A OpenAI iniciou uma investigação sobre o possível uso não autorizado de dados do ChatGPT pela DeepSeek, que teria utilizado essas informações para treinar sua própria inteligência artificial.
A denúncia foi feita em entrevista ao Financial Times e surge em um momento de intensa disputa no setor de IA.
Segundo a OpenAI, a rival empregou uma técnica chamada “destilação”, que extrai conhecimento de grandes modelos para desenvolver versões menores.
Essa prática, de acordo com a empresa, viola os termos de serviço e representa uma infração grave.
Diante das suspeitas, a Microsoft e a OpenAI, parceiras no desenvolvimento de IA, abriram uma apuração conjunta sobre o possível vazamento de dados.
Segundo a Bloomberg, o acesso indevido foi realizado por um grupo ligado à DeepSeek. Nenhuma das companhias forneceu mais detalhes sobre o caso.
A situação gerou reações no governo dos Estados Unidos.
David Sacks, chefe de criptomoedas e inteligência artificial da administração Trump, afirmou à Fox News, na terça-feira (28), que há “evidências substanciais” de que a DeepSeek se apropriou indevidamente dos modelos de IA da OpenAI, configurando possível violação de propriedade intelectual.
O aumento da preocupação levou à adoção de medidas restritivas, incluindo a proibição do uso das ferramentas da DeepSeek por membros da Marinha dos Estados Unidos.
DeepSeek: A startup chinesa que desafia gigantes da IA
No final de 2023, o investidor chinês Liang Wenfeng fundou a DeepSeek em Hangzhou, com o objetivo de expandir o desenvolvimento de inteligência artificial no país.
Antes de ingressar no setor, Wenfeng já explorava o uso de IA em investimentos por meio do High-Flyer, seu fundo de hedge especializado em comércio quantitativo automatizado.
Apesar de ser uma recém-chegada ao mercado, a DeepSeek rapidamente chamou atenção ao desenvolver modelos generativos avançados, competindo com soluções como ChatGPT e Google Gemini.
Um dos fatores que mais impressionou foi o baixo custo de desenvolvimento: enquanto a OpenAI investiu cerca de US$ 100 milhões (R$ 600 milhões) para criar o GPT-4, a DeepSeek conseguiu viabilizar seu projeto com menos de US$ 6 milhões (R$ 36 milhões).
Em 2024, a startup lançou diversas soluções, incluindo o modelo V3, que despertou interesse no setor.
No entanto, de acordo com o Wall Street Journal, a plataforma enfrentou questionamentos devido a restrições impostas a respostas relacionadas ao governo chinês, o que levantou dúvidas sobre sua viabilidade.
A empresa aposta no DeepSeek-R1, um modelo de linguagem de código aberto, como estratégia para ampliar seu alcance e consolidar presença no competitivo mercado global de inteligência artificial.



