O Tribunal de Contas da União (TCU) autorizou, com urgência, a realização de uma auditoria na Previ (Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil), após a identificação de um prejuízo bilionário no Plano 1 do fundo de pensão.
A decisão foi tomada na quarta-feira (5), atendendo ao pedido do ministro Walton Alencar Rodrigues, que levantou sérias preocupações sobre a gestão financeira da entidade.
Entre janeiro e novembro de 2024, o Plano 1 da Previ registrou perdas aproximadas de R$ 14 bilhões, um contraste significativo com o superávit de R$ 5,5 bilhões acumulado no ano anterior.
Além disso, o desempenho dos investimentos foi considerado alarmante, com um rendimento de apenas 1,58%, muito abaixo das expectativas.
Alencar Rodrigues observou que a rentabilidade foi especialmente ruim em comparação com os anos anteriores, afetando diversas classes de ativos, como renda fixa, variável, imóveis e investimentos estruturados.
O ministro ressaltou que essa situação coloca em risco os beneficiários do plano, apontando possíveis falhas na gestão que podem agravar ainda mais o cenário.
Em seu discurso, ele alertou para a possibilidade de o Banco do Brasil ser obrigado a contribuir de forma extraordinária para cobrir os déficits do fundo, devido ao controle estatal da instituição.
Com a aprovação da auditoria, o TCU determinou que a Secretaria Geral de Controle Externo inicie a coleta de informações detalhadas sobre o caso.
Essa investigação ocorre em um contexto de preocupações anteriores sobre a gestão dos fundos de pensão. Em 2023, a Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) já havia informado que auditorias anteriores do TCU, de 2021, haviam identificado falhas na gestão, e que a nova administração, iniciada em fevereiro de 2023, estava implementando medidas corretivas, incluindo concurso para novos servidores e investimentos em tecnologia da informação.
A auditoria de 2018 do TCU revelou que os fundos de pensão, tanto públicos quanto privados, deixaram de ganhar R$ 85 bilhões em 2016 devido a falhas na administração.
Entre os fundos mais afetados estavam a Previ, a Petros (Petrobras) e a Funcef (Caixa Econômica Federal), com perdas estimadas em R$ 75 bilhões.



