A produção industrial brasileira registrou queda de 0,3% em dezembro de 2024 na comparação com novembro, marcando o terceiro mês consecutivo de retração, conforme dados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM-PF) do IBGE, divulgados nesta quarta-feira (5).
A sequência de resultados negativos mostra uma retração no setor industrial ao final do ano. Durante o ano, a produção cresceu 0,6%. No trimestre encerrado em dezembro, a indústria acumulou queda de 1,2%, revertendo parte do avanço registrado no segundo semestre (2,4%).
Três das quatro grandes caterrgorias econômicas caíram
A retração de dezembro foi disseminada, afetando três das quatro grandes categorias econômicas:
Bens de consumo semi e não duráveis (-1,8%): São produtos de uso diário ou com curta duração, como alimentos, bebidas, roupas, produtos de higiene e remédios. Como são essenciais, a queda pode indicar menor consumo ou ajustes na produção.
Bens de consumo duráveis (-1,6%): Itens que têm vida útil longa, como eletrodomésticos, automóveis e móveis. A redução na produção pode estar ligada a menor demanda por parte dos consumidores, que tendem a adiar compras desse tipo em momentos de incerteza econômica.
Bens de capital (-1,1%): Máquinas e equipamentos utilizados na produção de outros bens, como tratores, turbinas e equipamentos industriais. A queda sugere que as empresas podem investir menos em novos equipamentos, o que pode impactar a capacidade produtiva no futuro.
O único segmento com desempenho positivo foi bens intermediários (+0,6%): Produtos usados na produção de outros bens, como aço, cimento, plástico, químicos e peças automotivas. Eles não são vendidos diretamente ao consumidor final, mas servem como matéria-prima para indústrias que fabricam bens de consumo ou de capital.
O setor de bens de consumo semi e não duráveis, que inclui produtos essenciais do dia a dia, teve o terceiro mês seguido de queda, acumulando uma retração de 5,2% no período.
Quais setores puxaram a queda?
O desempenho negativo de dezembro foi puxado por 15 dos 25 setores industriais pesquisados. Entre as maiores influências negativas, destacam-se:
- — Máquinas e equipamentos (-3,0%), interrompendo dois meses seguidos de crescimento;
- — Produtos de borracha e material plástico (-2,5%), acumulando queda de 3,7% em dois meses;
- — Metalurgia (-1,5%);
- — Produtos químicos (-0,8%);
- — Veículos automotores, reboques e carrocerias (-0,8%);
- — Artefatos de couro, artigos para viagem e calçados (-3,4%);
- — Produtos de minerais não metálicos (-1,6%).
Desempenho anual positivo, mas com sinais de alerta
No acumulado de janeiro a dezembro de 2024, a produção industrial cresceu 3,1%, um avanço significativo em relação a 2023, quando a alta foi de apenas 0,1%.
O crescimento anual foi impulsionado por setores como veículos automotores (+12,5%), equipamentos de informática (+14,7%), máquinas e materiais elétricos (+12,2%) e produtos químicos (+3,3%).
Indústria ainda abaixo do nível recorde
Mesmo com a melhora no acumulado do ano, a produção industrial ainda está 15,6% abaixo do recorde histórico registrado em maio de 2011.
Por outro lado, o setor conseguiu ultrapassar o patamar pré-pandemia, estando 1,3% acima do nível de fevereiro de 2020.



