Projeção de inflação para 2024 supera limite da meta

Relatório Focus aponta dificuldades no controle da inflação e manutenção da taxa de juros em patamar elevado

Por Matheus de Andrade
29/10/2024 09:30 Atualizado: 29/10/2024 09:30

O Relatório Focus do Banco Central indicou que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação, deve terminar o ano de 2024 em 4,55%. Essa projeção está acima do limite da meta definida pelo Banco Central, que é de 4,5%.

A previsão aumenta a preocupação de que a política monetária atual possa não ser suficiente para conter a pressão inflacionária ainda este ano.

A projeção de alta na inflação ocorre em um cenário de manutenção da taxa Selic em 11,75% ao ano. Segundo o Relatório Focus, as previsões para a taxa de juros seguem inalteradas desde a última semana, sem indícios de cortes iminentes e com tendência de alta.

As expectativas para o Índice Geral de Preços (IGP-M), outro importante indicador da economia usado para reajustar alugueis, também subiram. A mediana das projeções aponta que o IGP-M deve fechar 2024 em 4,57%, um aumento em relação à previsão de 4,39% da semana anterior.

O aumento deste índice reflete, entre outros fatores, a pressão sobre os preços dos combustíveis e alimentos, que continuam em alta e exercem impacto direto no custo de vida da população.

O cenário de câmbio também apresentou revisão para cima. A estimativa atual é que o dólar feche o ano cotado a R$ 5,45, ante R$ 5,42 na semana anterior.

Essa desvalorização da moeda nacional gera impactos adicionais nos custos de importação, que se refletem em pressões inflacionárias tanto na indústria quanto no setor de serviços.

Com o real mais fraco, torna-se mais difícil manter a estabilidade dos preços, uma vez que produtos e insumos importados ficam mais caros.

Outro dado relevante é o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), cuja expectativa para o fechamento de 2024 foi revisada levemente para cima, passando de 3,05% para 3,08%, refletindo o aumento de gastos públicos.

Em relação à dívida pública, o Focus mostrou que a projeção para a dívida líquida do setor público se manteve estável em 63,5% do PIB.

Já o resultado primário, indicador que mede o saldo entre receitas e despesas do governo antes do pagamento dos juros da dívida, segue em -0,6% do PIB.

A persistência desse déficit demonstra as dificuldades que o governo enfrenta para ajustar suas contas devido ao crescimento das despesas obrigatórias.