As aparentes manobras militares que a China está realizando ao largo das suas costas “não se limitam a Taiwan”, disse terça-feira (10) um funcionário da inteligência taiwanesa, que qualificou de “surpreendente” o destacamento naval de Pequim na região.
Em entrevista coletiva, o vice-diretor de Inteligência do Ministério da Defesa Nacional (MDN) de Taiwan, Hsieh Jih-sheng, afirmou que os supostos exercícios militares de Pequim cobrem uma área de aproximadamente mil quilômetros, desde Xangai (leste) até ao província de Fujian (sudeste), indicando que “a demonstração de força não se limita a Taiwan”.
Segundo este funcionário, o número de atividades navais chinesas nas últimas horas é “realmente surpreendente”, com navios destacados também no interior do Pacífico Ocidental, formando uma frota “capaz de negar a intervenção militar estrangeira entre a primeira e a segunda cadeia de ilhas”.
A primeira cadeia de ilhas é um conceito estratégico que comumente se refere à linha entre as Ilhas Curilas e Singapura, passando por Japão, Taiwan e Filipinas, enquanto a segunda cadeia se estende do arquipélago japonês de Ogasawara até Palau.
Com esta medida, a China pretende criar duas “muralhas” navais no Pacífico – uma localizada a leste da autoproclamada Zona de Identificação de Defesa Aérea de Taiwan (ADIZ) e outra mais distante no oceano – com o objetivo de transmitir a mensagem de que o Estreito de Taiwan são as “águas internas” de Pequim, observou Hsieh.
As autoridades chinesas estabeleceram no domingo sete zonas aéreas reservadas nas províncias de Zhejiang (leste) e Fujian, uma medida que durará até às 20h (hora local) de quarta-feira.
Em resposta, o MDN indicou que deu instruções a “todas as unidades para manterem um controle rigoroso das atividades inimigas e um elevado nível de alerta” e que também iniciou “exercícios de preparação de combate” diante de possíveis manobras do Exército chinês nestas áreas.
Embora Pequim não tenha confirmado que qualquer operação militar esteja em andamento, as forças taiwanesas “não podem esperar” pelo anúncio oficial “para reagir”, acrescentou Hsieh, “pois isso só geraria instabilidade social e desconfiança entre a população”.
O funcionário do serviço secreto afirmou ainda que, embora não tenham sido observados exercícios de fogo real nestas sete áreas reservadas, duas das quais estão no Estreito de Taiwan, foi detectado um “aumento notável” no número de atividades chinesas ao norte da ilha no último dia.
Esses possíveis exercícios militares ocorrem poucos dias após o presidente taiwanês, William Lai, ter concluído uma viagem pelo Pacífico Sul com escalas nos três países aliados de Taiwan na área – Ilhas Marshall, Tuvalu e Palau – e escalas nos territórios americanos de Havaí e Guam, que irritou a China.
A China considera o presidente de Taiwan um “apoiador da independência” e um “encrenqueiro”, um território governado de forma autônoma desde 1949 e cuja soberania Pequim reivindica.



