EUA e China retomam negociações comerciais em Madri

O Tesouro disse que exigiria que o regime chinês interrompesse seus envios ilegais de tecnologia para a Rússia.

Por Catherine Yang
15/09/2025 14:25 Atualizado: 15/09/2025 14:25
Matéria traduzida e adaptada do inglês, publicada pela matriz americana do Epoch Times.

Autoridades dos Estados Unidos e da China continuaram as conversas comerciais em 14 de setembro, em uma reunião no Palácio de Santa Cruz, em Madri.

Na agenda estão as novas tarifas aduaneiras que o governo deseja aplicar ao regime comunista chinês pela compra de petróleo russo sancionado, o prazo iminente para a empresa chinesa ByteDance se desfazer do TikTok e a lavagem de dinheiro chinesa.

Pelo lado americano, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, e o representante comercial, Jamieson Greer, retornam para as conversas. O vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, e o funcionário do Ministério do Comércio, Li Chenggang, representam os interesses de Pequim.

Atualmente, as importações chinesas enfrentam uma tarifa média de 52%, com vários setores e produtos recebendo isenções.

O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, saudou publicamente as duas delegações antes do início das conversas.

A Espanha tem sido alvo de críticas dos EUA recentemente, pois o país peninsular anunciou que limitaria o acesso aos portos e ao espaço aéreo espanhóis por aviões que transportam armas para Israel, o que pode limitar o acesso dos EUA na região. O presidente Donald Trump também criticou a Espanha por não atingir a meta de 5% de gastos com defesa que ele estabeleceu para os membros da OTAN.

Enquanto isso, o primeiro-ministro espanhol viajou para a China três vezes nos últimos três anos e ignorou os apelos para restringir o acesso europeu aos veículos elétricos chineses.

A Rússia se destaca

Os esforços de guerra da Rússia terão um papel importante na discussão, já que Pequim ignorou os apelos dos Estados Unidos para parar de comprar petróleo russo, vender armas à Rússia e ajudar a Rússia a evitar sanções internacionais comprando suprimentos para reexpedição à Rússia ou comprando produtos russos para revenda no mercado internacional.

O Departamento do Tesouro afirmou que exigirá que o regime chinês pare com seus envios ilegais de tecnologia à Rússia.

Bessent e Greer realizaram recentemente uma videoconferência com os países do G7, pedindo-lhes que imponham “tarifas significativas” à China e à Índia pela compra de petróleo russo.

“Somente com um esforço unificado que corte na fonte as receitas que financiam a máquina de guerra de Putin seremos capazes de aplicar pressão econômica suficiente para acabar com as mortes sem sentido”, afirmaram Bessent e Greer em comunicado divulgado em 12 de setembro.

Em 13 de setembro, Trump disse na rede social que imporia “sanções importantes” à Rússia se os países da OTAN concordassem em também parar de comprar petróleo russo.

“De qualquer forma, estou pronto para ‘agir’ quando vocês estiverem”, escreveu ele. “É só dizer quando?”.

TikTok

Ambos os lados afirmaram que a questão do futuro do TikTok também está na agenda.

Depois que o presidente Joe Biden assinou a lei de alienação ou proibição do TikTok, a empresa-mãe chinesa teve até 19 de janeiro, último dia do mandato de Biden, para se desfazer do popular aplicativo de rede social. Um tribunal concedeu um adiamento, dado que Trump assumiria o cargo no dia seguinte ao prazo final.

Desde então, Trump prorrogou o prazo de alienação várias vezes.

Em junho, ele assinou outra ordem executiva para manter o TikTok “em funcionamento”.

O presidente expressou confiança em garantir um comprador americano para o aplicativo. No entanto, a empresa controladora do TikTok, ByteDance, disse anteriormente que o regime chinês não permitiria a venda.

“Provavelmente teremos que obter a aprovação da China. Acredito que a obteremos”, disse Trump a repórteres no Air Force One, enquanto voltava da cúpula do G7 no Canadá em junho.

“Acho que [o líder chinês] Xi [Jinping] acabará aprovando”.

O TikTok foi alvo de escrutínio por parte dos reguladores federais devido ao enorme volume de dados que coleta sobre os americanos, que, de acordo com as leis de segurança nacional chinesas, devem ser disponibilizados às autoridades chinesas sem divulgação.

Quarta rodada na Europa

Esta é a quarta vez neste ano que as partes se reúnem na tentativa de chegar a um acordo comercial.

Em julho, as partes se reuniram em Estocolmo, onde Bessent disse que ambas as partes apresentaram termos “difíceis”, mas expressaram otimismo em relação a um acordo. Uma prorrogação do prazo de 12 de agosto não foi acordada durante a reunião, mas Trump anunciou posteriormente outra prorrogação de 90 dias pouco antes do prazo.

Em junho, as partes se reuniram por dois dias em Londres, com a discussão focada nos embarques de minerais críticos que a China havia retardado.

Em maio, autoridades comerciais dos EUA e da China conversaram por telefone, mas forneceram poucos detalhes.

Em 12 de maio, as partes se reuniram pela primeira vez desde a guerra tarifária de abril, em Genebra. As partes anunciaram uma trégua de 90 dias, mas Trump afirmou posteriormente que a China havia renegado “totalmente” o acordo ao se recusar a exportar minerais essenciais, o que resultou na paralisação de algumas linhas de produção automotiva.

Controles de exportação da China

Pequim acusou os Estados Unidos de “abusar” dos controles de exportação, afirmando que levantará a questão durante as conversas em Madri.

A China impôs vários controles de exportação próprios desde que o governo Trump anunciou suas tarifas.

Dias antes das conversas, Pequim abriu uma investigação antidiscriminação sobre a política comercial dos EUA. Isso ocorreu depois que o regime comunista revisou sua Lei de Comércio Exterior, que codifica e fornece uma justificativa para ações comerciais como o bloqueio anterior de exportações de minerais críticos e as proibições comerciais a entidades que considera uma ameaça à sua segurança.

O regime chinês também abriu uma investigação antidumping sobre chips de computador dos EUA, pois busca reduzir sua dependência de chips americanos em sua cadeia de suprimentos. Os Estados Unidos estão tornando mais difícil para a China obter tecnologias para desenvolver sua indústria de chips, reforçando os controles de exportação em toda a cadeia de suprimentos.

A Reuters contribuiu para esta reportagem.