordo elusivo em realidade”.

Biden fala sobre OTAN e Putin

Biden e O’Donnell também discutiram a guerra entre Rússia e Ucrânia e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), que cresceu sob a liderança de Biden. No contexto desse conflito na Europa Oriental, a OTAN admitiu tanto a Finlândia quanto a Suécia.

“Nós fortalecemos a OTAN—tornamos ela mais forte”, disse Biden.

O presidente afirmou que a aliança ampliada enfraqueceu a posição da Rússia na Ucrânia, que foi inicialmente invadida em fevereiro de 2022, pouco mais de um ano após ele assumir o cargo.

Ele disse que a Ucrânia não poderá se juntar à OTAN, uma grande preocupação para a Rússia, “até que mudem significativamente seu sistema”.

“Vamos continuar ajudando eles a crescer, se pudermos”, acrescentou Biden.

Nos dias que antecederam a invasão de Putin, o governo Biden divulgou informações de inteligência dos EUA indicando que o líder russo planejava atacar a Ucrânia.

Biden falou sobre o motivo de sua administração ter adotado essa abordagem.

“Eu queria que as pessoas acreditassem em mim”, disse ele. “Naquele momento, eu sabia mais sobre o que estava falando, pela posição que ocupava, do que qualquer outra pessoa sabia”.

Biden diz que não queria sacrificar empregos para conter a inflação

O’Donnell perguntou ao presidente sobre as críticas que ele recebeu do economista Lawrence Summers.

No início de 2021, Summers alertou que as políticas de estímulo do governo, implementadas durante a pandemia de COVID-19, desencadeariam uma inflação significativa.

A inflação durante o governo Biden atingiu um pico de 9,1% em junho de 2022. Desde então, caiu para 2,9% em dezembro de 2024, ainda mais alta do que na maior parte do governo Trump. Após atingir um mínimo de 2,4% em setembro, a inflação aumentou ligeiramente nos últimos meses.

Biden disse a O’Donnell que não estava disposto a combater a inflação de uma forma que custasse empregos. Baixa inflação normalmente vem acompanhada de maior desemprego.

“Se você conclui que a única maneira de lidar com a inflação é criar desemprego e outra recessão, porque tinha que garantir que perdêssemos empregos, essa é uma forma de manter a inflação baixa. Mas adivinhe só? Eu estava absolutamente convencido—dê ao povo americano uma chance”, disse ele.

A ampla queda na taxa de inflação, afirmou Biden, mostrou que a economia realizou um “pouso suave”.