Premiê da Nova Zelândia visitará a China em meio a apelos por reavaliação da relação bilateral

Christopher Luxon se reunirá com os líderes do Partido Comunista Chinês, Xi Jinping e Li Qiang, em sua primeira visita à China como primeiro-ministro, marcada para a próxima semana.

Por Rex Widerstrom
13/06/2025 13:53 Atualizado: 13/06/2025 15:34
Matéria traduzida e adaptada do inglês, publicada pela matriz americana do Epoch Times.

O primeiro-ministro da Nova Zelândia, Christopher Luxon, visitará a China na próxima semana para reuniões com líderes do Partido Comunista Chinês (PCCh), incluindo o presidente Xi Jinping e o primeiro-ministro Li Qiang.

A visita de três dias, entre quarta-feira (18) e sexta-feira (20), terá como foco a ampliação do comércio — que movimentou mais de NZ$ 38 bilhões (US$ 22,87 bilhões, aproximadamente R$ 126 bilhões) no ano passado —, além do fortalecimento dos laços nos setores de educação e turismo, e da ampliação de oportunidades para empresas neozelandesas.

A China é a maior fonte de estudantes internacionais da Nova Zelândia e seu terceiro maior mercado de turismo, embora os números ainda não tenham retornado aos níveis anteriores à pandemia.

Esta será a primeira visita de Luxon à China como primeiro-ministro, embora ele já tenha se encontrado anteriormente com ambos os líderes: com Li Qiang durante a visita do premier chinês à Nova Zelândia em junho do ano passado, e com Xi Jinping à margem da Reunião de Líderes Econômicos da APEC, no Peru, cinco meses depois.

“O cenário global desafiador torna essencial que compartilhemos perspectivas e dialoguemos com a China sobre questões que são importantes para a Nova Zelândia”, disse Luxon em comunicado.

Ele passará por Xangai e Pequim antes de seguir para a Europa, onde terá reuniões em Bruxelas e Haia, e participará da cúpula da OTAN nos Países Baixos.

Ex-líderes alertam para desgaste nas relações com a China

A viagem de Luxon ocorre em meio a críticas de ex-líderes da Nova Zelândia, que alertam que decisões recentes de política externa podem ter prejudicado as relações com Pequim.

Os ex-primeiros-ministros Helen Clark e Sir Geoffrey Palmer, ambos do Partido Trabalhista, juntamente com o ex-líder do Partido Nacional Don Brash, assinaram uma carta na semana passada questionando a política externa do governo de coalizão.

Eles argumentaram que o governo estaria “posicionando a Nova Zelândia ao lado dos Estados Unidos como adversária da China”. 

Eles citaram várias ações que, segundo eles, teriam causado desconforto em Pequim — incluindo a autorização para que um navio da Marinha da Nova Zelândia navegasse pelo Estreito de Taiwan, “apesar de saberem que isso antagonizaria a China”; o fortalecimento de laços militares com as Filipinas “em um momento em que o país está em um impasse militar de baixa intensidade com a China no Mar do Sul da China”; e o envio de delegações de parlamentares a Taiwan, “sabendo que a visita causaria ofensa”.

Essas ações e declarações recentes de Luxon e do ministro das Relações Exteriores, Winston Peters, podem levar a China a concluir que “o relacionamento especial que a Nova Zelândia manteve com o país desde que se tornou a primeira nação desenvolvida a firmar um acordo de livre comércio com ele já não é mais tão valorizado pela Nova Zelândia”, escreveram os ex-líderes.

Delegação empresarial e viagem à Europa na sequência

Luxon será acompanhado, na etapa chinesa da viagem, por uma delegação de empresários e por um grupo premiado de kapa haka (dança tradicional Māori).

Em seguida, entre sábado (21) e quarta-feira (25), ele viajará à Europa para reuniões bilaterais, incluindo encontros com líderes da União Europeia (UE) para discutir comércio, segurança e o cenário geopolítico em transformação.

A Nova Zelândia foi convidada para a cúpula da OTAN ao lado de outros membros do grupo “Indo-Pacific Four” — Austrália, Japão e Coreia do Sul. O país participa do evento como nação parceira desde 2022.

Após essa primeira visita, a embaixada chinesa em Wellington, capital da Nova Zelândia, deixou claro o descontentamento de Pequim, emitindo uma declaração contrária a “todo tipo de alianças militares, políticas de blocos ou grupos exclusivos”.

“A prosperidade só é possível com segurança, e nossas discussões irão focar nas conexões entre os ambientes de segurança euro-atlântico e indo-pacífico”, disse Luxon.

“Estou ansioso para fortalecer nosso relacionamento positivo com os amigos europeus e para consolidar laços mais fortes com empresas e investidores, como parte do nosso plano mais amplo de reconstrução da economia da Nova Zelândia.”