Surtos da COVID-19 na China afetam rede global de fornecimento

Políticas de bloqueio e quarentena implementadas pelo regime chinês obrigaram fábricas a fechar

28/01/2022 16:49 Atualizado: 28/01/2022 16:49

Por Nicole Hao 

A abordagem de tolerância zero à COVID-19 da China fechou cidade após cidade, fazendo com que trabalhadores da “fábrica mundial” ficassem confinados em casa e não pudessem trabalhar, caminhões se tornassem incapazes de enviar mercadorias não relacionadas à pandemia e que os portos não pudessem receber navios.

“Os bloqueios na China já estão causando interrupções [na rede global de fornecimento]”, afirmaram economistas da holding financeira japonesa Nomura, em um relatório do dia 7 de janeiro.

Como fabricante para o mercado global, a China importa matérias-primas de todo o mundo e exporta produtos de mão-de-obra intensiva. Em 2021, mais de 22% do comércio mundial entrou ou saiu da China. O comércio da China em 2021 foi de 39,1 trilhões de yuans (US $6,185 trilhões).

“A China representou 28,7% da produção global de manufatura em 2019”, relatou a Statista sobre dados da Divisão de Estatística das Nações Unidas, em maio de 2021

Sem produção

As políticas de bloqueio e quarentena implementadas pelo regime chinês em cidades que anunciaram surtos da COVID-19 obrigaram as fábricas a fechar.

Nas cidades onde a pandemia não foi relatada, muitas fábricas fecharam de qualquer maneira porque não podiam receber matérias-primas devido ao fechamento em outras cidades ou não tinham pedidos suficientes.

Xi’an, a maior cidade e centro de negócios do noroeste da China, com uma população de 13 milhões, foi fechada por semanas entre dezembro de 2021 e janeiro de 2022.

A norte-americana Micron e a sul-coreana Samsung possuem fábricas na cidade para a produção de chips de processadores utilizados em smartphones, computadores pessoais, autopeças e serviços. Ambas as empresas alertaram no início de janeiro que o fechamento repentino poderia afetar a operação dessas fábricas e intensificar a escassez global de chips.

As fábricas da Samsung em Xi’an produzem cerca de 42% da tecnologia NAND da empresa, o que equivale a 15% da produção global de NAND, afirmou Shelly Jang, da Fitch Ratings, segundo a Associated Press.

NAND é uma tecnologia de armazenamento não volátil que não requer energia para reter dados. Os produtos eletrônicos utilizam chips de memória NAND para armazenar arquivos de dados.

Moradores passam por testes da COVID-19 em Ningbo, província de Zhejiang, leste da China, no dia 16 de janeiro (STR/AFP via Getty Images)
Moradores passam por testes da COVID-19 em Ningbo, província de Zhejiang, leste da China, no dia 16 de janeiro (STR/AFP via Getty Images)

Tianjin, a maior cidade costeira do norte da China, com uma população de 13,87 milhões, seguiu o exemplo de Xi’an e fechou a cidade em janeiro.

No dia 13 de janeiro, a fabricante alemã de veículos Volkswagen confirmou que havia fechado duas fábricas na cidade – a fábrica de veículos FAW-VW e a fábrica de componentes de transmissão automática VW Tianjin – no dia 10 de janeiro devido às políticas do regime quanto a COVID-19.

No dia 12 de janeiro, a montadora japonesa Toyota declarou que fechou sua base de fabricação de veículos em Tianjin no dia 10 de janeiro e que todos os funcionários foram obrigados a se submeter a testes da COVID-19 regularmente de acordo com as regras do regime.

A mídia chinesa Caixin informou em 6 de janeiro que as fábricas em toda a China estavam fechando para se preparar para o próximo Ano Novo Chinês, que é no dia 1º de fevereiro. A paralisação ocorre “algumas semanas antes [do que nos anos anteriores] devido a uma combinação de escassez de pedidos e interrupções no fornecimento causadas por medidas estritas para conter surtos regionais da COVID-19”, informou a Caixin.

Funcionários utilizando equipamentos de proteção individual (EPI) trabalham em um porto em Qingdao, na província chinesa de Shandong, no dia 14 de janeiro de 2022 (STR/AFP via Getty Images)
Funcionários utilizando equipamentos de proteção individual (EPI) trabalham em um porto em Qingdao, na província chinesa de Shandong, no dia 14 de janeiro de 2022 (STR/AFP via Getty Images)

Transporte

A abordagem “zero COVID” do regime retardou o processamento nos portos em todo o país e elevou os custos do transporte de mercadorias por via marítima, aérea e terrestre.

“Embora os portos permaneçam abertos, as restrições atuais – como quarentenas e testes obrigatórios – continuam a desacelerar o transporte e causar atrasos”, afirmou Atul Vashistha, fundador e presidente da consultoria de rede de fornecimento Supply Wisdom, segundo a CNBC.

O mesmo relatório cita Judah Levine, chefe de pesquisa da plataforma de reservas de frete Freightos Group, afirmando que o preço do frete aéreo subiu até 50% em alguns casos, e as taxas de frete marítimo da Ásia para a costa oeste dos Estados Unidos aumentaram 4%.

As operações no porto de Ningbo-Zhoushan, na província chinesa de Zhejiang, o terceiro porto de contêineres mais movimentado do mundo, desaceleraram desde dezembro de 2021, quando o regime fechou o distrito de Beilun, na cidade de Ningbo.

No dia 5 de janeiro, o Loadstart citou a população local afirmando que o porto é de difícil acesso devido à política de tolerância zero e que um grande número de caminhoneiros vive em Beilun, um distrito que está fechado.

“É muito difícil entrar ou sair com os contêineres”, afirmou o relatório citando uma fonte. “Recomendamos o envio o mais rápido possível para portos alternativos em vez de enfileirar em Beilun”.

Tianjin, o maior porto do norte da China, está enfrentando mais dificuldades porque toda a cidade estava fechada.

Em 27 de janeiro, o regime chinês anunciou novas infecções pela COVID-19 em Zhejiang, Pequim, Xangai, Tianjin, Heilongjiang, Hebei, Henan e Xinjiang. O regime fechou imediatamente qualquer bairro que identificasse um morador infectado.

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