PCCh reprime protestos em massa por espancamento descarado de menina de 14 anos

A polícia dispersou à força milhares de manifestantes que se juntaram à família da menina para exigir desculpas dos agressores. Não está claro quantos foram detidos.

Por Lily Zhou
07/08/2025 11:45 Atualizado: 07/08/2025 11:45
Matéria traduzida e adaptada do inglês, publicada pela matriz americana do Epoch Times.

Aviso: O vídeo vinculado neste artigo contém cenas de violência. Recomenda-se cuidado ao espectador.

Milhares de pessoas tomaram as ruas na província de Sichuan, no sudoeste da China, em 4 de agosto, depois que estudantes do ensino médio postaram um vídeo em que aparecem agredindo violentamente uma colega de 14 anos. O vídeo se tornou viral, provocando indignação nacional pela ousadia das agressoras e pelo que os manifestantes consideram uma resposta inadequada das autoridades escolares.

Testemunhas, que não foram identificadas por segurança, disseram à edição chinesa do Epoch Times que manifestantes em apoio à vítima e sua família foram dispersados à força pela polícia armada com cassetetes e spray de pimenta. Alguns manifestantes foram levados presos.

No vídeo gravado por associados dos agressores em 22 de julho, a menina de 14 anos, identificada pelo sobrenome Lai pela polícia local, é repetidamente e violentamente chutada, esbofeteada e humilhada. Sem temer repercussões por suas ações, os agressores postaram o vídeo da agressão, que circulou amplamente nas redes sociais até 2 de agosto, apesar das tentativas das autoridades de censurar informações sobre o incidente.

No vídeo, Lai é ouvida dizendo que seu pai irá à polícia se ela for ferida. Um de seus agressores então rejeita o apelo de Lai, dizendo que ela já havia sido levada à delegacia local mais de dez vezes, sendo liberada em menos de 20 minutos em todas as ocasiões.

Incidentes violentos de bullying escolar têm atormentado crianças e suas famílias na China comunista há muitos anos, com críticos afirmando que punições brandas contribuíram para a epidemia de bullying, bem como para uma cultura contínua de violência na sociedade chinesa sob o punho de ferro do Partido Comunista Chinês.

De acordo com a mídia estatal local Fujiang Observer, Lai e seu pai foram à polícia para denunciar o ataque por volta das 22h, horário local, no dia do ataque. Ela foi examinada no hospital na mesma noite. Enquanto o vídeo da agressão e mensagens de indignação sobre o tratamento dado ao ataque continuavam a se espalhar online — sendo republicados na China e por observadores no exterior para contornar a censura da internet do Partido Comunista Chinês —, a polícia da cidade de Jiangyou divulgou um comunicado em 4 de agosto, identificando três agressoras pelo sobrenome. Duas das meninas, Liu A e Liu B, têm 15 e 13 anos, respectivamente. A terceira agressora foi identificada como Peng, de 14 anos. Havia também outras pessoas no grupo que gravaram o vídeo enquanto suas colegas agrediam Lai. A polícia informou que Lai sofreu “ferimentos leves”, incluindo no couro cabeludo, joelhos e outros locais.

O comunicado acrescentou que Liu A e Peng receberam “punição administrativa” e serão “enviadas para uma escola especial para educação correcional”, e que os responsáveis pelas outras pessoas presentes no local do ataque foram orientados a disciplinar seus filhos.

Até 4 de agosto, a vítima e sua família ainda não haviam recebido nenhum pedido de desculpas das agressoras, de acordo com a emissora estatal China Jiangxi Radio and TV Station.

O veículo confirmou relatos anteriores de que Lai é filha de uma mãe surda e muda com deficiência e que os mesmos agressores haviam intimidado Lai em várias ocasiões. A família de Lai não pôde confirmar a alegação de que o bullying estava relacionado à deficiência da mãe, acrescentou a reportagem.

No mesmo dia, a polícia cibernética local informou que havia punido duas mulheres que supostamente “inventaram e publicaram boatos” sobre os antecedentes familiares dos agressores. A polícia rejeitou rumores de que os pais dos agressores incluíam um advogado e um oficial sênior da polícia, afirmando que dois dos pais estão desempregados e quatro são trabalhadores pouco qualificados.

Também em 4 de agosto, os pais de Lai, seu tio e vários milhares de outras pessoas se reuniram no prédio do governo da cidade, de acordo com testemunhas que falaram ao Epoch Times.

Imagens que circularam online e foram censuradas em sites chineses mostraram intensos confrontos entre a polícia e os manifestantes. Alguns manifestantes pediam atenção internacional, já que a província sediará os Jogos Mundiais de 2025 em sua capital, Chengdu, de 7 a 17 de agosto. A cerimônia de abertura dos jogos está marcada para as 20h, horário local, do dia 7 de agosto.

Uma testemunha disse ao Epoch Times que a polícia estava dispersando os manifestantes à força e prendendo aqueles que gravavam vídeos. Outra disse que a polícia levou alguns manifestantes em um caminhão.

De acordo com o Fujiang Observer, em 6 de agosto, os perpetradores e suas famílias pediram desculpas, e a família de Lai solicitou privacidade e expressou seu desejo de retornar à normalidade. Alguns expressaram preocupação de que o pedido da família tenha sido feito sob coação.