Pesquisa indica que militares chineses estão investindo em ferramentas de IA para trabalhos de inteligência

Pesquisadores militares chineses analisaram os esforços dos EUA para aplicar IA generativa a tarefas de inteligência militar, de acordo com um novo relatório.

Por Lily Zhou
20/06/2025 12:48 Atualizado: 20/06/2025 12:48
Matéria traduzida e adaptada do inglês, publicada pela matriz americana do Epoch Times.

O Exército Popular de Libertação da China (PLA, na sigla em inglês) está buscando ativamente recursos de inteligência artificial (IA) generativa para coletar e analisar inteligência militar, de acordo com um relatório de análise de ameaças publicado em 17 de junho.

O Insikt Group, com sede nos Estados Unidos, divisão de pesquisa da consultoria de inteligência de ameaças Recorded Future, examinou artigos da mídia afiliada ao PLA, trabalhos de pesquisa, pedidos de patentes e ordens de compra, e afirmou que o material mostrava o “claro interesse” das forças armadas chinesas em ferramentas de IA generativa.

O relatório afirma que o complexo militar-industrial do regime chinês provavelmente está utilizando grandes modelos de linguagem (LLMs, na sigla em inglês) de várias empresas estrangeiras, incluindo Meta, OpenAI, Google DeepMind, Anthropic, BigScience e entidades nacionais como DeepSeek, Universidade de Tsinghua, Zhipu AI e Alibaba Cloud.

As Forças Armadas dos EUA também estão investindo em ferramentas de IA para melhorar seu processo de tomada de decisão e outras capacidades de combate. De acordo com um documento de contratos do Departamento de Defesa publicado em 16 de junho, o Pentágono concedeu à OpenAI um contrato de US$ 200 milhões para desenvolver “protótipos de capacidades de IA de ponta para enfrentar desafios críticos de segurança nacional, tanto no campo de batalha quanto no empresarial”.

Ao longo do ano passado, os fuzileiros navais dos EUA destacados no Pacífico testaram uma ferramenta de IA generativa desenvolvida pela Vannevar Labs, utilizando a ferramenta para filtrar informações de inteligência estrangeira.

Os autores do relatório do Insikt Group afirmaram que os pesquisadores do PLA analisaram os esforços dos EUA para aplicar a IA generativa a tarefas de inteligência militar, provavelmente com o objetivo de aprender com a experiência.

O relatório afirma que a mídia e os pesquisadores do PLA têm defendido o uso da IA generativa, citando seus benefícios potenciais, incluindo o aprimoramento da coleta e análise de inteligência, ao mesmo tempo em que reconhecem os desafios e riscos, como inteligência imprecisa.

Se os analistas de inteligência do PLA usarem modelos de IA generativa alinhados com a ideologia do Partido Comunista Chinês (PCCh) ou forem “treinados em produtos analíticos ideologicamente tendenciosos, o PLA corre o risco de reduzir a objetividade da análise de inteligência”, afirmou.

Para o Ocidente, segundo o relatório, a adoção de ferramentas de IA generativa pelo PLA poderia criar “desafios de transferência de tecnologia” e destacar o risco de desinformação gerada por IA.

De acordo com o relatório, pedidos de patentes mostraram que os militares chineses já projetaram ferramentas de IA generativa para realizar trabalhos de inteligência, e o PLA provavelmente adquiriu IA generativa para o mesmo fim.

No início deste mês, a OpenAI afirmou ter banido contas provavelmente ligadas a adversários estrangeiros, incluindo o regime chinês, que estavam usando as ferramentas de IA da empresa para aprimorar suas operações de espionagem e influência e cometer fraudes.

De acordo com a OpenAI, ela interrompeu quatro operações provavelmente ligadas ao PCCh. Atores chineses usaram IA para criar perfis de contas falsas, traduzir e analisar documentos e criar conteúdo para influenciar o discurso público em várias plataformas de redes sociais.